Para começo de conversa, balanço é um documento oficial e legal, tanto que seus autores e todos que o assinam podem responder pelas informações ali contidas perante a justiça. Não é uma brincadeira e, muito menos, uma peça de ficção. É coisa muito séria. Naturalmente, partimos todos do pressuposto que os números dos balanços são verdadeiros e são com esses números que os analistas trabalham. Pois bem, apesar disso há sempre muitas nuances a cada nova safra de balanços. Cada um é feito e apresentado ao público de um jeito, com uma “cara” própria. O título deste post emprega o vocábulo “enganadores” no sentido simples de levar o leitor, o torcedor, a um engano em relação à realidade. A ter uma visão que não corresponde à realidade. Outras conotações não se aplicam. A tabela abaixo mostra as receitas de alguns de nossos clubes. Um clube aparecerá duas vezes, não estranhem:
Vamos, agora, aos asteriscos e às explicações sobre as diferentes receitas.
* Valor com Bilheteria estimada e Valor sem Bilheteria, conforme Balanço O Corinthians não está lançando em seu Balanço as receitas com bilheteria, que são integralmente repassadas (o valor líquido delas) para o pagamento da construção da Arena Corinthians. ** Receita sem comissões de agentes e participações em direitos econômicos Esse é o valor expurgado da participação de terceiros (clubes, investidores) em Direitos Econômicos de atletas transferidos, assim como de comissões pagas para agentes e intermediários. Em alguns clubes o montante é pequeno, em outros não é discriminado no Balanço. E, em outros, os valores correspondentes são muito elevados, daí a conveniência desse destaque informativo. *** Receita Operacional real, sem Transferências de atletas e sem área Social Essa é, ou deve ser, a receita real, a receita com a qual clubes de futebol podem e devem contar e é, igualmente, a receita pela qual eles devem ter suas gestões e performances avaliadas. Ela compreende três grandes blocos de receitas: - Direitos de Transmissão - Marketing, Propaganda & Licenciamento - Bilheteria e Sócios-Torcedores Receitas referentes às áreas sociais ou de esportes amadores não devem (ou não deveriam) se misturar com as receitas do futebol. E receitas com transferências de atletas devem ser analisadas à parte e, idealmente, utilizadas somente para aquisições de direitos federativos e formação de jogadores, havendo sobras.
O “caso” Corinthians: A dura vida sem Bilheteria
O clube aparece duas vezes na tabela, uma em 1º lugar, como o dono da maior receita total do Brasil, e outra como dono da 5ª maior receita total. Por que essa diferença?
Em seu balanço o Corinthians não contabilizou as receitas com a Bilheteria de seus jogos, a exemplo do que já fora feito em 2014, parcialmente. Isso ocorre porque toda essa receita é encaminhada para o Arena Fundo de Investimentos Imobiliários, que foi criado pelo clube e pela construtora para responder operacionalmente pelo pagamento da Arena Corinthians. Tudo certo, tudo muito bom, mas, dessa forma, a realidade fica falseada. Primeiro, porque o valor da receita indica o quanto cada clube conseguiu gerar em dinheiro durante o ano. E a Bilheteria dos jogos é fundamental para isso, é uma das pernas do tripé que compõe a Receita Operacional, como já vimos mais acima. Segundo, porque o dinheiro entra no clube, foi gerado pelo clube, foi gerado pela atividade básica do clube, que é o futebol. Terceiro e mais importante: esse dinheiro não evaporou. Não foi para Vênus, Marte, Suíça ou Cayman Islands. Nada disso: ele foi usado para pagar a construção do estádio do clube. O estádio do clube é um bem do clube, é um patrimônio do clube. Não está pago, vai demorar para isso acontecer, mas um dia acontecerá e ele será integrado ao patrimônio. Ora, diz o bom senso de quem está acostumado com a “conta de padaria” e não com sofisticadas operações contábeis, que pau é pau e pedra é pedra. Assim sendo, pensando na “conta de padaria” corintiana, o correto seria lançar a receita de bilheteria no balanço, para que o torcedor, para que os demais clubes, para que o mercado, para que a sociedade e todos, enfim, conheçam a situação do clube ano a ano. Sociedade? Sim, sociedade, que pode também ser chamada de povo. Porque o Corinthians, como qualquer clube ou empresa, bem como o governo, precisa prestar contas do que ganha ou perde para a sociedade, principalmente quando é beneficiário de diversos favores fiscais concedidos por essa mesma sociedade, sem contar o uso de dinheiro de bancos estatais para a obra. Podem chamar a isso de Transparência.
