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Otávio (esq.) ainda está no Sub-12 do Corinthians, enquanto Luiz Gustavo, o Bahia (dir.), está no Sub-20

Otávio (esq.) ainda está no Sub-12 do Corinthians, enquanto Luiz Gustavo, o Bahia (dir.), está no Sub-20

Victor Godoy / Meu Timão

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Irmãos alvinegros

Irmãos dividem protagonismo na base do Corinthians e compartilham histórias de sucesso no clube

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É raro, mas não impossível irmãos decidirem seguir a mesma carreira, seja em áreas mais comuns como medicina ou engenharia ou outras menos usuais, como o futebol. Sócrates, ídolo do Corinthians, é da mesma família que Raí, ídolo do São Paulo, por exemplo. Ángel Romero já chegou até a marcar seu irmão gêmeo Óscar na Neo Química Arena. Na base alvinegra, existem dois irmãos que brilham em suas respectivas categorias: Luiz Gustavo e Otávio Augusto.

O primeiro é mais conhecido pela torcida como Bahia. Volante, é o jogador de maior destaque da "geração 2006", atualmente integrando o elenco do Sub-20. Otávio atua na mesma posição, tendo destaque no Sub-12 junto dos demais nascidos em 2012.

Bahia foi o abre-alas da família Lemos Carvalho dentro do Parque São Jorge, ainda em 2017, quando foi aprovado em testes no Corinthians. O jogador também abriu as portas da casa da família à reportagem do Meu Timão para uma entrevista com a dupla para a celebração do Dia do Irmão, tradicionalmente celebrado nesta quinta-feira, dia 5 de setembro. Enquanto Luiz Gustavo teve que ralar na peneira após iniciar nos "terrões" de Vitória da Conquista, na Bahia, Otávio começou a carreira já sob olhares do Timão.

"Eu comecei com cinco anos no Chute Inicial (do Parque São Jorge). Era pivô, fazia muito gol. Então me chamaram para fazer teste no Corinthians. Era atacante e quando tinha nove anos, fui para volante", contou Otávio, que negou se sentir pressionado pela fama do irmão. Curiosamente, o jovem acredita que começou a gostar de futebol tarde, aos cinco anos. Foi o pai Wilker Carvalho que o inscreveu na escola de futebol que o deu gosto pelo esporte.

Inicialmente a dupla não se sentia parecida dentro de campo, apesar de atuarem na mesma posição. De tempos para cá, Bahia tem percebido similaridades com o irmão. "Hoje em dia existem vários estilos de jogo, né? Tem aquele 8 box-to-box e o que é mais construtor, que dita o ritmo do time. Somos mais esse cara que foca na construção do time, a hora de acelerar e desacelerar", explicou.

Trocas de experiência em campo

Ambos assistem à partidas um do outro com frequência - ainda que Otávio acredite que Bahia deveria ser mais presente. Logicamente, o mais velho acaba pegando mais no pé, acreditando que o irmão precisa melhorar nas "chegadinhas", uma vez que, na visão dele, é algo necessário para um volante do Corinthians. "Não é todo dia que vamos esta bem tecnicamente, mas temos que ter sempre vontade de guerrear. O Corinthians exige muito isso", destacou o jogador do Sub-20.

"Eu acho que ele precisa melhorar muita coisa (risos). Tem vez que ele chega na entrada da área e parece que tem medo de finalizar, prefere dar o passe", contra-argumentou Otávio.

O maior "corneteiro" da família, na verdade, é Wilker. Ele é quem chama atenção para o que acredita que os filhos têm que melhorar. Aos risos, Bahia comentou como lidam com o fogo amigo. "Quem está de fora sempre vai perceber algo diferente. Eu e ele (Otávio) entendemos melhor porque estamos ali dentro do campo. Quando meu pai começa a falar que temos que fazer isso ou aquilo, a gente nem escuta (risos)", comentou.

Em ordem: Wilker Carvalho, Otávio Augusto, Luiz Gustavo e Nadiely Lemos

Arquivo pessoal

Trocas de experiência também na escola

Para além do gramado, a dupla também comentou como andam os estudos. Otávio ainda está no sétimo ano e diz que sua melhor matéria é geografia. Já Bahia se formou na escola em 2023 e disse que não pensa em fazer faculdade no momento, mas quer aprender novos idiomas até enaltecendo o ex-companheiro Gabriel Moscardo, fluente em inglês, espanhol e francês. Questionado sobre qual matéria se dava melhor, disse que também gostava de geografia, mas foi interrompido pelo mais novo dizendo que dentro da sala de aula o irmão não ia bem. A dupla concordou quanto em qual matéria era a mais difícil: matemática.

O volante do Sub-20 ressaltou a importância da escola para sua formação, mas desabafou que conciliar a rotina de atleta com estudante era muito complicado: "Comecei a fazer o ensino médio online depois da pandemia, porque eu treinava de manhã, a tarde fazia personal e a noite ia para a escola. Chegava era 23h". Otávio, por sua vez, diz lidar melhor, apesar da vida corrida. Se queixou da inserção de novas matérias na grade curricular.

Outro tópico destacado pela dupla foi a parceria do Corinthians com o Colégio Amorim, que garante aos atletas bolsas de estudo. Com isso, as salas de aula da unidade do Tatuapé são preenchidas quase que na totalidade por jogadores. "No primeiro ano (do Ensino Médio) juntou as salas, então eu brinco que a pandemia veio no momento certo, senão não ia dar certo", comentou rindo Bahia, que elencou André Luiz, Gabriel Yuske e Yago, todos atualmente no Sub-20, como os mais brincalhões - além dele mesmo, claro. Otávio diz ser mais tranquilo apesar de também brincar bastante.

