Grito da Galera: Internauta relembra morte de Senna e lembra título mundial do Timão

Grito da Galera: Internauta relembra morte de Senna e lembra título mundial do Timão

Senna andava com a camisa do Corinthians embaixo do Macacão

Senna andava com a camisa do Corinthians embaixo do Macacão

O Portal Futebol Interior disponibiliza o espaço Grito da Galera para que os torcedores e internautas enviem sugestões, críticas, dicas e comentários sobre futebol. Desta vez, quem contatou o site foi o internauta Carlos César Russo, 44 anos é servidor público federal, que fugiu um pouco do futebol ?' mas não do esporte ?' e homenageou seu grande ídolo, Ayrton Senna. Ele também lembrou da conquista do Mundial no Japão.


Confira o comentário do internauta na íntegra:

Campeão do (meu) mundo.

Talvez o critério mais valioso para se avaliar um acontecimento na vida das pessoas seja a incredulidade. Lembro-me que na morte de Ayrton Senna, demorei semanas, senão meses, para acreditar que alguém que eu julgava sobre-humano deixara de existir de uma hora para a outra.

O fato é que após algo que julgamos extraordinário acontecer, algumas perguntas martelam nossa cabeça : Será que isso ocorreu mesmo ? Não foi um sonho ? Outras pessoas vivenciaram a mesma coisa ? Como no filme 'Uma Mente Brilhante' em que John Nash sempre pedia a confirmação para uma terceira pessoa se o que ele estava vendo era real ou apenas um produto de sua mente, desde o dia 16/12/2012 surpreendo-me perguntando aos meus amigos se meu Corinthians sagrou-se mesmo Campeão Mundial no Japão. Ao receber a confirmação de que sim, surpreendo-me mais uma vez por saber que, ao contrário do que imaginei desde os meus 7 anos de idade, sobrevivi a este jogo.

Está certo que como qualquer outro torcedor fanático já chorei e explodi de alegria, raiva e tristeza incontáveis vezes ao longo desta sofredora vida de corintiano, mas jamais imaginei que um dia atingiria o que classifico como o 'nirvana futebolístico'.

Como em uma experiência de regressão, viajo ao início da década de 80 e vejo-me sentado com um dos volumes do que naquela época era o Google de hoje, a outrora famosa Enciclopédia Britânica Barsa, a janela por onde se observava o mundo, pelo menos para um garoto vivendo em uma cidadezinha esquecida à beira do Rio Paraná.

No pesado livro, percorro incontáveis vezes a lista de campeões e vice-campeões do mundo com os mesmos olhos de um adolescente cobiçando as grandes atrizes do Cinema. Era um mundo distante, inacessível, povoado por clubes que só faziam sentido para minha imaginação. Minha cidade fervilhava com o título paulista do Corinthians de 1982 e lá estava eu mergulhado na minha fantasia onde o Marília era o Panathinaikos da Grécia, a Ferroviária se passava pelo Feyenoord, o Comercial de Ribeirão Preto fazia as vezes do Bayern de Munique, e assim por diante.

Em tempos pré-homéricos da informação, era como se o Japão ficasse em outro planeta e a chegada de um clube com seus jogadores para aquele jogo significava, para este menino, a aterrisagem de um foguete com seus astronautas em solo extraterrestre. As imagens da TV com cores distorcidas mostrando o frio que sempre se fazia e o áudio em atraso contribuíam para a ideia de que se tratava de um jogo disputado em outra dimensão.

Em raras ocasiões eu ousava, ainda que por poucos segundos, a fantasiar meu Corinthians entrando em campo do outro lado do mundo. Aí vieram os títulos dos clubes brasileiros, a descoberta de que na Europa pouca ou quase nenhuma importância se concede a este mundial de clubes, o título mundial alvinegro em 2.000, mas nada afastava minha obsessão por este jogo. As aparições mais frequentes do Corinthians na Libertadores me trouxeram esperança e angústia, aquele medo da proximidade entre a felicidade e o infortúnio que por diversas vezes me fez desejar nunca ver o Corinthians lá. Mas partir desta vida sem ver o Corinthians pisar em solo japonês era uma possibilidade também aterradora, mas não mais do que a incerteza quanto as minhas reações emocionais na remota hipótese de uma final desta magnitude.

E eis que os anos se passaram, mais de 3 décadas se foram. Abro os olhos, o dia começa a clarear. É 16/12/2012. Fim de jogo. Não consigo comemorar, não consigo falar. Meu telefone toca sem parar, não consigo atender. Só consigo caminhar até a estante, pegar o amarelado volume da Barsa e uma caneta. Pela última vez percorro todos os nomes daquela lista e, com a mão trêmula, acrescento:
'2012 - Sport Club Corinthians Paulista.'

Carlos César Russo, 44 anos é servidor público federal ( ANVISA )

Fonte: Futebol Interior

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