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O que o Corinthians pode aprender com João Pedro Tchoca?
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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O que o Corinthians pode aprender com João Pedro Tchoca?

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O que o Corinthians pode aprender com João Pedro Tchoca?

João Pedro Tchoca aproveitou a oportunidade de empréstimo para voltar e se tornar titular do Corinthians

Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão

João Pedro Tchoca, o zagueiro do Corinthians que saiu de um empréstimo para o Ceará para se tornar titular entre os corinthianos, tem sido uma pauta constante no noticiário esportivo. Campeão da Copa São Paulo de Futebol Jr. pelo clube do Parque São Jorge em 2024, o jovem foi promovido ainda no ano passado, mas não conseguiu encontrar seu espaço entre os titulares do time principal.

Apesar das cobranças para que ele fosse testado na equipe profissional, Tchoca amargou o banco de reservas em um ano conturbado do Corinthians e, já no segundo semestre, acabou emprestado ao Ceará para o fim da luta da equipe cearense pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Sua ida temporária à Série B gerou certa surpresa, e muita gente chegou a especular se ele não estaria sendo “descartado” pela comissão técnica.

Com o passar do tempo, esta teoria foi totalmente desmentida. Enquanto João Pedro Tchoca buscava seu espaço entre os titulares do Ceará, que já encaminhava sua classificação de volta à elite do futebol nacional, a diretoria e a comissão técnica do Corinthians seguiam atentos à evolução do jovem e acompanhavam de perto seu desenvolvimento. Fabinho Soldado, executivo de futebol do clube, manteve contato direto com o zagueiro ao longo de todo o seu período de empréstimo, e garantiu a ele que sua chance no Timão chegaria.

Protagonista do acesso cearense, Tchoca sofreu o assédio da diretoria para que permanecesse no time que, em 2025, enfim voltaria a disputar a Série A. O Corinthians, porém, negou a proposta de extensão de seu vínculo de empréstimo e rechaçou qualquer possibilidade de venda do atleta. O zagueiro seria reintegrado ao elenco e utilizado por Ramón Díaz.

Logo na estreia do Corinthians, contra o Red Bull Bragantino, João Pedro Tchoca figurou entre os titulares. Destaque ao lado de Cacá, o jogador se firmou como parte importante da composição defensiva do “segundo time”. Jogando pelo lado esquerdo da zaga, o jogador passou a impressão de estar sendo treinado por Ramón Díaz para, quem sabe, jogar ao lado de André Ramalho - titular do time principal e que tinha, recentemente, perdido seu companheiro Gustavo Henrique para uma lesão no início da temporada.

A torcida pediu chances para o garoto no time titular. Dentro de campo, Tchoca também pediu. Ramón atendeu. Sua primeira oportunidade entre os titulares surgiu no Dérbi, quando foi colocado para formar uma linha de três zagueiros ao lado de Cacá e André Ramalho. O jogador também se destacou e, contra o Santos, figurou entre os 11 iniciais na Neo Química Arena.

Quem assistiu João Pedro Tchoca nas categorias de base e agora o acompanha no time principal nota uma clara evolução no zagueiro. Seu crescimento passa diretamente pela minutagem e pela maturidade que adquiriu quando disputou a Série B pelo Ceará. Ao contrário do que se pensa, a segunda divisão do Campeonato Brasileiro não é um torneio fácil e exige, mais do que qualquer coisa, do mental de cada atleta.

João Pedro Tchoca aproveitou a oportunidade que se desenhou à sua frente e não fugiu da responsabilidade. Absorveu o que precisava, pegou o ritmo que um time de expressão precisa apresentar quando busca seu retorno à elite do futebol e pegou os macetes do futebol profissional. Ele agora sabe quando subir para buscar a bola e quando correr mais do que o atacante, controla os piques de corrida e se posiciona bem.

Esse é o tipo de coisa que as categorias de base ensinam, mas não colocam à prova. O ritmo do futebol profissional praticado não se projeta nos torneios juniores, e justamente por isso não é possível exigir de um garoto recém-promovido a noção de bola que um time principal exige.

No fim das contas, contei toda essa história para dizer que a decisão do Corinthians de emprestar João Pedro Tchoca para um time de Série B que sonhava com o acesso e que batalhou para conquistá-lo foi uma decisão mais do que acertada. Dito isso, por que não repetir a dose?

O Corinthians tem em suas mãos um lateral-direito inteligente, com boa leitura de jogo e com entendimento de campo e bola. Ele, porém, não tem minutagem e ritmo de jogo, apesar de ter sido presença constante no time principal há pelo menos dois anos. Apesar de ser relacionado com certa frequência, Maná soma apenas 23 jogos disputados pela equipe principal. Até pouco mais de um mês, vale lembrar, ele era a terceira opção para a lateral direita, e acabou de iniciar seu primeiro ano sem participar da Copinha.

O mesmo vale para Donelli, um goleiro criado no clube e com grande potencial esportivo, mas com apenas 22 anos. Goleiros se desenvolvem mais tarde que os jogadores de linha e sofrem mais com adaptações. Donelli passou anos como terceira opção entre os arqueiros do Corinthians e, abruptamente, virou a única opção para um time que havia perdido um ídolo e uma promessa. Sua situação foi amenizada pela chegada de Hugo Souza, mas o atual camisa 1 colocou um parâmetro muito alto para construir qualquer tipo de reputação.

Dessa forma, o efeito João Pedro Tchoca não pode ser utilizado para buscar desenvolvimento para peças como eles, especificamente? Não seria bom para eles, profissionalmente, e até para o Corinthians, buscar uma nova oportunidade em clubes que lhes darão minutos em uma busca mais assertiva pela regularidade?

Veja mais em: João Pedro Tchoca, Diretoria do Corinthians, Léo Mana e Matheus Donelli.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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