Luiz Gustavo Bahia e André Luiz também dividem sorrisos no campo da Fazendinha

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

O caso do extintor...

Enquanto lembravam algumas histórias da escola, uma lhes gerou grande gargalhada. Certo dia, Luiz Gustavo e outros dois companheiros brincavam nos corredores da escola até que algum sugeriu mexer com o extintor de incêndio. Bahia diz que na sua vez, nada aconteceu, mas que na sequência ativaram o extintor. Todos receberam dois dias de suspensão.

"Isso foi numa quinta, não podia ir para a escola nem sexta nem segunda. Não quis contar pra minha mãe, então só disse que não iria para a escola na sexta, o que era comum. Na segunda, eu tinha que ir porque começava a semana de provas", relembrou o jogador. "Eu fui e tentei me esconder dos diretores. Cheguei e sentei no último banquinho, de touca. Ninguém desconfiou. Mas no finalzinho da primeira aula entrou a diretora e me expulsou". Depois, ligaram para os pais dos atletas e a bronca foi grande. Wilker, mais tarde, confirmou que ficou bastante irritado.

Sonho de jogar juntos, seja junto ou separado

Seis anos separam a dupla de jogar junta. Neste momento a parceria é improvável, pois apesar de Bahia estar próximo do profissional, Otávio ainda é muito novo. Entendendo o cenário de uma iminente saída para o exterior do mais velho, ambos emularam uma situação de que estariam disputando a final da Champions League, principal competição da Europa. "Eu pelo Real Madrid e você pelo Manchester City", brincou o jovem do Sub-12, fazendo referência ao interesse do clube inglês pelo irmão. "Nossa, aí eu te amasso, nem vai ver a cor da bola", respondeu Luiz Gustavo.

Chamou atenção da reportagem a escolha do clube espanhol por parte de Otávio. O jovem respondeu que é desejo algum dia vestir a camisa merengue em homenagem ao avô, seu Carlos "Pepê": "Ele sempre quis que eu jogasse no Real Madrid. Uma vez meus pais foram conhecer o estádio do Real Madrid quando ele (Bahia) foi disputar um torneio na França e trouxeram bandeiras. Dei para o meu avô e ele chorou". "Eu também gosto muito do Real Madrid, mas me vejo muito no Manchester City. Me inspiro muito no Rodri (volante espanhol)", complementou Bahia.

Antes disso, a dupla reconheceu que primeiro de tudo é importante firmar-se no Corinthians. Luiz Gustavo tem menos de um ano de contrato e já negocia ampliação do vínculo. O volante é corinthiano a contragosto do pai, que apoia o Flamengo - mas tem seu lado alvinegro pelos filhos. Enquanto isso, Otávio tem vínculo federativo até o fim de 2024.

"Na nossa cidade da Bahia, é metade corinthiano e metade flamenguista. Queria muito que ele fosse Flamengo, comprei quadro e tudo, mas aí chega o Corinthians e me contrata Ronaldo Fenômeno. Aí não teve como", desabafou o pai em tom de brincadeira mais tarde.

Quem é melhor?

O Meu Timão também atiçou a dupla para entender quem é melhor em qual aspecto tanto dentro quanto fora de campo. A única falta de consenso foi quanto à geração. Ambos defendem que tanto os nascidos em 2006 quanto os em 2012 são muito bons. Otávio alegou que o time do irmão é melhor por ter conquistado mais coisa, mas Bahia destacou que o time do mais novo conquistou mais coisa com 12 anos. "A minha geração (2006) é muito boa, é a que mais chegou gente no Sub-20, só que a dele, de todos os times grandes, acho a melhor, porque já ganhou tudo", explicou Luiz Gustavo.

Até o momento, foram três principais conquistas da "geração 2012": as Paulistas Cups Sub-10 e 12 e o Paulista e o Metropolitano de futsal Sub-12. O segundo, inclusive, contou com gol de Otávio na final.

Abaixo, as demais respostas da dupla:

Meu Timão: quem é melhor no passe?
Otávio e Bahia: igual.

MT: no chute?
Otávio e Bahia: Otávio.

MT: defendendo?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: batendo pênalti?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: e falta?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: quem é mais líder?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: na resenha?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: estudando?
Otávio e Bahia: Otávio.

MT: quem é mais arteiro?
Otávio e Bahia: Bahia.

MT: quem é mais corinthiano?
Otávio e Bahia: Bahia.

Quando questionados sobre quem era melhor no EA FC, conhecido jogo de futebol, a dupla também não entrou em consenso. "Vou falar logo, já ganhei dele por 24 gols (de diferença)", alegou Bahia. "Claro, eu tinha seis anos!", se defendeu Otávio.

Entre risos, carrinhos e extintores, a dupla segue se destacando na base do Corinthians e almeja chegar ao profissional o quanto antes. No radar de Ramón Díaz, Bahia está mais próximo de conquistar o sonho, enquanto Otávio ainda batalha para passar de ano na escola e, no futuro, ter as vivências do irmão.

Veja mais em: Base do Corinthians, Corinthians Sub-17 e Corinthians Sub-20.

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