O Corinthians está na final da Copa do Brasil após vencer o Cruzeiro na disputa de pênaltis mesmo com a derrota por 2 a 1 no tempo normal . O técnico corinthiano, Dorival Júnior, avaliou a partida.
Dorival foi questionado sobre a estratégia adotada para utilizar Raniele e Garro ao longo da partida, além da forma como o Corinthians conseguiu competir em alto nível diante do Cruzeiro, fora de casa. Na análise, o treinador detalhou o planejamento feito junto à comissão técnica, explicou a gestão física dos atletas e destacou a postura da equipe para neutralizar o adversário e executar o plano de jogo.
“Primeiro, elaboramos, junto com a comissão técnica, um plano de jogo muito bem definido. Talvez tenhamos sido uma das poucas equipes neste ano que conseguiu neutralizar o Cruzeiro em Belo Horizonte. Os jogadores acreditaram e executaram esse plano. Raniele e Garro não vinham treinando com frequência, pois ainda estavam em processo de retorno, então não havia outra forma de utilizá-los. Independentemente do merecimento, eram dois jogadores que precisavam ser administrados", iniciou Dorival na zona mista.
"Destaco o profissionalismo de ambos, especialmente a postura do Garro, que assumiu a responsabilidade como um dos capitães da equipe. Ele deixou claro que, jogando 15, 20, 30 ou 40 minutos, entraria para dar tudo o que pudesse. Essa é a postura de um profissional e de um grupo que está entendendo o que queremos. Passamos por muitos momentos difíceis, mas os jogadores perceberam que temos soluções e que elas estão sendo apresentadas", acrescentou.
"No primeiro tempo, a partir de cerca de 15 ou 20 minutos, os dois volantes do Cruzeiro passaram a jogar com muita liberdade. Tentamos corrigir para buscar maior compactação, mas não estava funcionando. Precisávamos de algo novo no segundo tempo. Mudamos a postura e o posicionamento, e os jogadores acreditaram novamente. Sofremos um gol logo no início do segundo tempo, o que foi um pecado, talvez a única chance do Cruzeiro nessa etapa. Ainda assim, fizemos um segundo tempo quase impecável. Sem desrespeitar o adversário, que tem uma excelente equipe, merecíamos um resultado melhor pelo volume de jogo e pelas oportunidades que criamos”, completou.
Perguntado sobre a reação da equipe após o gol sofrido em um momento delicado da partida, o treinador ressaltou a mudança de postura, a reorganização tática e a capacidade do time de manter o equilíbrio até buscar a igualdade.
“Foi uma situação que nos pegou de surpresa pelo momento em que o gol aconteceu. A equipe já havia voltado com uma postura diferente, e foi uma pena o gol ter saído naquele instante, porque não tenho dúvidas de que chegaríamos ao empate com a mudança que fizemos. Alteramos completamente o plano de jogo, com maior aproximação entre os jogadores, trabalhando mais bolas por dentro, pelos lados e na criação das jogadas", explicou.
"Tivemos bolas na trave, finalizações frontais e presença na área. Passamos por um momento de grande pressão até o Cruzeiro fazer o segundo gol, mas mantivemos a organização e o equilíbrio. A partir disso, conseguimos chegar ao gol que levou a decisão para os pênaltis. Depois disso, pênaltis todos sabem como são, e os méritos acabam sendo muito mais dos goleiros, que são muito bem preparados”, contou.
Ao comentar o que foi ajustado no intervalo, Dorival explicou que as mudanças foram além do discurso, passando por correções estruturais, maior compactação e novas alternativas ofensivas para neutralizar os pontos fortes do adversário.
“Não se trata apenas de conversa, mas de reorganizar aquilo que não estava funcionando. O plano de jogo foi readaptado para a segunda etapa, mostrando as possibilidades e corrigindo pontos com base no que o adversário vinha apresentando. Precisávamos, principalmente, de uma aproximação maior entre o meio-campo e o setor ofensivo, já que o distanciamento estava gerando desconforto e permitindo que os volantes do Cruzeiro jogassem com muita liberdade", analisou.
"Isso foi corrigido. A equipe se compactou mais, tanto defensiva quanto ofensivamente. A partir daí, tivemos mais posse de bola, criamos mais e fomos mais objetivos. Na minha visão, não merecíamos terminar o jogo derrotados. As mudanças foram muito importantes, assim como as entradas dos jogadores, que nos deram novas opções. Não é que Carrillo e Martínez não estivessem executando bem, mas um erro de posicionamento nosso facilitava para que o Cruzeiro tivesse sempre um homem livre para fazer o pivô e circular a bola”, explicou.
Por fim, Dorival Júnior enalteceu o papel da torcida e destacou como a energia vinda das arquibancadas foi determinante para empurrar a equipe na busca pela recuperação, reconhecendo a entrega dos jogadores e a conexão criada com a Fiel.
“A vibração do atleta é fundamental. A forma como ele demonstra o que está sentindo naquele momento pode gerar uma mudança comportamental dentro do jogo. Esse tipo de atitude mexe muito com o torcedor e faz com que ele se aproxime ainda mais da equipe. Isso já aconteceu comigo em outras competições, não apenas na Copa do Brasil", elogiou.
"O que vimos hoje da Fiel torcida foi impressionante. A maneira como eles nos conduziram nessa recuperação foi decisiva. Só tenho a agradecer, enaltecer e reconhecer o valor de uma torcida como essa. Eles foram fundamentais, estimulados também pelo que a equipe entregou em campo: luta, dedicação e entrega desde o jogo em Belo Horizonte. Isso é digno de todo reconhecimento”, concluiu.
O Corinthians vai enfrentar o Vasco da Gama na final do torneio. Os jogos decisivos estão agendados para os dias 17 e 21, com a partida de volta acontecendo no estádio do Rio de Janeiro.