A bola de neve virou uma avalanche e já está batendo no calcanhar do Corinthians

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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A bola de neve virou uma avalanche e já está batendo no calcanhar do Corinthians

Coluna da Ana Paula Araújo

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A bola de neve virou uma avalanche e já está batendo no calcanhar do Corinthians

Alessandro (gerente), Duilio Monteiro Alves (presidente) e Roberto de Andrade (diretor)

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Já faz um tempo desde que escrevi pela última vez nesta coluna. É que tenho andado sobrecarregada no trabalho, deixei muita coisa acumulada e agora virou uma verdadeira bola neve. Sequer consigo fazer o básico, que é escrever. Sim, para quem cobre o Corinthians diariamente escrever é o mínimo.

Antes até dava tempo porque sempre tinha um coleguinha que me ajudava, sabe? Eu deixava, claro, de fazer o meu trabalho, fazia mais ou menos, empurrava com a barriga, mas como meu amiguinho estava numa fase tão maravilhosa, meu chefe nem percebia.

Porém, esse meu amigo foi embora, até vieram outros que também faziam um bom trabalho e encobriam meus erros. Meu chefe estava realmente muito feliz. Só que esses outros companheiros também se foram e eu fiquei atolada nos meus erros. Foi aí que meu chefe começou a perceber que eu não fazia minha função corretamente. Pelo contrário, cometia falhas infantis que eram encobertas pela competência de outros colaboradores.

O caldo desandou para mim.

Aquela bola de neve que levou anos para se tornar gigante, agora é uma avalanche e está batendo no meu calcanhar. Por algum motivo divino meu superior não tem como me mandar embora e agora preciso muito consertar tudo. Como faço isso?

Bom, para isso eu preciso colocar o serviço em dia. Fazer tudo que estava acumulado para, só depois, pensar em dar upgrade e galgar novos sonhos. Não vou conseguir escrever aqui enquanto não der jeito nisso. O básico não sai do papel se não fizer certos serviços internos.

É triste, mas não tem como consertar rapidamente algo que acumulei por anos.

Estranho eu estar contando um pouco sobre meu trabalho, não? Bom, mas não é sobre mim, na verdade. É sobre o Corinthians.

O nosso clube vem há anos deixando de fazer corretamente o que se propõe.

  • Não paga seus funcionários;
  • Toma processos evitáveis;
  • Acumula dívidas cada vez maiores;
  • Tem o estádio para quitar;
  • Vende e compra jogadores amadoramente;
  • Possui pessoas incapacitadas para cargos importantes dentro da diretoria.

São muitos erros. Erros que nós, torcedores, não percebíamos porque o clube vinha ganhando títulos e mais títulos. Libertadores, Mundial, Brasileiros, Recopa, Paulistas...Foi uma década de glórias.

Glórias que são atribuídas bem mais ao trabalho dos técnicos e jogadores do que da diretoria. Quando essas pessoas saíram, tudo começou a desmoronar.

Eis que a falta de títulos evidenciou todos os problemas e os torcedores, enfim, se tocaram do que era ocultado pela felicidade.

Infelizmente, não tem como sonharmos com levantar canecos nesse momento. O Corinthians precisa se ajeitar internamente.

Tem mesmo que cortar gastos (mas fazer isso realmente) para, pelo menos, não aumentar ainda mais sua dívida. Entretanto, vejo o presidente fazendo uma economia burra. Burra, sim, porque não adianta economizar no elenco e ver a equipe sair de competição atrás de competição perdendo dinheiro de premiações e até, quem sabe, flertando com a Série B nesta temporada. E na que se foi também.

Como diz o pessoal do fórum: caro é cair para a Segundona.

Usar o dinheiro do futebol para pagar o Clube Social é o maior estrago, na minha opinião. Já dei calo no dedo de tanto bater na tecla de que o social tem que se separar o futebol e andar com as próprias pernas.

O clube precisa também aprender a vender e a comprar. No mercado da bola, o Corinthians é chacota.

Além disso, colocar profissionais capacitados para as funções que ocupam. Na sua casa quando estoura um cano, você chama um dentista?

Já cansei de escrever aqui que o problema do Corinthians é estrutural. Chegamos num ponto em que se não começar a resolver o que, de fato, é grave, o básico (jogar futebol) não vai ser realizado com sucesso tão cedo.

É triste, mas é real. O Corinthians não se resolve em campo enquanto não se resolver atrás da mesa onde sentam os senhores engravatados que comandam esse clube.

Eu até ia falar do jogo de ontem, mas não tenho condições de comentar sobre tática quando outro assunto pede maior atenção.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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