O Corinthians foi procurado nos últimos dias por uma empresa do ramo de bets esportivas e recebeu uma proposta para desenvolver a própria casa de apostas do clube, que levaria o nome de “Timão.Bet”. A oferta inicial prevê um contrato de patrocínio máster de R$ 453 milhões por três anos (R$ 151 milhões por ano), além de 3% sobre o lucro da operação por meio de royalties.
A informação foi publicada inicialmente pelo UOL Esporte e confirmada pelo Meu Timão. Como soube a reportagem, em um eventual acordo, o Corinthians teria controle integral da marca. Internamente, o clube analisa a proposta e encaminhou a abordagem ao setor de compliance. Os membros do órgão fiscalizador avaliam a empresa e o grupo responsável pela operação, mas ainda há receio devido à falta de lastro da bet, licenciada somente neste ano e pouco conhecida no mercado. A companhia também foi citada na CPI das Bets no Senado, no início de 2025.
Casos recentes envolvendo empresas como Taunsa e VaideBet também deixam o Corinthians mais cauteloso em firmar novos acordos com marcas de reputação ainda incerta.
Apesar disso, a operadora sinalizou que está disposta a aumentar a oferta. Uma nova proposta deve elevar o valor total para R$ 720 milhões (cerca de R$ 180 milhões por ano) em um contrato de quatro temporadas. A expectativa é que o clube receba essa atualização nos próximos dias. Além do aumento, a empresa manifestou interesse em cobrir eventuais propostas de outros patrocinadores máster. Enquanto aguarda a nova oferta, o clube do Parque São Jorge negocia a renovação do vínculo com a Esportes da Sorte, atual patrocinadora principal do clube.
Segundo a empresa interessada na parceria com o Timão, seu modelo evita práticas de marketing de emboscada, nas quais companhias buscam exposição por curto prazo e rompem o acordo logo após obter visibilidade. O projeto também promete maior transparência financeira, garantindo ao Corinthians acesso integral aos números da operação, o que facilitaria futuras renovações ou negociações.
Para além da operação da casa de apostas, o plano inclui campanhas e ações de marketing exclusivas para o clube e seu público. A proposta prevê ainda até R$ 220 milhões em bônus adicionais, além dos valores fixos e do percentual sobre lucros. Parte desses gatilhos está vinculada a premiações por títulos, que podem render ao Corinthians até R$ 156 milhões ao longo de quatro anos, distribuídos da seguinte forma:
- R$ 6 milhões por título do Campeonato Paulista;
- R$ 8 milhões por título da Copa do Brasil;
- R$ 10 milhões por título do Campeonato Brasileiro;
- R$ 15 milhões por título da Libertadores.
Há também bônus por classificação à Libertadores:
- R$ 4 milhões em caso de vaga na fase preliminar;
- R$ 8 milhões por vaga direta na fase de grupos.
Outras bonificações menores, vinculadas ao desempenho esportivo, também constam no projeto apresentado pela empresa.
No último balancete financeiro divulgado pelo clube, referente às contas de agosto e setembro de 2025 , o Corinthians informou ter arrecadado R$ 112,55 milhões em patrocínios até aquela data. Para efeito comparativo, somente com a proposta inicial — sem contar os 3% de participação nos lucros e os bônus previstos — o Timão já arrecadaria R$ 151 milhões por ano com o possível novo patrocínio máster.
Atualmente, no acordo com a casa de apostas Esportes da Sorte, o Corinthians recebe R$ 103 milhões por ano, além de bônus e metas. Do total de R$ 309 milhões previstos em três anos no contrato firmado em 2024, R$ 57 milhões foram destinados a um aporte específico para bancar parte dos salários do atacante Memphis Depay , correspondendo a 80% dos vencimentos do holandês, sem incluir bônus e premiações.
Segundo o orçamento apresentado recentemente pelo clube e aprovado pelo C onselho de Orientação (Cori) na última segunda-feira , o Corinthians projeta arrecadar R$ 255 milhões em patrocínios em 2026, representando um aumento de 47% em relação ao previsto para 2025.