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Muita calma nessa hora

Tiago Nunes completou um mês de trabalho a frente do Corinthians nesta quarta-feira

Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Não se muda doze anos em um mês

Análise de Mateus Pinheiro

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O Corinthians viveu o momento de maiores conquistas de títulos desde que chegou Mano Menezes, em 2008. Foram treze taças levantadas em 12 anos.

O corintiano se acostumou a comemorar anualmente. Tudo isso baseado em um sistema de jogo que pensava primeiro em se defender, depois em atacar - salvo, claro, exceções pontuais. A filosofia foi essa.

Pensamento de jogo esse que foi importantíssimo, mas de 2017 para cá, começou a irritar a torcida. No Brasil, nada se cria, tudo se copia. Então a partir do momento que a Fiel viu que outras equipes estavam ganhando mais priorizando o ataque, todo o apoio ao “ferrolho” caiu por terra e a massa ansiava por um time que “jogasse para frente”.

Dessa maneira, num ato corajoso, Tiago Nunes resolveu assumir o Corinthians. O treinador que levou a Copa Sul-Americana e Copa do Brasil nos últimos anos, comandando um Athletico ofensivo e organizado, embarcou no maior desafio da carreira.

Agora, esperar que o profissional consiga impor toda sua filosofia de jogo, levando em conta os desfalques, o elenco limitado, os vícios que os jogadores que aqui estavam carregam de outros treinadores em exatos TRINTA dias de trabalho é exigir o impossível.

Um calendário como o brasileiro é pífio ao ponto de exigir resultado de um grupo de atletas e comissão técnica em um mês. Não é desmerecer o adversário, mas sim exaltar o fato de que o time não está nem próximo de pronto numa data tão precoce.

Jogou o semestre em um jogo e perdeu. Acontece. Não deveria ter que acontecer, mas a união inexistente dos clubes e uma federação que pouco zela pelo bem-estar de seus maiores produtos – os atletas – fazem com que isso não seja novidade e o pior: seja considerado normal.

Passado o que passou, o medo é que a colossal máquina de triturar treinadores que é o futebol brasileiro acabe por minar um trabalho, acima de tudo, promissor. Afinal, como já disse aqui nessa coluna, o torcedor torce o nariz e reclama como nosso esporte está tão distante do europeu, mas é o primeiro a pedir a cabeça do treinador quando o resultado esperado não vem.

Longe de comparar capacidade ou carreira, mas Jürgen Klopp chega ao Liverpool, o time inglês mais pressionado há anos, afinal, não conseguiu vencer ainda uma Premier League e tinha como último título grande a Champions League de 2005, e falha. Falha em 2015, falha em 2016, em 2017, 2018, até que finalmente em 2019 consegue a glória máxima de um treinador, a Champions League. Criou um monstro que não sabe o que é perder e caminha para vencer um campeonato nacional sem perder sequer um jogo. Tudo poderia ter ido por água a baixo se seguisse a cartilha do futebol brasileiro e tivesse caído em 2016 ou 17.

Os erros da arbitragem, pouca experiência e afobação do Camisa 10, desfavorecimentos sistemáticos de Pitana e Conmebol já foram levantados aqui mesmo no Meu Timão por outros colunistas. Aqui faço o apelo e desabafo por um futebol brasileiro mais coeso e, quem sabe um dia, mais justo: deixem Tiago Nunes trabalhar. Lembrem de Jürgen Klopp.

Veja mais em: Tiago Nunes e Elenco do Corinthians .

Por Mateus Pinheiro

Jornalista e Analista de Desempenho. Passagens por Band, ESPN, Globo Esporte e Meu Timão. Confie no processo.

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  • Comentários mais curtidos

    Will Corinthians #254

    Era para ler "2" (duas) vezes? Eu li, mas entendi tudo, logo de primeira! Kkk
    É bem por aí!

  • Rodolfo Ribeiro #2.065

    Não aguento mais essa ladainha de "filosofia de jogo". A matemática é simples: elenco bom + entrosamento + contas em dia = time forte. Parem com essa baboseira de "filosofia defensiva", "jogar no ataque", "jogar no contra-ataque", "sufocar o adversário". Não existe time com DNA ofensivo ou defensivo. O Corinthians jogou de todas as formas nesses últimos 12 anos. Nenhum time consegue ganhar 3 campeonatos brasileiros de pontos corridos jogando só por uma bola. Isso é balela. A única filosofia do Corinthians é ser campeão.

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  • Todos os comentários (79)

    Everton Dantas #8.376

    Se defendesse e ganhasse ninguém reclamaria. Mais defendia e perdia. Pode atacar se ficar só perdendo vamos reclamar do mesmo jeito

  • Marco Gueiros #1.815

    Claro que muda.
    Passou passou.
    Agora é vida nova.
    Se precisar mudar, muda do goleiro ao centroavante.
    Quem vive de passado é museu.

  • Alexandre S.c.c.p. #34

    Deixa o homem trabalhar deixa o Tiago trabalhar vamos colher muitos frutos muitos canecos

  • Jairo Manoel

    Análise bastante equilibrada...

    Realmente o tempo é o senhor da razão.

    Doze anos treze títulos.

    O maior campeão da década.

    BI MUNDIAL

    É claro que queremos mais;

    Mais estes números nos dão chance de nos remontarmos com

    Equilíbrio diante da Enorme grandeza que somos.

    E temos a bravura e a coragem dos Grandes Guerreiros...

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