O problema é a falta de ideias, não de qualidade

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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O problema é a falta de ideias, não de qualidade

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O problema é a falta de ideias, não de qualidade

Fábio Carille montou o elenco com uma série de contratações

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

A conquista do Campeonato Paulista não foi a "cereja do bolo" do primeiro semestre do Corinthians. O motivo? Não tem bolo. Sem uma cara bem definida desde o início da temporada e sofrendo para criar oportunidades, a equipe alvinegra vai para a pausa da Copa América cercada de críticas.

No meio das discussões, a busca por um ou mais culpados é normal. Em meio ao típico imediatismo da análise do país, tudo se divide em: elenco fraco ou falta de ideias do comandante Fábio Carille? Muitos especialistas batem na primeira tecla, assim como a torcida, que insiste no folclórico "tira leite de pedra" para valorizar o professor.

Aproveitando deste espaço para abrir uma discussão, gostaria de destacar os motivos para acreditar que o cerne da questão está mesmo no técnico e não nas peças.

Escolhas a dedo

Desde que teve seu retorno confirmado ao Corinthians, Fábio Carille trabalhou junto da direção alvinegra para montar o elenco para 2019. Em diversas entrevistas, o comandante afirmou ter seus pedidos atendidos, classificando o atual plantel como o melhor que já treinou no CT Joaquim Grava.

Sim, concordamos que não temos nomes tão acima da média como Guilherme Arana, Maycon e Jô, por exemplo, mas há mais peças capazes de manter um bom nível de atuação - se bem distribuídas em campo. Com os nomes que temos do meio para frente, podíamos mostrar bem mais.

Estilo de jogo pouco exigente

Para muitos, a limitação técnica do plantel de Carille atrapalha na execução de suas ideias dentro de campo. Em algumas entrevistas, o próprio treinador creditou uma atuação ruim aos erros individuais, como contra o Santos. Mas aí é que está: o estilo de jogo alvinegro não exige a presença de craques.

Exemplificando melhor: Fernando Diniz sofre com a limitação técnica do Fluminense para aplicar sua filosofia, pautada na saída de bola trabalhada, jogo de posição e ataque de muita movimentação. Neste caso, a qualidade é de fato imprescindível para a engrenagem funcionar.

No Corinthians, por outro lado, Carille monta uma equipe extremamente defensiva, pautada nos contra-ataques. Urso, Jadson, Sornoza e Pedrinho teriam capacidade para se impor em campo, tomando a iniciativa ofensiva. No atual cenário, porém, costumam receber a bola com pouca opção de passe ou tendo mais de 40 metros pela frente até chegar ao gol adversário. A estratégia os atrapalha, não o contrário. Ou alguém enxerga um de nossos jogadores rendendo tudo que pode?

Se o problema fosse qualidade...

Fagner, Henrique, Manoel e Danilo Avelar de um lado. Júnior Urso, Sornoza, Pedrinho e Vagner Love do outro. Qual dos quartetos é melhor? Para mim, claramente o de jogadores de ataque.

Pois então. Mesmo com nomes bastante limitados atrás, Fábio Carille conseguiu dar certa solidez ao sistema defensivo do Timão. Com atletas mais qualificados na frente, tal evolução não ocorre. É um grande indício de que faltam ideias, não capacidade nas peças que tem para usar.

O técnico não consegue desenvolver seu trabalho ofensivo. E isso preocupa. Quando foi questionado sobre a postura defensiva, resolveu escalar a equipe com dois centroavantes, sem qualquer ligação dos meio campistas. Quando está perdendo, faz trocas bastante questionáveis e não consegue alterar o panorama em campo - a não ser pelo fator "abafa".

Além de tudo isso, é válido citar que equipes como o próprio Fluminense, já citado aqui, Botafogo e Santos jogam mais que o Corinthians, tendo, na minha opinião, elencos inferiores.

Diz aí, Fiel!

Mas e você, o que acha? Carille é o principal fator para a falta de produtividade do Timão ou o elenco é mesmo limitado e ele faz o melhor possível com isso? Como a equipe volta a jogar somente em julho, temos bastante tempo para discutir. Então, comenta aí!

Veja mais em: Fábio Carille.

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Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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