Apesar da vitória sobre o São Paulo, por 3 a 2, neste domingo, na Neo Química Arena , a arbitragem comandada por Anderson Daronco foi alvo de fortes reclamações da diretoria do Corinthians após o apito final. O motivo da insatisfação foi a decisão de não punir o meia Bobadilla após um gesto interpretado pelo clube como obsceno durante a comemoração do gol de empate do rival, ainda no primeiro tempo .
Após o término da partida, o executivo de futebol do Timão, Marcelo Paz, realizou um pronunciamento no auditório da Casa do Povo e adotou um tom firme ao abordar o lance. O dirigente ressaltou que a manifestação do clube não estava relacionada ao resultado do clássico, mas sim à necessidade de critérios claros da arbitragem diante de episódios semelhantes que já renderam punições recentes a atletas corinthianos.
"Infelizmente falaremos novamente sobre arbitragem, mas é importante pontuar isso hoje, principalmente porque vencemos o jogo. Assim, a fala não soa como desculpa por uma derrota ou por termos sido prejudicados. É uma questão didática sobre o lance do Bobadilla, do São Paulo. O VAR chamou para avaliar um possível ato obsceno, e todos sabem que o Corinthians foi punido com dois jogadores em partidas diferentes por gestos semelhantes. A justificativa de hoje foi que não houve toque na área genital, mas não acho que essa seja a característica que define o ato. Se imaginarmos esse mesmo gesto em uma praça pública ou em um restaurante, ele seria ofensivo. Se não cabe fora do futebol, não deveria caber dentro dele" iniciou.
A discussão sobre gestos obscenos no futebol ganhou força nas últimas semanas justamente por episódios envolvendo jogadores do Corinthians. Na partida contra o Fluminense, pela nona rodada do Brasileirão, o volante Allan foi expulso após colocar a mão na genitália em direção aos adversários. Situação semelhante aconteceu com André Luiz no clássico contra o Palmeiras duas rodadas depois. Ambos acabaram enquadrados no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), receberam a pena mínima do STJD e também foram multados pelo clube.
Ao comentar o caso envolvendo o atleta do time rival, o dirigente reforçou a necessidade de uniformidade nos critérios adotados pela arbitragem brasileira. Mesmo elogiando a experiência e a condução geral de Daronco durante o Majestoso, o executivo afirmou que o Corinthians entende que não pode haver interpretações diferentes para lances semelhantes.
"Acho que a comissão de arbitragem precisa avaliar isso até por uma questão didática. O futebol existe há décadas, mas esse tema do gesto obsceno ganhou evidência agora e talvez ainda não haja uma compreensão exata de como agir. O Daronco é um árbitro experiente e tem todo o meu respeito — inclusive, a arbitragem dele não foi ruim no geral —, mas não podemos deixar esse lance específico passar porque fomos punidos duas vezes recentemente por algo igual. Ou o gesto é permitido no futebol, ou a arbitragem errou hoje. Não existe meio-termo", disse.
Paz também informou que levará o tema para discussão junto à Comissão de Arbitragem da CBF. O executivo revelou que representantes do clube estarão presentes na reunião marcada para esta segunda-feira e defenderão um posicionamento mais claro da entidade sobre situações do tipo, buscando evitar novas divergências de interpretação em jogos futuros.
"Estaremos presentes na reunião de amanhã, como sempre. A comissão de arbitragem precisa reconhecer que houve um erro — o que é compreensível em um tema novo — ou, então, admitir que esse tipo de gesto está liberado. O ponto que trazemos, com muito respeito, é a busca por uma definição. Para o bem do futebol, situações assim precisam estar claras. Os jogadores do Corinthians que cometeram atos obscenos foram expulsos e punidos; no caso de hoje, entendeu-se que não era para punição. Ou houve um erro, ou o que o Bobadilla fez agora é permitido", finalizou.
Cabe destacar que esta não foi a primeira reclamação pública da diretoria alvinegra contra a arbitragem nas últimas semanas. No domingo anterior, o executivo já havia criticado duramente a atuação de Matheus Delgado Candançan após a derrota do Corinthians para o Mirassol, por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro .
Apesar da polêmica extracampo, o Corinthians chegou aos 18 pontos e deixou a zona de rebaixamento do Brasileirão, assumindo a 16ª colocação da tabela. Agora, o time comandado por Fernando Diniz volta suas atenções para a Copa do Brasil. Na próxima quinta-feira, às 19h30, o Timão recebe o Barra, de Santa Catarina, na Neo Química Arena, pelo duelo de volta da quinta fase do torneio nacional.