O círculo vicioso de Carille

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Vinicius #783 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 06:04

Primeiro é preciso deixar claro que empate na casa do adversário é sempre bom resultado. Indiscutível. Contudo, o desempenho do Corinthians é passível de críticas e precisa melhorar. Para isso Carille precisa revisar alguns pontos nesse esquema dele.

Nem é preciso ser um expert para notar que é uma ideia ruim forçar o 4-2-3-1 ou o 4-1-4-1 com as peças que o Corinthians dispõe hoje. Do jeito que são usados, são formações que parecem irmãs gêmeas. Nem dá para saber onde uma começa e outra termina. Exigem do elenco uma preparação física absurda para correr de uma grande área a outra, graças à mentalidade defensiva (lê-se retranca). Algo que resulta em três pontos: SOBRECARGA DOS PONTAS, a responsável geração da BAIXA PRODUTIVIDADE OFENSIVA, que é mãe da ESCASSEZ DE GOLS.

Um círculo vicioso digno da espiral da OGX, que foi da ascensão astronômica à queda vertiginosa graças à teimosia do próprio CEO, Eike Batista. Mas será que Carille entende de gestão empresarial?

Provavelmente não. E vamos a outros três pontos que exemplificam isso.

1- É IMPORTANTE OUVIR E ENTENDER O AMBIENTE

Coisa que nosso técnico provou por A + B que nunca esteve disponível em fazer. Defende suas peças preferidas e mantém sua estratégia que se resume em defender no primeiro terço do campo a qualquer custo. Não é novidade e não entraremos nesse mérito. No entanto, essa retranca passa a falsa sensação de solidez defensiva. Como é possível notar na imagem a seguir, há furos nesse queijo.

Nove jogadores do Timão estão dispostos, como sempre, em duas linhas de marcação dentro de uma faixa de 12 a 13 metros a frente da grande área.

Por sua vez, quatro jogadores colorados participam ativamente do lance. Três deles como opções viáveis de passe. Outros três apoiadores estão posicionados um pouco atrás, completamente livres de marcação. Na continuidade, Nico López recebe o passe de D'Alessandro e mete um peito de pé para fora. Se ele 'chapa' a bola no canto direito de Cássio era caixão e vela. Azar o dele, sorte nossa.

Não foi a primeira vez que vimos isso. Nem será a última nesta temporada. Quando não falta qualidade no arremate, sobra qualidade em (São) Cássio. Mas ele é humano. Passível de falhas, como contra o Flamengo. Assim como Gil, que resolveu muita coisa na zaga mas um certo Michael (que não nenhuma Brastemp) já mostrou o caminho para anulá-lo.

2- RECONHEÇA LIMITES DA EQUIPE E PROPONHA DESAFIOS QUE POSSAM SER CUMPRIDOS

A principal opção ofensiva do esquema de Carille é partir em um contra-ataque pelos flancos. Com a bola no pé, o time toca de lado e para trás à exaustão. Pragmatismo puro.

A causa está na ausência de armadores no meio-campo, que é povoado por dois pontas (sofredores), um cabeça de área, um segundo volante e um central. Os dois últimos utilizados como distribuidores de jogo. Caras que estão lá para entregar a bola aos pontas durante a transição. Nada além. Não possuem o necessário para encarar defesas adversárias armadas e abrir espaços pelo meio. Qualidades existentes nos meias de ofício (Jadson, Matheus Vital e, até mesmo, Régis).

Não é à toa que se espera dos pontas velocidade, habilidade, improviso, profundidade, infiltração, assistência e arremate. Tudo executado com perfeição. É muito. Sobrecarrega Pedrinho e Clayson. Ocasionalmente Everaldo e Ramiro. Eles jogam, cada um, em uma extremidade do campo. Não se comunicam a menos que haja um evento muito extraordinário em campo que os leve a trocar dois passes suficientes para uma mísera tabela. Sem contar que precisam marcar o lateral adversário até a linha de fundo do próprio campo, como Clayson fez no lance destacado acima.

Com uma bigorna nas costas, os pontas precisam do apoio dos laterais. É por isso que Fagner está para o Corinthians tal qual Arrascaeta está para o Flamengo e Messi está para o Barcelona. Algo que não deveria acontecer, já que Fagner é defensor.

...não esqueçamos que Avelar está para o Corinthians tal qual um tumor está para um enfermo.

3- ANTECIPE-SE AO PROBLEMA COM SOLUÇÕES VIÁVEIS

Nesse esquema é impossível ser (e ter) um centravante no Corinthians. Quem está nessa função transforma-se em uma ilha, geralmente de costas para o gol, que precisa armar a jogada para ele mesmo finalizar ou quem sabe tentar um passe (espírita) para quem chega de trás. Não dá. Presa fácil, como mostra a imagem abaixo.

É preciso notar que os três apoiadores se apresentam ao ataque ainda em linha. Ou seja, atacam exatamente como defendem. Ombro-a-ombro. Love fica sem opções de passe próximas a ele. Motivo para Junior Urso (!) avançar além da conta e preencher um espaço que não lhe compreende. Espaço que deveria ser povoado por Clayson, Pedrinho ou Sornoza.

