O Corinthians anunciou neste sábado que não possui mais qualquer relação contratual com a CDS E-Sports e Entretenimento Ltda., empresa que detinha os direitos de exploração da marca alvinegra no cenário competitivo de esportes eletrônicos. O rompimento marca o fim da parceria que vinha sendo alvo de questionamentos e críticas desde o primeiro semestre de 2024.
Com a decisão, o clube esclareceu que, "no momento, não possui equipe oficial de e-Sports em atividade". A direção ainda alertou que nenhuma organização, jogador ou empresa está autorizada a usar o nome, o escudo ou qualquer outro símbolo do Corinthians em torneios de jogos eletrônicos, salvo em casos previamente autorizados pela própria instituição — veja a nota do clube na íntegra abaixo.
Com a rescisão, o futuro da presença alvinegra no cenário de e-Sports fica indefinido.
Denúncias e crise na gestão da CDS
A rescisão acontece em meio a uma sequência de polêmicas envolvendo a administração da CDS. Ao longo de 2024, atletas e ex-atletas relataram salários atrasados, pressão psicológica e condições de trabalho precárias . Em entrevista concedida ao Meu Timão em julho, o presidente da empresa, Milson Januário, chegou a admitir atrasos de até dois meses e dívidas em torno de R$ 300 mil, prometendo regularizar os pagamentos em até 60 dias — promessa que não se confirmou integralmente.
Casos chegaram à Justiça. O ex-jogador Siandro “Tatu” Rech venceu ação de R$ 25 mil, citando falta de alimentação adequada e atrasos salariais. O ex-técnico Igor Bernardo ganhou processo de R$ 40 mil. Já Rafael “Rafa Fiel” cobra cerca de R$ 176 mil. Documentos apontavam dívida de R$ 1 milhão no início de 2024; o próprio Milson reconheceu que o montante já ultrapassava R$ 1,3 milhão.
Além das pendências financeiras, denúncias envolveram o ambiente de trabalho. Jogadores relataram clima de pressão excessiva, ameaças de demissão e até festas com uso de drogas em uma das game houses ligadas à operação. Milson afirmou ter encerrado o uso do espaço e adotado um modelo de auxílio-moradia, que também passou a sofrer com atrasos.
Corte do Free Fire e desgaste com a Garena
Em julho, a situação se agravou quando a Garena, empresa responsável pelo Free Fire, barrou a participação do Corinthians na Free Fire World Series Brasil (FFWS Brasil) , a principal liga nacional do jogo. O veto foi comunicado oficialmente pela organizadora como uma punição pelo descumprimento de regras institucionais.
A decisão significou a saída imediata do time da competição e expôs ainda mais os problemas de gestão da CDS, que já enfrentava críticas da torcida e cobranças por maior fiscalização por parte do clube.
Confira a nota do Corinthians na íntegra
"O Sport Club Corinthians Paulista comunica que não mantém mais qualquer vínculo contratual com a empresa CDS E-Sports e Entretenimento Ltda., anteriormente detentora dos direitos de licenciamento da marca do Clube para competições relacionadas ao segmento de esportes eletrônicos ("E-Sports").
Dessa forma, o Corinthians esclarece que, no momento, não possui equipe oficial de e-Sports em atividade. Ressalta-se, ainda, que nenhuma organização, empresa, atleta ou grupo está autorizado a utilizar o nome, a marca ou qualquer símbolo oficial do Clube, inclusive para inscrever equipes ou atletas em competições de quaisquer modalidades de E-Sports, salvo mediante prévia e formal autorização do Corinthians.
Por fim, o Corinthians reforça seu compromisso permanente com a transparência, a integridade de suas relações institucionais e a proteção de sua marca e de sua Fiel Torcida."