O que se pode esperar de Paul Pogba?
Opinião de Beatriz Maineti
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Pogba vive momento conturbado na carreira em meio a especulações no Corinthians
Foto: Twitter/Juventus FC
Há dois dias, a internet não fala sobre outra coisa. Paul Pogba, astro do futebol europeu, campeão da Copa do Mundo de 2018 com a França, disse em conversa com o influenciador Luva de Pedreiro e com o humorista Danilo Gentili que jogaria “de graça” no Corinthians para reeditar a parceria de sucesso com o atacante Memphis Depay, atualmente no Timão.
A notícia caiu como uma bomba no futebol brasileiro em meio a uma semana morna. Com o fim do Campeonato Brasileiro, o mundo esportivo estava desamparado de grandes temas. Um atleta saindo do time A, um ídolo se despedindo do time B e, no fim do dia, nada muito grande para preencher a grade dos noticiários. Até que surgiu um Paul Pogba disposto a jogar no Corinthians.
Ele, que não é bobo nem nada, também aproveitou a oportunidade para brincar com a situação. Nas suas redes sociais, postou uma foto com a camisa do Brasil e usou uma ampulheta na legenda. Se o fogo já se transformava em fogaréu, a gasolina adicionada pelo próprio jogador o transformou em um incêndio de grandes proporções.
A amizade com Memphis é um trunfo, a proporção do Corinthians para o cenário mundial é outro. Com a repercussão, o clube demonstrou interesse no jogador, mas só deve abrir negociações se encontrar um parceiro disposto a arcar com os vencimentos de Pogba.
É possível? É claro que é. Difícil? Também. Mas se tem uma coisa que o ano de 2024 ensinou para os corinthianos é que dificuldade nenhuma é um empecilho definitivo. Paul Pogba é aquele jogador que, se render 5% do seu potencial total, deita e rola na maior parte das ligas mundiais. Com 10%, então, vira ídolo, e sonha com o status de realeza se chegar aos 15%. Para os torcedores do Timão, o efeito Memphis ainda está fresco na memória por tudo o que o holandês fez em apenas três meses, mesmo jurando que não estava em sua forma ideal.
A questão é que Memphis Depay e Paul Pogba vivem momentos muito distintos em suas carreiras antes de uma possível vinda para o Corinthians. Mas calma, que este texto não é um apelo para que Pogba não desembarque no Parque São Jorge. Pelo contrário! É apenas uma contextualização.
Enquanto o holandês havia jogado a Liga das Nações com a sua seleção e chegado a uma semifinal, o francês amarga uma longa suspensão por doping. Em setembro de 2023, o jogador foi condenado a quatro anos de suspensão por ter apresentado traços da utilização de testosterona sintética, uma droga que aumenta a resistência do atleta, após uma partida entre Juventus, onde atuava, e Udinese, pelo Campeonato Italiano. A suspensão foi um baque forte e ele cumpriu mais de um ano dela antes que o caso fosse novamente avaliado, agora pela Comissão Arbitral do Esporte (CAS).
A entidade optou por diminuir a pena, mas não extingui-la. Com isso, a suspensão por quatro anos tornou-se um afastamento por 18 meses, sendo que 15 deles já foram cumpridos até aqui. Assim sendo, Pogba poderia voltar a atuar profissionalmente no futebol em março de 2025. Até lá, porém, não tem autorização nem ao menos para treinar em um centro de treinamento profissional.
Ou seja, ao contrário do amigo holandês, Pogba não tem mais acesso a um ambiente futebolístico há mais de um ano e conta os segundos para que isso se encerre. Nesse meio tempo, encerrou seu vínculo com a Juventus, clube para o qual havia retornado em 2022. E é aí que mora o outro ponto que precisa ser tratado sobre o jogador.
Entre 2022, em seu retorno ao futebol italiano, e 2023, ano em que sofreu a suspensão, Pogba atuou apenas 12 vezes pela Juventus. Seu desempenho foi diretamente afetado por lesões que o tiraram de combate por grande parte das duas temporadas que disputou com a equipe.
Sem jogar há mais de um ano e treinando por conta, seria Paul Pogba um bom nome midiático para a temporada de 2025? Para mim, a resposta é muito clara: sim. O futebol e a qualidade técnica do jogador de 31 anos não são garantias de que ele vá dar certo no Corinthians. Sendo muito sincera, nada é! Mas esses fatores não podem ser deixados de lado.
Em um cenário em que o Corinthians encontre o parceiro disposto a bancar Paul Pogba, o jogador já poderia começar a frequentar o CT Joaquim Grava em janeiro. Sua estreia distante, que só pode acontecer, por determinação legal, em março, permitiria ao meia trabalhar o condicionamento físico, criar entrosamento com os companheiros de equipe e até tempo para que Ramón Díaz o conheça bem o suficiente para esboçar um desenho de jogo que conte com ele.
Esse período de introdução ao clube, aos costumes brasileiros e aos seus companheiros poderia fazer com que a adaptação de Pogba fosse feita com calma, sem pressa, sem percalços. Mas é claro que o período sem jogos pesa, que o distanciamento de um ambiente competitivo também. Não podemos nos esquecer.
A questão é que Pogba pode ser mais um exemplo vivo do poder do Corinthians para jogadores de altíssima qualidade e que, por qualquer motivo que seja, precisam voltar a provar seu valor. Um atleta nessas circunstâncias encontra uma de duas opções no clube: ou o peso da camisa o fortalece e permite que ele volte a alçar grandes voos, ou ele o puxa para baixo. Não tem outra alternativa!
Se, por um acaso, vier, Pogba precisa estar pronto para a magnitude do Corinthians. Se estiver, o Corinthians pode ser sua volta por cima.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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