Corinthians cria cartilha de proteção às crianças e aos adolescentes

Corinthians cria cartilha de proteção às crianças e aos adolescentes

Foto: Danilo Fernandes/Meu Timão

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Corinthians cria cartilha de proteção após denúncias de assédio nas categorias de base

Por Meu Timão

O Corinthians deu um novo passo na tentativa de fortalecer a segurança de atletas das categorias de base. A diretoria interina do clube desenvolveu uma cartilha de proteção a crianças e adolescentes no ambiente esportivo. O material estabelece normas de conduta e prevenção contra assédio e outras formas de violência, dentro e fora dos treinos.

A criação do protocolo, ao qual o Uol Esporte teve acesso, ocorre após casos de abuso sexual virem à tona nos últimos meses, envolvendo profissionais que atuavam nas divisões de base durante a gestão anterior. A iniciativa foi liderada pelo superintendente jurídico do clube, Leonardo Pantaleão, e construída a partir de um curso promovido pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo em abril deste ano, voltado a lideranças do clube.

Resposta a denúncias anteriores

As medidas surgem em meio à repercussão de episódios de assédio sexual denunciados no clube. Um dos casos envolveu o ex-gerente da base, flagrado em conversas de teor sexual com menores de idade. Essa denúncia acabou arquivada pelo Ministério Público em maio, pois a Polícia Civil concluiu que não havia indícios de crime cometidos pelo ex-funcionário do clube .

Outro episódio, ocorrido na categoria sub-11, diz respeito ao ex-preparador de goleiros, Luis Claudio Marins, acusado de tomar banho nu diante de atletas com menos de 12 anos. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Polícia de Repressão à Pedofilia (DHPP) em dezembro de 2024, após pais de dois jogadores tomarem conhecimento da situação.

O clube chegou a abrir uma apuração interna, mas não afastou o profissional imediatamente — ele foi transferido para o Sub-18 e permaneceu no Corinthians até fevereiro, quando foi desligado. Marins confirmou que prestou depoimento, mas preferiu não comentar o caso publicamente.

À época, o clube emitiu nota afirmando que estava verificando os fatos . Segundo apuração do Meu Timão, o funcionário envolvido foi demitido. As denúncias incluíam trocas de mensagens, áudios e telefonemas com pelo menos dois atletas da equipe sub-17.

"O Corinthians tomou conhecimento de denúncias relacionadas a um funcionário do departamento de futebol de base e já adotou as medidas necessárias para apuração dos fatos. A identidade dos envolvidos será preservada até a conclusão da investigação, que já está em andamento", afirmou o clube em nota oficial, divulgada em janeiro.

Regras da nova cartilha

De acordo com o Uol, o documento elaborado pelo Corinthians traz uma série de orientações para profissionais que atuam com atletas da base, com foco em condutas éticas e prevenção de abusos. A cartilha também lista canais de denúncia e protocolos de encaminhamento.

Entre os principais pontos do protocolo, estão:

  • Proibição de toques físicos sem consentimento, salvo em casos de emergência médica;
  • Vedação ao uso de banheiros ou troca de roupa junto com atletas menores;
  • Proibição de fotos ou vídeos em locais íntimos, como vestiários e banheiros;
  • Regras específicas para conversas sobre sexualidade, sempre adequadas à idade e ao ambiente;
  • Contato físico ou virtual fora do contexto esportivo, como caronas e encontros pessoais, não são permitidos;
  • Falas com teor homofóbico, racista ou discriminatório são consideradas inaceitáveis;
  • Denúncias devem ser levadas imediatamente à coordenação e canais internos do clube, além de poderem ser encaminhadas ao Conselho Tutelar ou autoridades legais.

A próxima etapa prevista pela diretoria interina será o treinamento do corpo técnico da base, com encontros educativos programados para os próximos dias.

Como denunciar casos de violência

Situações de violência, abuso ou negligência envolvendo crianças e adolescentes podem ser denunciadas de forma anônima pelo Disque 100, além das delegacias da Polícia Civil e Conselhos Tutelares locais. Em casos de flagrante ou risco iminente, a orientação é acionar o 190 e comunicar as autoridades imediatamente.

O Código Penal prevê punições para quem se omite diante de situações de violência contra menores, incluindo crime de omissão de socorro. A chamada Lei Henry Borel, sancionada em 2022, reforça essas penalidades. Servidores públicos que deixam de agir podem responder por prevaricação.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians e Base do Corinthians.

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