"A torcida que tem um time". A festa da torcida do Corinthians durante a vitória sobre o Cruzeiro rendeu elogios de jogadores, adversários e da imprensa esportiva . Ana Thaís Matos, comentarista do Grupo Globo, fez questão de exaltar a Fiel por transformar o Mineirão em ambiente similar ao da Neo Química Arena.
Em publicação nas redes sociais, a jornalista tratou a torcida alvinegra como "um dos maiores patrimônios do nosso futebol". Além disso, destacou que o que ocorreu em Belo Horizonte não foi inédito, cujo cenário se repete mesmo nos cenários adversos dentro de campo como visitante — veja a publicação abaixo.
Ana Thaís Matos valorizou o apoio incondicional durante os 90 minutos, que não se confunde com deixar de tecer críticas aos possíveis maus resultados. A lembrança, segundo o texto, se refere a um dos trechos do hino corinthiano, em que se torce "pelo Corinthians, com muito amor, até o fim".
O contexto da atmosfera ainda teve ares dramáticos horas antes de a bola rolar. Como mostrou o Meu Timão, diversos torcedores tiveram voos cancelados para a capital mineira devido ao mau tempo em São Paulo. No entanto, as 3,2 mil entradas foram esgotadas e ganharam até mesmo agradecimento do Corinthians pelo apoio.
A comentarista ainda criticou o tratamento às torcidas por parte de federações e autoridades, casos dos jogos únicos na Libertadores e na Copa do Brasil, que vai adotar final única em 2026. A preocupação com o "produto" tem diminuído "a possibilidade de fomento da cultura de arquibancada", de acordo com a publicação. A própria Gaviões da Fiel, nesta quinta-feira, foi punida de adentrar estádios de São Paulo em decisão originada de um pedido do Ministério Público de SP, por meio da promotoria do Juizado Especial Criminal da Capital (Jecrim) .
"Enquanto o torcedor de futebol no Brasil puder ser só torcedor de arquibancada, noites como a de quarta-feira no Mineirão ainda existirão, mesmo reconhecendo que a energia de ontem só uma torcida faz", finalizou a jornalista.
A Fiel se prepara para a festa na Neo Química Arena em busca de empurrar o Corinthians rumo à final, após triunfo por 1 a 0. O jogo decisivo será no próximo domingo, dia 14, às 18h.
Confira o texto na íntegra
O futebol brasileiro tem estado tão limitado em pautas sobre dinheiro, gramado e desgaste físico que todos nós acabamos esquecendo as bases que sustentam por anos e anos o futebol que vivemos, como a cultura de arquibancada.
O que surpreendeu muita gente na noite da última quarta-feira no Mineirão, nada mais é que um dos maiores patrimônios do nosso futebol: a Fiel Torcida Corintiana. Para o Corintiano algo muito normal, ou seja, em casa absurda, fora de casa só consegue concorrência se o adversário estiver vencendo, é um fato. Pode perguntar pra qualquer corintiano. É sempre assim. Sempre foi. Sempre vai ser.
Essa torcida que carrega esse clube nas costas tem muito tempo sabe torcer! Nas arquibancadas, seja do antigo Pacaembu ou da Neo Química Arena, se aprende que você torce “pelo Corinthians, com muito amor, até o fim”, traduzindo, você torce, depois assiste o jogo, depois vê o resultado do jogo, quem merece crítica, elogio. Mas primeiro você torce, por 90 minutos ou enquanto o jogo estiver acontecendo.
A segurança pública no Brasil odeia torcida de futebol, e infelizmente temos visto cada vez menos a possibilidade de fomento da cultura de arquibancada. Aos poucos uma geração enorme de torcedores sequer vai saber como é disputar uma final na própria casa. Copa do Brasil e Libertadores em campo neutro faz parte dessas aberrações classistas que insistem em tratar o torcedor como consumidor, o futebol como produto, a paixão como capital. A lógica tem sido “se paga caro, você tem que entregar o melhor produto e a vitória, eu quero a melhor experiência” e quando não vem o “melhor produto” não se desfruta do que é a relação tão única que é a paixão por um time de futebol. Muito maior do que vitórias.
Enquanto o torcedor de futebol no Brasil puder ser só torcedor de arquibancada, noites como a de quarta-feira no Mineirão ainda existirão, mesmo reconhecendo que a energia de ontem só uma torcida faz.
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