Identificado o problema, a solução para haver o mínimo de articulação é um falso 9 centralizado que faça o pêndulo na entrada da área. O elo entre os pontas de pés trocados (ainda por cima), que avance junto e recue com o bloco ofensivo, evitando isolamentos e impedimentos.

Carille sabe disso (pasme) e tenta com Vagner Love resolver essa falta de compactação no ataque. Love também tenta ser 'o cara' para isso mesmo ciente de que lhe falta o necessário para tal. Velocidade, qualidade técnica e fôlego, principalmente. A realidade é dura.

Como o time defende em duas linhas, não existe compactação ofensiva quando a bola é roubada. Só correria mesmo. O 'frente' do ataque não passa de uma figura decorativa à espera de um milagroso passe. Errando ao tentar acertar, errando ainda mais quando tenta se redimir.

Para completar o quadro bizarro, já que está sem ter o que fazer em sua função, o cara tenta colaborar em outra. Quase sempre dá em m*. A exemplo do próprio Love, que acabou como último homem de marcação na jogada que resultou no gol sofrido contra o Palmeiras. Ou das inúmeras vezes em que Boselli foi expectador de luxo. Não diferente de Gustavo, apesar do abismo de aproveitamento entre eles.

Passa a régua e saudações corintianas!

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Maurício Alexandre Agostinho @mauricio.alexandre.a em 12/08/2019 às 18:05

Time que quer ser campeão tem que jogar pra vencer seja em casa ou fora!

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Digão Pereira #6.348 @digao994 em 12/08/2019 às 18:02

Que tópico sensacional! É isso aí, volta Cristóvão Borges, esse Carille aí não tá com nada! Kkkkk Ah bicho, o cara quer transformar um empate fora de casa em padrão de jogo... Pelo amor de Deus, o Carille vai acabar ganhando a sulamericana e terminar o Brasileirão no G-4 e vocês ainda vão estar aí cornetando... Mas vamos lá, Vinícius, fala aí quem seria O CARA para comandar hoje? O Mano Menezes? Hahahahahah

Caio Seixas Pires #3.771 @caioseixas em 12/08/2019 às 17:58

Lembrando que o Corinthians tem sim um armador em campo, é o Gabriel, toda hora o Sornoza entrega a bola pra ele, ou seja, toca pra trás, e quem faz o time andar é o Gabriel kkkkkkkkkkkk, parece piada, mas é a triste realidade.

Guilherme Nesta Marley #8.769 @guilherme.nesta.marl em 12/08/2019 às 17:45

KKKKK melhor que o Caio Ribeiro tu é

Vinicius #783 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 08:42

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Quadro tático do GE só se me pagarem, Guilhermão. E o passe é alto.

Fabio Vai Corinthias #6.615 @timoroxo em 12/08/2019 às 17:43

O time até tentou jogar mais a frente contra o inter no primeiro tempo, mas errando e perdendo tanto a bola do jeito que fizeram não da certo, fora que os jogadores estavam sem pegada, não conseguiam tomar a bola com a marcação mais avançada e acabavam tendo que correr atrás do time do Inter

Diogo Bm #2.040 @diogo.brito2 em 12/08/2019 às 17:42

Belo tópico, Vinícius!

Fabio Vai Corinthias #6.615 @timoroxo em 12/08/2019 às 17:40

Concordo, futebol ofensivo é movimentação, jogadores próximos para triangulações e tabelinhas, sem aqueles chuveirinhos que fazem direto e acabam deixando a bola sobrar para o adversário

JEFERSON #90 @jefferson.rulez em 12/08/2019 às 17:21

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A verdade e que o Carille não tem muitas ideias e soluções ofensivas, ele sempre foi treinador de defesa como auxiliar.

Ofensividade passa muito mais que ter um meia armador (que é o ideal mesmo) mas sim em movimentação (como Tite dizia jogo apoiado) sempre quem ter a bola ter duas opções de passe.

Quando clayson e Pedrinho por exemplo pegam a bola mal tem 1 cara pra passar a bola e por isso prendem.

Ivanildo Vieira Costa #118 @cajueiro em 12/08/2019 às 17:36

Resumo perfeito!

Douglas Fernando Silva #48 @dougnando em 12/08/2019 às 17:31

Isso que é análise kkkkkk

Tiago Rodrigues #7.619 @tiago.rodrigues23 em 12/08/2019 às 17:24

Amigo ótimo tópico, quer um exemplo sobre isso. Atlético de Madri, Veja o posicionamento dos dois primeiros amistosos das temporada agora, já com o João Félix no meio. Pasmem é exatamente da forma em que o Timão vem jogando, digo da forma em que se desenha para atacar e defender. Veja hoje, nos dois últimos amistosos, a tática funcionou, sabe porque... Ele deu liberdade criativa para o meio campo dele. É o João Félix atua mais como meia do que atacante, no atlético. Porém faz muito gol dentro da área. Acho que o Carille tem que dar está moral para o Pedrinho ou para o Vital, porque com Sornoza não dá não viu, time tá retranqueiro demais com ele em campo. Minha sugestão é não mexer no sistema tático, sim dar liberdade para o Pedrinho