O Corinthians cumpriu o prazo e apresentou à Justiça uma proposta para o pagamento dos credores listados no Regime de Centralização de Execuções (RCE). A informação é do Uol Esporte.
A proposta inclui ceder 4% das receitas recorrentes, como bilheteiras e patrocinadores, para pagamento igualitário aos credores. Além disso, 5% das receitas da venda de direitos econômicos serão alocadas em leilões reversos, com deságio mínimo de 30%.
O clube quer priorizar credores idosos, portadores de doenças, gestantes, vítimas de acidente de trabalho e aqueles com créditos inferiores a 60 salários-mínimos. Além disso, também serão priorizados quem têm acordos de redução de 30% e os que gerarem novas receitas para o clube.
O Corinthians também propôs benefícios para "credores parceiros", como aqueles que mantiverem serviços para o clube ou desbloquearem valores bloqueados em processos. A avaliação será feita pelo próprio clube, que destinará 50% das parcelas de distribuição a esses credores.
No documento, o Corinthians informou ter R$ 926 milhões em dívidas com credores, incluindo fornecedores, agentes, jogadores e processos. Desse valor, apenas $ 367 milhões estão no RCE. As dívidas tributárias somam R$ 817 milhões, enquanto os débitos da Arena totalizam R$ 677 milhões.
Sobre o RCE
Em dezembro, o Corinthians teve suas contas bloqueadas, mas a medida foi suspensa após a defesa baseada na lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Com isso, foi aprovado RCE, que organiza e viabiliza o pagamento das dívidas de forma estruturada e supervisionada.
“O pleito encontra respaldo no artigo 13, I, da Lei nº 14.193/2021, a possibilitar ao clube ou pessoa jurídica original, e não apenas à sociedade anônima de futebol, o pagamento de suas obrigações diretamente aos seus credores ou pelo concurso de credores do Regime Centralizado de Execuções nela previsto”, diz o processo.
O Corinthians tinha um prazo de 60 dias para apresentar seu plano de pagamento aos credores, com vencimento no início de fevereiro. Agora, a proposta será analisada pelo juízo centralizador, uma das Varas de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Enquanto o plano estiver em vigor, o clube permanecerá protegido contra bloqueios de patrimônio e receitas.