Como Xavi, ex-Barcelona, pode ajudar o Corinthians?

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Tópico Lendário Entenda as regras

Nelson #11.741 @eferim em 17/01/2018 às 16:48

Boa tarde, amigos corinthianos,

Hoje à tarde tomei um tempo para ler uma entrevista que o Xavi deu ao El País contanto um pouco da visão dele sobre futebol. Foi inevitável, para mim, traçar um paralelo das ideias dele com a filosofia do nosso Corinthians no último ano. Vejam:

Falando acerca do papel do Guardiola para o futebol, Xavi diz:

“Uns copiaram isso e outros foram a antítese, que é Diego Simeone. Aqui estão jogadores com talento como Koke que ficam fechados atrás, reduzindo espaços, tentando bloquear as superioridades. O futebol explodiu no físico e na tática. Agora o que falta é explorar a técnica, entender o porque as coisas acontecem, como atacar. Esse é o talento! E não está suficientemente desenvolvido. Porque no futebol do mais alto nível há mais Simeones que Guardiolas. Você vê isso na Premier League: que equipes jogam como Guardiola? Três? Quatro? E que times jogam como Simeone? Que te dão o domínio do jogo? Uns 70%. A desculpa destes treinadores é: ‘É que eu não posso competir contra o City ou o Barcelona’. Mas é o mesmo que fazem contra o Leganés!”

Gostaria de destacar esta última parte, em que ele fala da maneira de jogar que implantamos no brasileiro do ano passado (de deixar a bola com o adversário). Embora ela tenha funcionado muito bem, vide os jogos contra os Porcos, nós acabávamos repetindo a mesma fórmula em jogos onde ela era desnecessária (caso do jogo contra Vitória). Essa visão dele é muito esclarecedora: em jogos desse tipo, onde os times já tinham o entendimento do nosso esquema tático, nosso time simplesmente não conseguia furar a barreira adversária para marcar gols.

Sendo assim (e pensando nesse ano), com um esquema 'manjado', como faremos para jogar com equipes que tem um meio campo mais criativo atualmente (como é o caso da Crefisa e do Cruzeiro), vamos simplesmente nos defender? Fazer com que Romero, e agora o Clayson, fechem NOSSO campo de defesa em marcação? Dar espaço no campo de ataque, como disse o Balbuena em entrevista no Bem Amigos?

O próprio Xavi responde essa:

''Certo, vou deixar a bola e só correr atrás’. [Não é assim] Falta explorar o domínio de jogo. Ter mais atrevimento. Se jogo contra o Barcelona o que mais quero é tirar a bola deles. A questão é: como me defendo do Barcelona? Como Paco Jémez [técnico do Las Palmas]: vou adiantar a pressão na saída de bola deles. Se você der campo, Ter Stegen joga com Piqué, Piqué sobe ao meio-campo, e para mim é morte anunciada.'

Vejam, não estou comparando Parmalat com o Barcelona, longe disso, o que quero mostrar é isso: será que algum dia o nosso time terá esse atrevimento de querer ter mais a bola do que se desfazer dela? Ter novamente aquela ousadia de ditar o ritmo de jogo que tivemos no brasileiro de 2015 em vez de entrincheirar-se atrás por 90 minutos?

Pelo que vimos na FL CUP, o Corinthians vai usar um 4-1-4-1. O meio, agora com Jadson mais centralizado, conta com Rodriguinho, Romero à sua direita, e Clayson à esquerda. Juntos, formam um bloco firme, que, sem a bola, pode pressionar muito desde o apito inicial a fim de impedir o avançar e trocas de passes de outras equipes, conseguindo roubadas de bolas, criando chances e marcando gols (o que dificilmente ocorrerá se optarmos por apenas nos retrancar e defender o placar). Obviamente esse pique é impossível durante todo o jogo. Mas se vamos no predispor a marcar, que seja uma marcação à frente, que force o erro do adversário, não uma no campo de defesa, que atraia o inimigo para próximo na área (sabemos das deficiências do Timão na bola aérea).

Para terminar, Xavi diz:

'Eu me pergunto: como defendo melhor? Me dê a bola. O adversário já não pode mais te atacar. Precisa primeiro roubar a bola de você. E se ainda por cima lhe rouba e está a 70-80 metros do seu gol, então a conclusão é clara. O mais seguro é ter a bola no campo do adversário. Por isso não entendo treinadores que dizem: “Vamos jogar no nosso próprio campo”. Atualmente, a única equipe do mundo que tenta dominar o jogo até o último minuto, seja qual for o placar, é o Manchester City.'

Não ceder a bola para o adversário talvez seja o maior ímpeto ofensivo que possamos ter. E é isso que o Xavi tem a ensinar para o Corinthians.

Para quem quiser conferir na íntegra, o link é esse: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/08/deportes/1515368650_150263.html https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/08/deportes/1515368650_150263.html brasil.elpais.com

(Também tem uma ótima forma de analisar as categorias de base na entrevista, mas não vou entrar nessa questão.)

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Lucas Inacio #1.230 @lucas.inacio3 em 17/01/2018 às 17:45

Os 2 que negativaram são porque sabem que em um esquema desses o Romero tá de fora kkkkkkkkkkkk

O paraguaio é o exemplo claro que deu muito certo no estilo de jogo do ano passado, mas um time com essas características do tópico ele não tem onde jogar.

Tanto que em 2015 o Tite usou ele poucas vezes.

Everton Gomes #166 @ton1982 em 18/01/2018 às 14:05

Esse cara é um iluminado sobre conhecimento futebolístico.

