O diretor jurídico do Corinthians, Vinicius Cascone, concedeu entrevista para esclarecer questões polêmicas envolvendo o clube. Entre os temas abordados, ele falou sobre a consultoria da Ernst & Young, a atuação de Fred Luz e a repercussão de Romeu Tuma Jr. sobre possíveis irregularidades no Timão.
Sobre a Ernst & Young, Cascone explicou a situação envolvendo a consultoria contratada pelo Corinthians. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, ele destacou que não se trata de uma auditoria, mas de um serviço voltado para o diagnóstico financeiro e administrativo do clube.
“O que aconteceu de fato em relação à Ernst & Young é que a empresa foi contratada para fazer uma consultoria. Não era uma auditoria, mas uma consultoria que verificaria algumas situações importantes para o clube, inclusive fazendo um diagnóstico da situação em que o clube se encontrava para buscarmos soluções, como essa do RCE. Então, a consultoria prestada pela empresa também nos ajudou a chegar até aqui com esse plano”, disse.
O dirigente também esclareceu os motivos que levaram à rescisão do contrato com a empresa e a consequente falta de um relatório final.
“O que aconteceu foi que houve um desacerto comercial: foram feitos pagamentos, o Corinthians estava com o caixa sufocado no primeiro semestre do ano passado e não conseguiu honrar os pagamentos que estavam estabelecidos no contrato. Aí, houve a rescisão de contrato a pedido do Corinthians. Ficou pendente o relatório final da empresa. Eu não recebi, o presidente não recebeu. Eu acho que está havendo uma grande confusão em relação a um dos contratos da Ernst & Young, no qual foram submetidos sete contratos com a empresa para verificar se havia algo equivocado ou ilegal na relação desses contratos", complementou.
Outro assunto abordado por Cascone foi a presença de Fred Luz no clube. O diretor jurídico reforçou que o executivo nunca ocupou a função de CEO, mas atuou como consultor em determinados processos administrativos.
“De toda aquela polêmica lá de trás, se o Fred Luz era CEO ou não, na verdade, o Fred veio como um consultor e aí atuava em consultoria, ele e outros consultores. O Fred já esteve mais presente nos processos do Corinthians, foi atacado por muita gente internamente de forma equivocada. Nesse momento, realmente, ele anda bastante afastado. A consultoria foi remodelada e ele continua ocupando a mesma função que já ocupava. Não houve mudança nesse aspecto", comentou.
Cascone também se posicionou sobre as declarações de Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, que sugeriu a existência de corrupção no clube. Para o diretor jurídico, a exposição negativa constante atrapalha a imagem institucional do Corinthians.
“Se o Corinthians não tivesse a torcida que tem, estaria em uma situação bastante grave hoje. O que segura o clube é a torcida. É o que garante a receita, essa paixão da torcida, que ajuda o Corinthians a ter contratos de patrocínio e movimenta tanta gente. Isso faz com que os patrocinadores queiram estar no clube", falou.
Ele também destacou como os constantes vazamentos de informações internas dificultam a gestão.
“É claro que essa disputa política, essa exposição negativa, esse vazamento de dados constantes, é uma coisa impressionante. Como os dados vazam no Corinthians, todo mundo coloca esses dados na imprensa. Isso é muito negativo, não tenha dúvidas, é um dos grandes desafios para essa gestão no clube, porque você sempre trabalha com uma notícia negativa. E, muitas vezes, algumas situações criadas porque, como o Corinthians dá muito ibope, evidentemente as pessoas gostam de falar de tudo", disse.
Por fim, Cascone defendeu que eventuais irregularidades sejam devidamente apuradas antes de virem a público.
“Hoje, a gente vê que todo mundo tem um blog, cria notícias, transforma diversas situações e falácias, e é duro ficar desmentindo diariamente. No meu entendimento, isso é bastante negativo para o clube, isso prejudica. É claro que quem expõe o Corinthians de forma negativa não ajuda o clube. Agora, se tem algo errado, tem que ser apontado. Eu não estou aqui para defender coisas erradas, mas evidentemente que tudo tem que ser apurado antes de ser exposto", concluiu o executivo.