O Corinthians manteve a auditoria interna para investigar supostos desvios de materiais esportivos fornecidos pela Nike no CT Joaquim Grava . Como soube o Meu Timão, as apurações são uma extensão das buscas iniciadas ainda na gestão do ex-presidente Augusto Melo, que motivaram presença da Polícia Civil no local em maio deste ano .
Apesar da mudança na diretoria do clube, que é presidida definitivamente por Osmar Stabile desde 9 de agosto, há indícios da continuidade do uso indevidos de materiais também na atual gestão. Neste momento, a varredura, segundo apurou a reportagem, tem sido feita por funcionários de diversas áreas (futebol, TI, administrativo e do próprio Parque São Jorge).
As Comissões de Marketing e Finanças do Conselho Deliberativo acompanham a atual investigação. O relatório está em estágio avançado, embora ainda não haja detalhes sobre possíveis culpados, montante de prejuízo financeiro e soluções para o caso.
No início de maio, vale lembrar, o Corinthians recebeu quase R$ 5 milhões em materiais fornecidos pela empresa norte-americana no CT do clube sem o devido lançamento das notas fiscais no sistema oficial do clube . De acordo com informações do UOL Esporte, entre abril e dezembro do ano passado chegaram ao CT 9.062 produtos esportivos da Nike, somando R$ 4.941.075,13. No entanto, nenhuma nota fiscal foi cadastrada no Protheus, sistema de gestão utilizado pelo Corinthians, o que dificultaria o rastreamento e a contabilização correta do material.
Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, afirmou estar ciente do problema . O conselheiro cobrou para que seja feito um relatório com as supostas irregularidades.
“Com relação ao material (esportivo), nós tivemos um problema grave na outra gestão. Eu já soube que está tendo algo parecido. Então, sim, já mandei ofício também para a Comissão de Marketing e de Justiça para acompanhar. Eu sei que está sendo feito um trabalho pela presidência e a gente vai cobrar o relatório disso para apurar também. O problema continua e é grave. Estamos apurando”, explicou.
Corinthians e Nike renovaram a parceria em agosto, ativa desde 2003, até 2035, cujo acordo prevê ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em caso de cumprimento de metas e bônus . Uma das condições, inclusive, era a melhora na entrega de materiais por parte da empresa norte-americana.
Relembre o caso
À época, o Corinthians afirmou ao UOL Esporte que mantém registros manuais das notas, em razão de uma reestruturação no sistema de gestão. Ainda segundo o clube, todas as comprovações e documentos estavam sendo integrados gradativamente ao sistema. Apesar disso, a reportagem teve acesso a documentos que mostram que, até o início deste mês, nenhuma nota da Nike havia sido inserida no sistema do CNPJ vinculado ao CT.
O montante de materiais esportivos recebido em 2024 superou em cerca de R$ 9 milhões o valor estipulado em contrato com a Nike. O acordo, assinado em 2018, previa o fornecimento anual de R$ 4 milhões em produtos — valor que não sofreu atualização com base na inflação. No ano passado, o clube recebeu R$ 13,2 milhões em uniformes, somando entregas no Parque São Jorge e no CT.
A Ernst & Young, consultoria contratada pelo clube, em reunião com o Corinthians em agosto de 2024, alertou o clube sobre os riscos da não inserção das notas no sistema de controle, que incluem penalidades fiscais, problemas legais com a fornecedora e até possíveis processos por descumprimento contratual. No mês seguinte, o contrato entre as partes foi encerrado.
Em nota, o Timão esclareceu que todos os materiais da Nike estavam devidamente controlados e registrados no CT. O atraso em alguns registros, segundo o clube, ocorreu devido a uma readequação no sistema de gestão.