Depoimento de um Anti Corinthiano após o mundial

Depoimento de um Anti Corinthiano após o mundial

Após assistir um grande jogo de futebol, ver um clube brasileiro conquistar o título mundial, fui incentivado a deixar o jornalismo de lado para, nessa semana, escrever do ponto de vista de um torcedor rival. Não é fácil assistir a festa alheia, mais difícil ainda é admitir e aplaudir a competência do rival.

O primeiro ato do torcedor rival: após o título corintiano a primeira atitude de muitos de nós, rivais, é tentar diminuir o feito alvinegro. Alguns dizem que foram os primeiros a conquistar esse título. Outros dizem que tem duas ou três taças como essa. Há também aqueles que tentam desmerecer o adversário da final corintiana. Afinal, como é possível admitir que o Corinthians, o time que até outro dia era motivo de chacota por não conquistar títulos internacionais, de repente se torna Campeão da Libertadores e Campeão do Mundo? Não, o torcedor rival não aceita.

O segundo ato do torcedor rival: é preciso mostrar qual clube é maior e mais vitorioso:
- Meu time é tri campeão do Mundo e da Libertadores, estamos acostumados a ganhar esses títulos.
- Meu time é o soberano
- Meu time tem três Libertadores e dois Mundiais.
E assim segue a discussão. Lembra aquelas briguinhas de criança que diz: - meu pai é melhor que o seu. Esquecemos que todos são grandes e suas conquistas não precisam servir para diminuir as conquistas alheias.

Terceiro ato do torcedor rival: é essencial tentar diminuir a festa da torcida campeã. Primeiro reclama-se do barulho (provavelmente se os papéis fossem invertidos, quem hoje reclama estaria fazendo a mesma festa), é preciso dizer que não sabem comemorar, e muitas vezes as reclamações vem acompanhada de palavrões e xingamentos.

Tudo isso deixa claro que o Corinthians era o Corinthians, e ponto. Dizer que o Corinthians era o Brasil no Mundial da FIFA é besteira. E não adianta nada que corintianos façam provocações, ou algo do tipo, dizendo que os rivais são anti-corinthians, pois seus times não têm competência para disputar títulos dessa magnitude. Pura besteira, afinal, os corintianos foram anti-Santos em 2011, anti-São Paulo em 2005, anti-Palmeiras em 99. Isso é absolutamente natural. Ter grande parte do país torcendo contra não é privilegio do Corinthians.

Rival que é rival torce contra, e não há mal nenhum nisso. Ver o clube inimigo triunfar do outro lado do Mundo não é prazeroso, ver a festa dos torcedores então, menos ainda. Após ler muitas manifestações e refletir, é possível chegar a uma conclusão: isso se chama inveja. Sim, inveja. Ou os torcedores de Palmeiras, Santos e São Paulo não gostariam estar no lugar dos corintianos? (provavelmente aparecerão torcedores dizendo que já viram seus times triunfar, etc. Então não gostariam de repetir a dose?). Pois bem, nós, torcedores rivais sentimos inveja, não do Corinthians em si, mas sim da conquista.

Ainda assim, em meio a toda rivalidade, a inveja e a dor de cotovelo, é preciso reconhecer (e poucos fazem) a grandiosidade da conquista corintiana. É complicado para um rival, mas não tem como não dizer que o Corinthians foi campeão enfrentando o bom e dedicado Chelsea, não há como negar a brilhante partida feita por Cássio. É preciso destacar que o alvinegro teve bom número de posse de bola, soube se defender muito bem, atacou quando teve oportunidades. O Corinthians, diferente do que fez o São Paulo em 2005 e o Internacional em 2006, foi campeão jogando futebol, buscando resultado, disputando um jogo franco, de igual para igual com os europeus, sem se postar apenas na defesa (São Paulo e Inter foram campeões com méritos, mas ambas as equipes buscaram a vitória jogando totalmente na defesa, esperando uma única oportunidade de fazer o gol, deu resultado, não há problema algum nisso, é uma forma de vencer).

O Chelsea pressionou, em alguns momentos mereceu o gol, mas o Corinthians também teve momentos em sufocou os ingleses. A diferença é que os brasileiros (ou melhor, o peruano) souberam aproveitar a oportunidade mais clara de gol, os ingleses, não. Se analisarmos o jogo como um todo, fica claro que o título ficou sim em boas mãos. Não há como diminuir e desmerecer, não há como contestar, dizer que foi roubado, não há como dizer que foi sorte. O Corinthians é competente e sua torcida foi espetacular no Japão. Contra fatos não há argumentos.

Prefiro terminar esse texto com a frase do sãopaulino manobrista do estacionamento em que deixo meu carro, na segunda-feira, quando os corintianos ainda expunham suas bandeiras nos carros e sacadas: - Eu sequei, acordei cedo só pra secar o Corinthians, mas não deu, os caras são bons, tem que admitir, fazer o que né?! São campeões. Agora acabaram as piadas de vez, né?!

Pois é, torcedores rivais, dessa vez, ficamos chupando dedo (e isso não quer dizer que nossas conquistas são esquecidas ou diminuídas). Parabéns, Corinthians, Campeão Mundial 2012.

Fonte: 3° tempo

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