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A realidade
Torcedor-cliente presente à Arena Corinthians
Rodrigo Coca - Agência Corinthians
Elias e o torcedor do Timão
Opinião de Marco Bello
O meia Elias tocou em uma ferida aberta ao comparar o torcedor atual do Corinthians ao torcedor do São Paulo, na saída de campo do Pacaembu após a partida contra o Cruzeiro.
Elias se referia às vaias da torcida e aos gritos de “burro” contra o técnico Cristóvão Borges.
Mas enfim, o que mudou no torcedor do Corinthians nos últimos anos. Elias está certo?
O torcedor do Corinthians sempre vaiou. Sempre cobrou. Já pegou no pé de jogador, já chamou técnico de “burro”.
Mas o torcedor realmente mudou. Aliás, não foi a torcida que mudou o comportamento. São outros torcedores.
Quando o Corinthians começou o “projeto Arena”, ainda no Pacaembu, há cerca de dez anos, cobrando caro pelos ingressos, dividindo os estádio em setores “Vips” e menos “vips”, o clube fez uma escolha.
Nos anos 80, o futebol era um produto barato, o cidadão pagava quase nada, tomava sua cerveja gelada e ficava em pé no alambrado ou sentado no cimento para se divertir.
Hoje o clube tem consumidores. Clientes. Pessoas que pagam de R$ 50 a R$ 400 e querem: conforto e espetáculo.
Quem tem culpa? Ninguém. Foi uma escolha. E não só do Corinthians, de quase todos os clubes grandes do Brasil.
A arrecadação é maior. Mas o público é outro.
Cerveja dentro do estádio, bandeirões com mastros, torcedor de geral, colado no alambrado, sentado no cimento quente, são imagens do passado.
Hoje a realidade são cadeiras confortáveis, hot-dogs, pizzas e camarões. Selfies e flashes de celulares. E cobranças.
Felizmente para uns. Infelizmente para muitos. Mas esta é a realidade. E Elias terá que se acostumar com ela.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.