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Bato palmas

É possível ser corinthiano e bater palmas para um palmeirense. Isso é rivalidade saudável

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Orgulho desses palmeirenses

Opinião de Lucas Faraldo

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Um torcedor do Corinthians chorar por causa do Palmeiras tem duas causas habitualmente aceitáveis: emoção por vitória em Dérbi ou tristeza por derrota.

Forçando um pouco a barra, pois aí não é bem caso de choro, há também o "chorar de rir". E aí não faltam razões ao longo da história de rivalidade entre alvinegros e alviverdes!

Brincadeira à parte, há sim um terceiro motivo para o choro. Um choro de orgulho. Orgulho de palmeirenses?! Foi o que qualquer ser humano, inclusive aqueles que torcem para o Corinthians, sentiram nessa segunda-feira assistindo à cerimônia de premiação The Best da Fifa.

O futebol é muito legal. Legal pelas emoções que o Corinthians nos proporciona. Legal pelas emoções que torcedores do Corinthians nos proporcionam - e aí os convido a visitarem a página do 1 em 30 milhões aqui do Meu Timão. Mas também legal por emoções de forma geral, mesmo as que fogem do dia a dia corinthiano já bastante recheado de emoções.

É o caso da mãe Silvia Grecco e seu filho Nickollas, palmeirenses que ganharam o noticiário do mundo todo pela forma como acompanham o time de coração no estádio: ela o leva às arquibancadas e narra os jogos, já que ele é cego. O jovem também é autista, o que não o impede de compreender o futebol e de amar a equipe pela qual escolheu torcer.

"Agradeço à Fifa por essa indicação e por hoje eu poder falar para o mundo do futebol que a pessoa com deficiência existe, que ela precisa ser amada, respeitada e incluída", discursou Silvia após receber com Nickollas o Fifa Fan Award.

O discurso atinge em cheio a todos. Entidades, clubes, técnicos, jogadores, torcidas, jornalistas... Todos podem fazer algo pela inclusão (e pelo fim da discriminação) das pessoas com deficiência. E todos deveriam fazer. Todos mesmo. Eu e você inclusive.

Semana passada, por exemplo, o Corinthians anunciou as primeiras medidas para tornar a Arena mais acessível e acolhedora a pessoas com autismo e deficiência. Muito me entristeceu um dos primeiros comentários de um dos internautas aqui do site: "Isso é muito importante, mas tem outras coisas que são muito importantes também, como pagar as dívidas da Arena". Qual a necessidade de misturar as coisas numa tentativa de baixíssimo nível de diminuir a importância da inclusão da pessoa com autismo e deficiência?

Por outro lado, claro, há quem ainda nos dê esperança na humanidade. Olha que bacana esse comentário do torcedor Paulo: "Muito legal! Tenho um filho autista de sete anos e no Brasileirão 2016 fomos à Arena assistir Corinthians 1x0 Internacional. Na época, enfrentamos a fila, compramos o ingresso pelo valor de guichê e ficamos na Leste Inferior. Apesar do tumulto ele gostou muito! Vai Corinthians!".

São atitudes aparentemente pequenas que fazem a diferença num mundo tão grande como o nosso. Atitudes que todos nós somos capazes de fazer. Não à toa, Silvia e Nickollas foram premiados na mais importante cerimônia do futebol mundial.

Palmas para esses palmeirenses que enchem todos, inclusive corinthianos, de orgulho.

Veja mais em: Dérbi e Torcida do Corinthians .

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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