O Corinthians passou a se resguardar desde 2021 para identificar vendedores de produtos "piratas" com a marca do clube. Para isso fechou com o escritório Bianchini Advogados há três anos para prestar esse serviço em prol do Timão.
A Gazeta Esportiva entrou em contato com o advogado Ricardo Bianchini, que falou como o trabalho é feito e quais os benefícios que traz ao clube. O representante falou do início da parceria e também deu o passo a passo do processo.
"Nós iniciamos essa parceria no Corinthians em razão dos números que trouxemos ao clube. Mostramos como retiramos produtos do mercado, monetizamos o clube e descobrimos contratos vigentes de licenciados que estavam burlando o clube, inclusive em alguns casos com contratos já vencidos. A gente descobriu isso", disse.
"Nós seguimos alguns passos. Primeiro: eliminamos os produtos do mercado. Segundo: Monetizamos o clube. Terceiro: revelamos contratos que já estavam vencidos e continuaram no mercado mesmo assim. Quarto: revelamos contratos que estão em plena vigência, mas que praticavam burla de royalties ao clube. Quinto: convertemos pessoas que não eram licenciadas em licenciadas. Isso turbina e privilegia aquele empresário que está regularmente prestando seu serviço, vendendo produtos ao clube", completou.
Um dos pontos que chamam atenção no trabalho feito pelo escritório é a utilização de IA (Inteligência Artificial) para identificar a pirataria. Essa estratégia é usada para achar infratores que estão "escondidos" na páginas de vendas na internet. A comercialização de produtos falsos aumentou com a pandemia, que teve início no começo de 2020.
"Nós iniciamos esse trabalho com clubes de futebol, nascendo essa atuação da percepção que o mercado estava desatendido, notadamente no âmbito virtual, no mercado de plataformas digitais. Com a pandemia, houve uma migração substancial do mercado físico para o virtual, plataformas como Shopee e mídias digitais. Essa venda de produtos ilícitos facilitou a atividade dos 'pirateadores' na medida que eles se escudam nessa plataforma. No ambiente físico, a pessoa está ali, atendendo e fazendo a entrega da mercadoria pessoalmente", contou Ricardo.
"Nas plataformas, os infratores se escudam nos sites e muitas vezes com identificação falsa. Nós, com sistema de IA (Inteligência Artificial), aliada à nossa equipe de investigadores, levantamos quem está por detrás dessa página e procedemos as medidas quer cíveis, quer criminais contra esses infratores, eliminando esses produtos do mercado e principalmente monetizando a título de indenização os clubes, para que eles possam ser ressarcidos do prejuízo que tomaram diante da violação de marca" finalizou.
A pena para os infratores de pirataria sofreu mudança com a nova Lei Geral do Esporte. De acordo com Ricardo, a reprimenda passou de dois para quatro anos, sem transação penal, para aqueles que comercializam produtos falsificados.