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Foco no longo prazo
Desde que Tite deixou o Corinthians, em 2016, o Corinthians não conseguiu dar match com outro técnico
Rodrigo Coca/Fotoarena
Corinthians, Tite e o longo prazo
Opinião de Victor Godoy
Quando Fernando Lázaro foi demitido, uma semana atrás, fiz uma coluna que acabou não saindo por conta do caos gerado pela contratação e demissão de Cuca. Todo o decorrer desse processo, porém, acabou reacendendo a indignação que apontei naquele texto, pois o Corinthians tem sofrido por conta da falta de perspectiva a longo prazo e precisa de um técnico como Tite para resolver isso.
O ponto que quero abordar é que o Corinthians precisa contratar e “casar” com um técnico por muito tempo, com essa figura indo além do treinador em si. Ele precisaria entender toda a situação econômica do clube e formular o elenco a partir disso, além de entender a necessidade de utilizar os garotos da base no time principal.
O perfil, portanto, não pode ser de alguém que ficaria apenas até o final da temporada. Tampouco de alguém sem a experiência e a qualidade necessária para treinar o Corinthians.
Tite foi essa figura entre 2011 e 2015 - com o intervalo em 2014 -, mas desde que deixou o Parque São Jorge para assumir a Seleção, em 2016, o Corinthians não conseguiu achar um par para realizar esse casamento e seguir em frente. As únicas tentativas foram: Carille entre 2017 e 2018, que foi mal sucedido pois o treinador optou por sair; Tiago Nunes, em 2020, que não conseguiu dar conta; e Fernando Lázaro no começo de 2023, que não deu certo.
Fora o trio, todos os nomes tinham prazo de validade, ainda que a diretoria não assuma isso. Ninguém ficaria no cargo tanto tempo quanto o Corinthians exige.
Nos últimos anos, por exemplo, Duilio tem apostado constantemente nessas soluções a curto prazo. Era óbvio que Vagner Mancini e Sylvinho não durariam no cargo por um longo período de tempo. Já Vítor Pereira assinou por apenas seis meses com baixas chances de renovação, o que acabou acontecendo. Cuca, por sua vez, também assinou apenas até o fim de 2023 e, pelo histórico recente, deixaria o clube ao final da temporada - além, é claro, de todo o desgaste gerado pela condenação por abuso sexual.
Antes da torcida e da mídia, a diretoria necessita ter a noção da situação do Corinthians para além da dívida. No futebol, o campo anda de mãos dadas com as contas do clube.
Por isso, o nome precisa ser bem pensado para o longo prazo e esse perfil precisa atender aos pré-requisitos. Além disso, Duilio e seu sucessor têm que bancar o nome até o fim independente da crise que tiver. Ele, por sua vez, precisa corresponder e ficar no clube mesmo que receba outras propostas.
Quem vai ser esse técnico? Saberemos logo mais. Poderia ser o próprio Tite, aliás.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.