Eu li na internet que com 5 anos de idade, jogando com os meninos da sua faixa etária ele ficava no meio do campo. É normal os garotos dessa idade correr atrás da bola sem nenhuma noção de posicionamento e tática. O pai dele perguntou: 'Por que você não vai lá onde está a bola junto com os outros? '

Xavi respondeu:

'Se eu sair daqui, a bola não chega lá na frente'

O cara nasceu pra ser jogador de futebol mesmo. Um garoto de 5 anos de idade falar isso, é porque nasceu com um dom!

Últimas respostas

Laercio Doneda #601 @timao.pr em 18/01/2018 às 20:22

Treinamentos...somente assim sabera o que fazer com ela,

Adriano #6578 @adriano.corinthiano em 18/01/2018 às 19:46

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Sim, mas e se o time que tem a posse da bola não sabe o que fazer com ela, recua a toda hora, os jogadores dão lançamentos desnecessários e se preocupam em fazer gol através dos erros adversários e não com sua própria iniciativa? Qual seria a solução?

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Adriano De Oliveira Mariano #6.578 @adriano.corinthiano em 18/01/2018 às 19:46

Sim, mas e se o time que tem a posse da bola não sabe o que fazer com ela, recua a toda hora, os jogadores dão lançamentos desnecessários e se preocupam em fazer gol através dos erros adversários e não com sua própria iniciativa? Qual seria a solução?

José #3145 @jose.carlos.salgado em 18/01/2018 às 18:47

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Parreira já falava isso há tempos. A palavra chave é Posse de Bola. Quanto mais o time ficar com a bola, menos riscos ele corre.

Jhon Lennon Aguiar @jhon.lennon.aguiar em 18/01/2018 às 19:43

Como ter a posse de bola com o Kazim no ataque. No primeiro jogo da FL Cup ele dominou bem uma bola vinda do Cássio e devolveu ao zagueiro. Para se ter esse tipo de jogo precisasse de jogadores que consigam segurar a bola. O Corinthians de 2015 estava perto disso.

Paulo Cesar Moura #3.015 @pauloreis em 18/01/2018 às 19:31

Como de fora? Ele iria marcar a frente como sempre.

Lucas #1230 @lucas.inacio3 em 17/01/2018 às 17:45

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Os 2 que negativaram são porque sabem que em um esquema desses o Romero tá de fora kkkkkkkkkkkk

O paraguaio é o exemplo claro que deu muito certo no estilo de jogo do ano passado, mas um time com essas características do tópico ele não tem onde jogar.

Tanto que em 2015 o Tite usou ele poucas vezes.

José Carlos Salgado #3.145 @jose.carlos.salgado em 18/01/2018 às 18:47

Parreira já falava isso há tempos. A palavra chave é Posse de Bola. Quanto mais o time ficar com a bola, menos riscos ele corre.

Páme Korinthianoús! #1.908 @oi.korinthioi em 18/01/2018 às 17:58

Na real seria um esquema em que todo mundo teria que jogar que nem o Romero...

Lucas #1230 @lucas.inacio3 em 17/01/2018 às 17:45

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Os 2 que negativaram são porque sabem que em um esquema desses o Romero tá de fora kkkkkkkkkkkk

O paraguaio é o exemplo claro que deu muito certo no estilo de jogo do ano passado, mas um time com essas características do tópico ele não tem onde jogar.

Tanto que em 2015 o Tite usou ele poucas vezes.

Eduardo Cano #223 @educano em 18/01/2018 às 17:46

Legal a ideia e até concordo... Mas já tentou fazer isso com um time sem muita técnica...é difícil hein...vc até consegue fazer a marcação alta e tomar a bola...mas na hora de ditar o jogo e rodar a bola...é difícil...

E o time do Corinthians não é forte tecnicamente...simples assim...e o Carille sabe disso...

Uso até futsal amador como exemplo...eu jogava em um time fraco...e sempre que jogávamos de igual pra igual...marcando na quadra de ataque...tomávamos coro...

Só conseguimos resultado...marcando meia quadra...fechadinho...e fazendo gols no contra-ataque rápido...

Sem jogador muito bom...é difícil...mas não concordo com covardia...jogar fechado é uma coisa...abdicar do jogo é outra...tem que agredir quando tem a bola

Cássio Ramos #2.455 @sempre.time.do.povo em 18/01/2018 às 17:43

Sim

Renan Corinthians #170 @gandalf1910 em 18/01/2018 às 17:32

Já tivemos e vimos times assim. O próprio time de 2015, o de 2002 eram time que controlavam muito bem a bola.

Hoje a técnica é totalmente deixada de lado e até a tática muitas vezes, o que mais vemos é um catado ou gente que não sabe o que está fazendo dentro do campo

Bruno De Oliveira Jordao #3.288 @bjordao em 18/01/2018 às 17:28

Parabéns! Tópico bacana demais!

O Corinthians não conseguiu ter o domínio do espaço ofensivo na maioria dos jogos, porque não tinha qualidade pra isso.

Pode ver que na maior parte das transições, quando chegava Jadson, Rodriguinho, Maycon e Romero, erravam passes bobos.

Em vários jogos quando poderíamos esfriar o ataque adversário, os caras erravam os passes e retomava o ataque adversário, ficando boa parte do jogo na intermediária de defesa.

Ao mesmo tempo, em certos períodos dos jogos, conseguíamos trocar passes rápidos, principalmente no último quarto do campo, no ataque, o que nos rendeu perigos de gol e gols.

Análise interessante e difícil encontrar o meio-termo entre não ser um Cucabol e desesperado no ataque, nem ser um retranqueiro. Propor o jogo com posse de bola, requer qualidade técnica, coisa que não temos nos times brasileiros.

Mesmo o Palmeiras que contratou 'os melhores', tem um elenco recheado de jogadores com baixa técnica futebolística.