Em entrevista exclusiva, meia Pedrinho se emociona e revela premonição do pai

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Em entrevista exclusiva, meia Pedrinho se emociona e revela premonição do pai

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Em entrevista exclusiva, meia Pedrinho se emociona e revela premonição do pai

Pedrinho já entrou em campo 16 vezes com a camisa do Timão

Foto: Daniel Augusto Jr - Agência Corinthians

Pedrinho, 19 anos de idade, é um garoto de ouro.

Não só pelo futebol brilhante dentro de campo, mas também pelas palavras fora dele.

Muito ligado à família, Pedrinho conversou com exclusividade com a reportagem do Meu Timão pouco antes de viajar à Maceió, Alagoas, sua terra natal, pela primeira vez depois que se tornou profissional do Timão.

E o meia começou falando do carinho que tem recebido do torcedor do Corinthians:

Sim, verdade, toda vez que a torcida me pede, me apoia, não só dentro de campo mas nas redes sociais, tudo isso é algo muito grande pra mim. Eu não esperava tão cedo assim, eu que subi pro profissional faz 5 meses, ter todo o carinho, toda essa confiança. Isso só agrega pra poder dar mais confiança na sequência aqui no Corinthians.”

Sobre o fato de ter poucas chances como titular na equipe profissional, diferente do que acontecia nas divisões de base, Pedrinho concorda com a comissão técnica:

Sim. Claro. A vontade de jogar é grande. De poder atuar e pegar um ritmo bom, mas claro que eu entendo bem o que eles querem pra mim. Porque eles não tão pensando só no agora, e sim para o futuro. Para poder me lapidar pro futebol, para poder entender o que é o futebol profissional. E aos pouquinhos eu entrando, vou pegando mais noção de jogo. É claro que a gente sempre quer jogar, mas eu entendo muito bem o que eles querem pra mim, que é para um futuro próximo aí.”

E qual a principal dificuldade em campo?

Não é tanto o contato físico. É mais a resistência de jogo do profissional. Ter que manter a concentração o tempo todo, ligado o tempo todo. Ter que ir marcar, voltar, ir de novo atacar. Essa é um pouco a dificuldade que estou tentando acostumar. Tentar o mais rápido possível conseguir estar em campo marcando e atacando da mesma forma. Acho que é um pouco da dificuldade, mas que com o tempo vou trabalhando.”

Ainda mais jogando no Corinthians?

No Corinthians ainda mais! (risos) O Corinthians tem a fama de ter jogadores com muita raça, da mesma forma que atacar tem que defender! Porque aqui a responsabilidade é de todos, todos atacam, todos defendem. Isso causa mais responsabilidade e concentração. Por isso tem que lapidar pra pegar essa resistência.”

Na parte da entrevista em que fala da família, o jogador chega a se emocionar. Morando longe de casa desde cedo para jogar futebol, Pedrinho estava prestes a ir visitar os parentes em Maceió, sua cidade natal.

Sou de Maceió, Alagoas. Há vários anos eu passo o Dia dos Pais longe dos meus pais. Gracas a Deus teve essa folguinha! São poucos dias, mas cada minuto perto da família é algo bom, que melhora o dia, melhora o clima. Depois que eu estreei no profissional, é a primeira vez que vou pra lá. Sei que tenho o carinho de todos, ainda mais agora. Que bom poder ir pra lá sendo bem falado aqui em São Paulo.”

Por falar no Dia dos Pais, Pedrinho tem uma relação de muito carinho com o pai, Pedro da Silva, de 56 anos de idade, que trabalha como maqueiro em um hospital público de Maceió.

Desde quando eu jogava na base, sempre pensava no meu pai. Ele trabalhava muito, era muito esforçado e eu ficava pensando: será que um dia meu pai vai ver eu sendo o orgulho dele? Será que ele estará presente quando eu puder fazer ele o cara mais feliz? Porque ele sempre quis ter um filho jogador e hoje é muito gratificante poder ligar pra ele, escutar ele falar: ´filho, se eu morrer hoje vou ser o cara mais feliz do mundo!´ Então, isso mostra que ele já me viu um pouco e tenho certeza que ele vai se orgulhar ainda muito mais.”

O meia do Timão fala do dia em que marcou o primeiro gol como profissional, contra o Patriotas da Colômbia pela Copa Sul-americana:

Assim que eu fiz o gol, não conseguia imaginar outra coisa. Eu até ficava falando com minha irmã: será que ele comemorou bastante? Como foi que ele comemorou? Minha irmã depois colocou um vídeo na internet, onde eu vi que ele comemorou bastante com a minha mãe. Vibrou mesmo, meu pai sempre foi um cara emocional, ele sentiu como se ele mesmo tivesse feito o gol e ele ficou bastante emocionado mesmo.”

Pedrinho revelou ainda na entrevista uma premonição feita pelo pai quando ele era apenas mais uma criança que gostava de bater bola em Maceió:

Meu pai sempre me falou, quando eu quebrava as coisas dentro de casa, que um dia eu ia poder retornar pra minha mãe o que eu tinha quebrado. Desde pequeno, com 7, 8 anos, eu ficava jogando bola dentro de casa. Aí quando eu quebrava as coisas, minha mãe ficava brava, falava: `não menino, você fica quebrando tudo!´ Aí meu pai chegava do trabalho, e sempre falava: `relaxa, no futuro ele vai devolver tudo pra nós.´ Eu quebrava quadro, chutava bola no rádio, na TV (risos), mas meu pai sempre falou que eu ia poder dar tudo de volta para ele. Hoje ele conta essa história e a gente ainda dá risada. Mas tenho certeza que com fé em Deus vou chegar ainda muito longe, claro que com pés no chão, humildade, sabedoria. Porque se Deus me colocou aqui, não foi à toa. Então eu acho que tenho muito pra trabalhar ainda, muito pra crescer e poder chegar num nível mundial com o futebol.”

Veja mais em: Pedrinho.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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