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Corinthians demite gerente responsável pelo contato com a Nike e citado em auditoria interna

Corinthians demite gerente responsável pelo contato com a Nike e citado em auditoria interna

Maria Beatriz de Teves / Meu Timão

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Desligamento

Corinthians demite gerente responsável pelo contato com a Nike e citado em auditoria interna

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O Corinthians anunciou, na última terça-feira, o desligamento de Rafael Salomão, gerente administrativo do clube e responsável pelo contato logístico com a Nike, além da administração do almoxarifado no Parque São Jorge. Vale lembrar que, desde abril de 2024, o Corinthians mantém outro setor de armazenamento no CT Dr. Joaquim Grava.

A informação foi divulgada inicialmente pelo ge.globo e confirmada pelo Meu Timão. Como soube a reportagem, embora o Corinthians tenha informado em comunicado que a saída ocorreu por “reestruturação administrativa”, esse não foi o único motivo. O desligamento se deu por uma “junção de problemas”, como descreveu uma fonte.

Entre os fatores estão falhas na organização do setor de armazenamento de materiais fornecidos pela Nike e vulnerabilidades no controle de estoque apontadas em auditoria interna realizada no segundo semestre de 2025 , que ainda identificou desvios de materiais esportivos por parte de um funcionário — demitido dias depois. Para além disso, o Salomão teria tentado desqualificar a auditoria realizada por Marcelo Munhoes, durante depoimento na Comissão de Justiça (CJ).

O documento detalhou fragilidades nos processos de controle dos itens recebidos da fornecedora e apresentou recomendações para aprimorar a gestão tanto no CT quanto no Parque São Jorge. O relatório também mencionou situações delicadas envolvendo compra e fornecimento de materiais licenciados, peças deterioradas, possível desvio, além de problemas de higiene nos locais de armazenamento.

Outro ponto citado foram os pedidos considerados excessivos de retirada de materiais por parte do segundo vice-presidente Armando Mendonça, de outros diretores e até do presidente Osmar Stabile.

Rafael Salomão trabalhava no Corinthians desde 2016. Em julho do último ano, foi promovido ao cargo de gerente administrativo, deixando a chefia do almoxarifado. A promoção contou com respaldo de Armando Mendonça, e o profissional era bem avaliado por pessoas ligadas ao setor.

Apesar disso, integrantes da cúpula alvinegra entendiam que processos internos poderiam ter sido aprimorados. O relatório reforçou essa avaliação ao apontar defasagens na organização do estoque e no controle de distribuição, inclusive no futsal, que costuma utilizar uniformes de anos anteriores ao atual.

A Nike, por sua vez, indicou que o ideal é a utilização dos uniformes da coleção vigente por estratégia de marketing. Durante o processo interno, a empresa afirmou não compreender a insistência do clube em utilizar modelos antigos, embora operacionalmente não haja diferença na entrega. Funcionários da rouparia também relataram dificuldades, já que recebem apenas uma peça para toda a temporada.

A justificativa de Rafael Salomão, durante a auditoria, foi de que as entregas ao departamento de esportes terrestres seguem o cronograma da fornecedora. No entanto, o documento apontou que, dos 8.396 itens recebidos em 2025, apenas 5.882 foram repassados ao departamento, enquanto 2.514 permaneceram retidos no estoque sem justificativa formal.

O relatório ainda menciona um episódio antes da vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense , no Maracanã, quando faltaram camisetas brancas para a partida. Sem tempo hábil para reposição emergencial da Nike, Salomão solicitou e obteve autorização do time carioca para que ambas as equipes atuassem com o segundo uniforme.

Depoimento à Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo do Corinthians

No dia 4 de fevereiro, a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians ouviu funcionários no âmbito da investigação sobre sumiços e supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos no clube .

O gerente administrativo Rafael Salomão e o diretor administrativo Fábio Soares participaram dos depoimentos, como previsto. Entretanto, Francisco Vinícius Godoy, funcionário do CT Joaquim Grava, não compareceu, mesmo tendo recebido convocação formal, segundo apuração do Meu Timão.

Como soube a reportagem, o presidente Osmar Stabile teria impedido a participação de Francisco Godoy nas oitivas e apareceu sem aviso na sala onde ocorriam as audiências, no Parque São Jorge. Após questionamentos, houve uma breve discussão com membros da Comissão de Justiça, encerrada com pedido de desculpas e a saída do mandatário.

Stabile teria alegado que o departamento de futebol está sob sua tutela e que não liberaria funcionários sem autorização prévia. Já a Comissão sustenta que seguiu o rito estatutário e afirma que, embora o presidente tenha autorizado a oitiva, o episódio gerou preocupação quanto à exposição do colaborador.

Segundo o ge.globo, durante seu depoimento à Comissão de Justiça, Salomão afirmou que havia alertado a diretoria sobre possíveis problemas com a divisão do estoque entre o Parque São Jorge e o CT. Ele relatou que, antes e depois das investigações, recomendou a unificação do almoxarifado, esse era o modelo adotado antes da criação do segundo ponto de armazenamento, implementado na gestão do ex-presidente Augusto Melo.

Rafael Salomão disse ainda que conversou com Osmar Stabile após a divulgação do relatório, reforçando a necessidade de retomar o sistema anterior. Mesmo assim, a direção optou por manter os dois almoxarifados. Integrantes da atual gestão sustentam que a decisão foi tomada por entenderem que o estoque do futebol profissional deve permanecer no CT, se houver aprimoramento nos mecanismos de controle.

Procurado pela reportagem, Salomão preferiu não comentar a demissão. Já o clube informou que o funcionário citado já foi ouvido pela Comissão de Justiça e que seu desligamento não tem relação com o depoimento, mas sim com o processo de reestruturação administrativa em curso.

Relembre o caso

Como reportado pelo Meu Timão, Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do clube, entregou ao presidente Osmar Stabile, em 3 de novembro de 2025, uma auditoria de 94 páginas referente ao sumiço dos uniformes e equipamentos. O documento reuniu as conclusões das investigações, descreveu as fragilidades identificadas nos processos de controle dos materiais fornecidos pela Nike e apresentou recomendações para aprimorar a gestão de estoques tanto no CT quanto no Parque São Jorge — confira toda a auditoria aqui .

Além disso, a investigação apontou situações delicadas como compra desnecessária de materiais licenciados, peças deterioradas, desvio e comercialização de peças, má higiene nos locais de armazenamento e pedidos exagerados de retirada de materiais por parte do segundo vice-presidente Armando Mendonça, de outros diretores e até do próprio Osmar Stabile.

O documento ainda destacou a inexistência de um inventário formal no almoxarifado desde setembro de 2021. A falta de controle contribuiu para falhas graves no planejamento de materiais: mesmo tendo solicitado mais de 17 mil itens à Nike no início do ano, o clube não possuía camisas principais disponíveis para a partida contra o Fluminense, disputada em setembro .

Armando chegou a notificar extrajudicialmente Marcelo Munhoes pelas citações no relatório. Em entrevista ao Meu Timão, o vice-presidente negou desvio de materiais e se comprometeu a colaborar com as investigações no clube . O dirigente também se defendeu ao publicar fotos do almoxarifado , após críticas quanto às condições do local.

Veja mais em: Parque São Jorge e Diretoria do Corinthians.

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