Além das vitórias sobre o Santos - nas categorias masculina e feminina -, o último domingo foi marcado por uma divergência político-ideológica nos bastidores. No dia em que se completaram exatos 55 anos do golpe militar de 1964, a atual diretoria do clube orquestrou uma homenagem à Democracia Corinthians na Arena e nas redes sociais . Paralelamente, porém, um dos mais atuantes conselheiros do Timão criava para o Planalto um vídeo em prol da Ditadura Militar.
A atitude de Osmar Stábile foi mal-vista internamente no clube. Pré-candidato à última eleição presidencial do clube, o empresário foi criticado publicamente pela vice-presidente corinthiana Edna Murad, em fala concedida ao portal Uol e reproduzida nesta quarta-feira.
"Tenho só a lamentar, apenas nesse quesito, porque ele é uma pessoa do bem. Pra mim, exaltar a ditadura, exaltar um grupo de pessoas que chegou no poder e cometeu crimes de tortura, de estupro, é uma coisa absurda. Vai na contramão do que é o Corinthians, o time do povo, que defende a democracia. Atribuo isso a um conhecimento raso da história do clube e do Brasil", argumentou a vice do Timão, braço direito de Andrés Sanchez na atual gestão.
Stábile assumiu autoria de um vídeo que exaltava a tomada de poder dos militares no Brasil em 1964 e os 21 anos seguintes de Ditadura Militar no país. As imagens foram espalhadas em redes sociais no domingo, 31 de março, a partir de um número de WhatsApp ligado ao Planalto. Mais tarde o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, confirmaria ordem do presidente Jair Bolsonaro para veiculação na internet da tal homenagem.
Stábile, cabe lembrar, é um dos 134 conselheiros vitalícios do Corinthians. Ele foi diretor de esportes terrestres do clube na gestão de Alberto Dualib e concorreu duas vezes à presidência, em 2007 e 2009, ficando em último lugar em ambas as ocasiões. No pleito de 2018, lançou pré-candidatura, mas voltou atrás após virar piada internamente no Parque São Jorge devido a um vídeo amador de campanha no qual era comparado a um super-herói.