O valor (estimado) da bilheteria corintiana
Considerando as competições de que participou o Corinthians em 2015, este OCE estimou a receita de bilheteria do clube em R$ 68,3 milhões. Outras estimativas apontam para valores ao redor de R$ 72 milhões, mas optei por ser mais conservador. A confusão fica maior ainda porque o valor repassado ao Arena Fundo é o correspondente à Receita Líquida de cada partida, ou seja, sem as taxas de federações e arbitragens, sem impostos e sem os custos de manutenção do estádio. Independentemente do arranjo feito para o pagamento do estádio, esse dinheiro foi arrecadado pelo clube e deveria constar em seu balanço. Ele dá a real dimensão da capacidade corintiana em gerar receitas e, por conseguinte, conseguir pagar parte da dívida do estádio. Dessa forma, mesmo com a estimativa conservadora de R$ 68,3 milhões de Receita Bruta de Bilheteria, o Corinthians fica em 1º lugar no ranking de receitas. Sem essa receita, cai para a 5ª posição no ranking de maiores receitas de 2015.
A CONMEBOL, apesar de tudo que vem acontecendo, continua amante das caixas-pretas e não libera as súmulas das partidas da Copa Libertadores. Lamentavelmente. É essa ausência de transparência que leva à necessidade de estimar a receita de bilheteria dos clubes participantes que, igualmente amantes das caixas-pretas, tampouco divulgam esses dados. Para que informar o torcedor se não houver obrigação para isso? Essa é a tônica.
Outro ponto lamentável: na madrugada de hoje, dia 4 de maio, ainda há sites oficiais de grandes clubes sem o correspondente Balanço de 2015, casos, por exemplo, de Corinthians e Internacional. O balanço corintiano pelo menos está disponível no site da Federação Paulista de Futebol. Meno male...
Desculpe...sou novo...não soube colar a tabela,
Mas não adianta o Lance...UOL...vir com notícias de que estamos nos ´´ apequenando ``.
Excelente post mas o Timão não joga a arrecadação da bilheteria como não joga a divida da arena se jogarmos a divida da arena seremos o clube que mais deve no Brasil e o que mais arrecada então uma mão lava a outra
Em qualquer dos cenários apontados, a diferença entre o Corinthians e os demais não parece significativa, o que é preocupante. Ou seja, mesmo que entrasse o dinheiro da bilheteria, não teríamos condições de dar o ''grande salto adiante'', que eu preconizo e reputo como o maior interesse estratégico corinthiano, a médio e longo prazo. Portanto, parece-me indispensável que se venha a agregar receita, ao nosso balanço, além de reduzirmos despesas, especialmente para figurarmos melhor no item ''receita total líquida'', de acordo com os seus indicadores. De qualquer forma, parabéns pelo levantamento e quadro comparativo!
Não defendo e JAMAIS defenderei ninguém. Mas até que se prove alguma coisa não devemos dar ´´ IBOPE `` a nossa SÁBIA IMPRENSA. Até agora nada foi provado e nós caímos na isca da IMPRENSA e vamos dando corda a eles. Xingar...acusar é bobagem! Até que se prove o contrário...dai sim...é exigir JUSTIÇA!
O time vem cumprindo suas obrigações com salários em dia...vem contratando..Agora imaginemos este Clube com a Bilheteria em suas mãos? !? !? !? Ai SIM poderão dizer em ESPANHOLIZAÇÃO! Porque teremos uma receita a ser trabalhada, muuuuuito maior que os demais clubes.