Em 23 de abril é celebrado o Dia de São Jorge, santo padroeiro do Corinthians e que batiza a sede social do clube na região do Tatuapé. Luiz Antonio Simas, historiador e autor dos livros “São Jorge, o Santo do Povo” e “O Povo do Santo”, explicou a origem da ligação entre o Timão e seu padroeiro.
“Existem duas versões que envolvem a relação entre o Corinthians e São Jorge, e eu acho que elas se complementam. A primeira versão chama a atenção para o fato de que o Corinthians Paulista foi fundado com o nome inspirado no Corinthians de Londres, da Inglaterra, que excursionava pelo Brasil e que tinha como santo padroeiro São Jorge, que, aliás, é o padroeiro da Inglaterra também. A segunda versão lembra que o Corinthians foi fundado em 1910, no Bom Retiro, mas só conseguiu adquirir uma sede própria em 1926, sendo a Fazenda São Jorge, no Tatuapé. Endereço: Rua São Jorge, 777. Então, o fato de o Corinthians de Londres ter São Jorge como padroeiro e essa coincidência incrível de o Corinthians ter conseguido adquirir uma sede na Fazenda São Jorge, eu acho que isso explica a ligação do clube com o Santo do Povo”, iniciou em entrevista à Corinthians TV.
Em 2023, o clube lançou o documentário “Corinthians Minha História”, no qual o historiador Fernando Wanner contou os bastidores da aquisição do terreno, iniciada ainda em 1923. Segundo relatos da época, o clube buscava um local próprio após deixar a Ponte Grande. A área era uma zona rural, com árvores e próxima ao Rio Tietê. Após dificuldades na aprovação da compra, a figura de São Jorge foi introduzida nas reuniões do Conselho por Antônio Pereira, um dos fundadores do clube, unindo o santo padroeiro à Fazenda São Jorge.
O Corinthians comprou o terreno do Parque São Jorge (antiga Fazenda São Jorge) em 18 de agosto de 1926, oficializado pelo então presidente Ernesto Cassano no 6º Tabelião de Notas. A aquisição de cerca de 45 mil metros quadrados no Tatuapé tinha como objetivo a criação de um grande parque poliesportivo.
Em outro trecho, Luiz Antonio Simas destacou a importância de São Jorge para diversas religiões, bem como para os corinthianos, e apontou dois locais simbólicos do clube social que unem fé e tradição.
“São Jorge, no Brasil, é um santo que desce dos altares. E ele acaba cavalgando as ruas. É um santo muito popular no combate aos perrengues do dia a dia. Então eu costumo dizer que, de todos os santos que a gente tem, é aquele mais próximo, porque protege a gente das agruras do cotidiano, do transporte pesado, do senhorio que quer aumentar o aluguel, o dono do botequim que não vende fiado. Então, cotidianamente, São Jorge está do lado do povo. Isso dá a São Jorge uma característica absolutamente especial, porque ele é muito popular. Ele é um santo que transcende o catolicismo, porque ele está presente também não só nas igrejas, mas nos terreiros, nas rodas de samba, nas avenidas em que as escolas de samba desfilam. Ele está presente, enfim, em todo o nosso cotidiano. Por isso eu diria que é o santo do povo”, iniciou.
“Na sede social do Corinthians, existem dois locais de visita obrigatória: a Capela de São Jorge e a Biquinha, a água em que o sujeito que bebe acaba sendo consagrado a dois fenômenos religiosos, a gente pode falar isso, enfim, o cristianismo, evidentemente, mas o corinthianismo. Então, frequentar a Capelinha de São Jorge e beber da água da Biquinha é uma espécie de rito no corinthianismo. A relação entre o Corinthians e São Jorge é absolutamente umbilical, é íntima. Tanto que o clube já usou camisas com referências ao Santo Guerreiro. E, neste ano de 2026, mais especificamente no dia 23 de abril, vai ser inaugurada a estátua de São Jorge na Neo Química Arena. É mais um marco dessa relação entre o Corinthians e o Santo do Povo”, completou.
Durante o dia, o Corinthians promoveu uma série de eventos especiais em homenagem aos 100 anos do Parque São Jorge. A programação teve início com uma missa na capela do clube e será encerrada com a inauguração da estátua de São Jorge, que ficará na Neo Química Arena.
A estátua, intitulada “Cavaleiro Fiel”, ficará exposta nas proximidades da escadaria Arthur Alvim do estádio. A obra foi finalizada em 2014 e inicialmente seria instalada no entorno da Arena durante a Copa do Mundo, mas o projeto não foi concretizado à época. Desde então, o monumento ficou exposto no Parque Cecap, em Guarulhos, próximo ao Aeroporto Internacional de São Paulo, onde também está localizado o ateliê do artista. A estrutura é feita de aço inox e ferro e possui cerca de 25 metros de altura.