Dez pontos dos quais Sylvinho merece ser criticado (e alertado)

Rodrigo Vessoni

Formado pela FIAM, trabalhou na Rádio Transamérica e, por 12 anos, no LANCE!. Neste momento, também é repórter da Rádio 9 de Julho, SP (AM 1600). Participa ainda, quando chamado, de programas na TV.

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Dez pontos dos quais Sylvinho merece ser criticado (e alertado)

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Dez pontos dos quais Sylvinho merece ser criticado (e alertado)

Sylvinho está sendo cornetado por parte da torcida do Corinthians nas redes sociais

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

O Corinthians não perde há sete jogos, mas empatou os últimos três (Juventude, Atlético-GO e América-MG), sendo dois deles na Neo Química Arena. A última imagem da torcida, com justiça, é ruim. E a corneta nas redes sociais soa forte contra o técnico Sylvinho.

Há atenuantes, como a falta de condicionamento físico dos reforços devido à inatividade. Por isso não penso que a demissão de Sylvinho seja a única saída. Mas há muito o que melhorar. Falamos nas redes sociais, nas lives do canal do Meu Timão no Youtube, em grupos de WhatsApp com amigos, mas resolvi colocar tudo em um único texto.

Abaixo, dez pontos dos quais Sylvinho merece ser criticado e, por que não dizer, alertado para refletir e tentar melhorar pelo bem do Corinthians. Vamos aos pontos:

  1. Num futebol tão físico, de jogadores com tanta intensidade em todas as posições, morrer com substituições me parece um erro. Contra o América-MG, Sylvinho morreu com duas trocas. Custava ter colocado Mantuan na vaga do Jô no fim? Por que não colocar Piton na vaga de Fábio Santos no segundo tempo? E Xavier na do Gabriel? Seriam trocas muito ruins? Atrapalharia a dinâmica do time? Claro que não. Sylvinho precisa refletir, já que todos seus adversários usam as cinco e revigoram seus times durante o segundo tempo.
  2. O Corinthians tem jogadores técnicos e muito bons do meio pra frente. Ou você é protagonista permanente do jogo, ficando com a bola e empurrando o adversário desde o campo dele, como faz o Flamengo, ou você dá sustentação defensiva para que esses jogadores precisem marcar o menos possível e tenham fôlego para atacar. Sylvinho não está fazendo nem uma coisa nem outra. Ou coloca alguém ao lado do primeiro volante pra deixar os demais respirarem ou coloca o time mais à frente.
  3. A equipe precisa ter alguma variação durante o jogo. Nem que seja quando está atrás do resultado. Contra o América-MG, por exemplo, por que não tirar o Gabriel e colocar o Cantillo pra ter uma saída de jogo com mais qualidade já que o adversário estava todo atrás? Por que não tirar Jô, colocar Guedes na referência e colocar Mantuan pelo lado? Por que não tentar dois homens juntos na referência?
  4. Fagner é um dos melhores e mais regulares jogadores do Corinthians e do futebol brasileiro há anos. Cumpre bem seu papel atrás e sempre foi uma força ofensiva no apoio. Com Sylvinho, desde o início, passou a subir pouco. Isso precisa ser revisto, ainda mais com Willian à frente pelo lado direito. Uma dupla que tem tudo para fazer barulho do meio pra frente. É preciso soltá-lo, cobrá-lo e incentivá-lo.
  5. Há uma clara demora na leitura do jogo, das virtudes do adversário e dos defeitos do seu time. O Corinthians sofreu com o Grêmio no primeiro tempo. O mesmo ocorreu com Juventude e América-MG (principalmente nos 15 minutos iniciais). Contra o Flamengo ficou claro desde o primeiro minuto que, devido à maneira de jogar dos cariocas, Jô não pegaria na bola. E não pegou mesmo. Sylvinho e seus auxiliares precisam fazer essa leitura mais rápido. O time quando acorda, muitas vezes, já é tarde demais pra virar o jogo.
  6. O calendário está tranquilo para Fábio Santos. Mesmo com 36 anos, ele está conseguindo atuar em todos os jogos, já que são compromissos apenas aos finais de semana. Mas isso não significa que seja obrigatório ele ficar os 90 minutos em campo. Por que não colocar Piton no segundo tempo de alguns jogos? O jovem não entra em campo há quase 90 dias. O Fábio mereceu ser intocável a esse ponto nos últimos três meses? Claro que não. Por que não colocar o Piton para ter mais força ofensiva, principalmente quando está atrás do resultado?
  7. Correr risco faz parte. Da nossa vida, da nossa profissão. Um treinador precisa correr risco, mesmo que isso possa resultar numa derrota. Quando o adversário é pior do que você, a busca deve ser pela vitória e não pela manutenção da 'não-derrota'. Sylvinho precisa correr mais riscos durante os jogos, mesmo que isso possa acarretar na derrota. O Corinthians tinha de ganhar do América-MG em casa e o treinador deveria agir pra isso. Tite chegava a tirar zagueiro para colocar Ralf na zaga e abrir espaço no meio pra alguém mais ofensivo. Carille tirava o primeiro volante, trazia o segundo pra função e colocava outro à frente.
  8. A torcida viu os quatro grandes reforços chegarem e, com toda justiça, já imaginou um Corinthians jogando bem. Esse é o papel mesmo do torcedor. Mas Renato não jogava há oito meses, Guedes há nove meses, Willian há quatro e Giuliano há cinco meses. A torcida precisa ter esse entendimento. Mas isso só acontecerá se o treinador vir a público de maneira mais clara, sem rodeios ou meias palavras. Sylvinho, para evitar qualquer desgaste com seus comandados, ainda não passou a real à torcida.
  9. O calendário do Corinthians está com poucos jogos. Basicamente, um por semana. O time chegou a ficar dez dias sem jogar recentemente. Há jogadores que precisam pegar ritmo de jogo, como Renato Augusto, Willian e Guedes. Outros quase não conseguem jogar, como Araos, Raul Gustavo, Piton e Mantuan. Sylvinho deveria pensar em repetir o que Tite e Mano faziam bastante, que eram os jogos-treinos no CT com times pequenos do interior paulista. Isso colocaria os jogadores em atividade e ritmo de competição.
  10. Sylvinho foi anunciado pelo Corinthians há 120 dias. São quatro meses sem dar uma única entrevista coletiva no CT durante a semana, daquelas que o treinador tem a chance de se comunicar com o torcedor para explicar seus pontos, analisar seus jogadores e expor suas ideias. As coletivas são apenas pós-jogos. Isso deixa Sylvinho cada vez mais distante do torcedor. E precisa ser repensado. Por ele e pela diretoria.

Veja mais em: Sylvinho e Diretoria do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Rodrigo Vessoni

Formado pela FIAM, trabalhou na Rádio Transamérica e, por 12 anos, no LANCE!. Neste momento, também é repórter da Rádio 9 de Julho, SP (AM 1600). Participa ainda, quando chamado, de programas na TV.

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