A cereja que nos falta é outra

Andrew Sousa

23 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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A cereja que nos falta é outra

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A cereja que nos falta é outra

Carille ainda não encontrou a melhor versão do Corinthians 2019

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

O primeiro semestre do Corinthians se arrastou. Mesmo com opções ofensivas interessantes, o time demonstrou uma antiga dificuldade para criar e foi, em grande parte dos jogos, inoperante do meio para frente.

Em meio a esse sofrimento, os torcedores mais calmos confiaram na palavra de Carille. Coletiva após coletiva, o discurso era o mesmo: a parada para a Copa América serviria para trabalhar e evoluir o ataque.

Chega a pausa. De 30 dias disponíveis para trabalhar, o plantel ganha 10 dias de folga. Se não bastasse isso, o clube ainda marca três amistosos - no interior de São Paulo, em Goiás e no Paraná. Perde-se mais tempo. Ainda assim, nada que justifique a primeira coletiva de Fábio Carille durante a pausa.

Antes muito otimista com o período, o comandante deu um banho de água fria na Fiel nesta sexta-feira. Pelas lesões de Clayson e Everaldo, disse com todas as palavras que "perdeu uma semana". Isso é inaceitável. E por muitos motivos.

Primeiro: como é possível condicionar uma evolução coletiva com apenas dois jogadores, sendo que um deles não tem sequer 90 minutos pelo clube? Se o problema é característica, o garoto Janderson não pode treinar na função de Clayson ou Everaldo? Falta coragem para lançar garotos. Mas, nem no treino?

Ampliando o debate, é um pouco claro que o problema ofensivo do Corinthians passa também pela saída de bola. Cravar a não-evolução da equipe mostra que essa deficiência embrionária pouco tem sido trabalhada - visto que o professor enxerga duas peças ofensivas como solução única dos problemas. A dupla de atacantes vai ajudar Ralf e Urso no início das jogadas?

A fala a respeito de Clayson e Everaldo, porém, não é a pior da coletiva do comandante. Em outra parte da entrevista, o técnico revelou pedido por três jogadores, definidos por ele como "cerejas do bolo". Aí é que mora o maior problema. Não há bolo.

Em um clube da magnitude do Corinthians e, claro, passando pelo momento financeiro que passa, um treinador de alto nível não pode escolher um sistema e esperar que jogadores cheguem para isso, entregando um futebol medíocre até que seus pedidos sejam atendidos. Trabalhar com o que tem é necessário.

E o atual plantel corinthiano não é terrível. Com ideias, inclusive, pode render um bom bolo. Desde o início do ano, Carille tenta encaixar jogadores a força em funções que não lhe são de costume, só para não sair de seu esquema pré-definido. O que mais acontece em grandes centros, porém, é o contrário. O treinador adapta suas ideias ao elenco. Buscar uma forma de tirar o máximo de cada atleta é o básico.

Ainda que possa esperar as "cerejas", quem garante que um ou dois jogadores entrem em um time desorganizado e resolvam os problemas? Jô era a cereja do time de 2017, porque havia um esquema muito organizado para coroá-lo. Repito: não há cereja, se não há bolo.

Para piorar as coisas, o discurso é incoerente. No início da temporada, Carille falou inúmeras vezes que teve todos seus pedidos atendidos, classificando o atual plantel como "o mais equilibrado" que já comandou no CT Joaquim Grava. Agora, sem fazer a equipe render, o problema é a falta de opções.

Discurso em março:

Eu tenho mais peças, mais alternativas, e agradeço mais uma vez ao presidente do Corinthians, a diretoria, porque eu não esperava, esperava que fosse chegar menos jogadores.

Discurso nesta sexta-feira:

Vai faltar muita coisa ainda. Não só eu sei disso, mas a diretoria também sabe da necessidade de jogadores com essas características. Então é deixar preparado já pra frente caso não tenhamos esses jogadores de profundidade.

Já com a milagrosa parada em curso, nem mesmo nosso treinador dá indícios de que o time vá evoluir. Ao contrário disso, prefere jogar toda a responsabilidade ofensiva do time em duas opções que sequer atuaram por mais de 90 minutos juntas. É preciso mais.

Hoje, afirmo sem medo de errar: reforços podem até ser a cereja do bolo, mas ainda falta muito para termos todo o resto. A cereja que mais nos faz falta é a do treinador, que aparenta ser refém de um único esquema e sem capacidade de extrair mais de um elenco que ele mesmo montou.

Veja mais em: Fábio Carille.

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Por Andrew Sousa

23 anos, formado em Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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