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A arte de apontar dedos
Beatriz Maineti

Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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A arte de apontar dedos

Maycon se tornou uma representação dos erroa do Corinthians

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Para aqueles que respiram o futebol brasileiro, assim como eu, este um mês de inatividade devido à Copa do Mundo de Clubes da FIFA tem sido um tormento. Entre um jogo e outro do novo torneio internacional da principal entidade futebolística, é inevitável pensar na situação do Campeonato Brasileiro e de todas as outras competições que estão acontecendo neste momento no Brasil.

Foi numa dessas que eu me peguei, mentalmente, analisando peça a peça do Corinthians e tentando improvisar o famoso - e temível - tier list da janela de transferências do meio do ano. Para além daqueles que são considerados negociáveis, dispensáveis e, principalmente, os indispensáveis, percebi que voltava sempre aos mesmos nomes, andando em círculos para justificar meus próprios pré-conceitos sobre cada um deles.

Depois de muito tentar explicar meus motivos, fiquei pensando no que cada jogador carrega nas costas além do próprio desempenho. A torcida se cansou de alguns nomes que se tornaram “figurinhas carimbadas” entre os criticados, e me percebi incapaz de separar apenas o campo e bola dos pormenores de suas contratações e, por vezes, da manutenção no elenco.

Um dos grandes exemplos de um desses casos é Maycon, que, de forma bem justificada, me deu a fama de “perseguidora”. Comecei a perceber que, no alto do ânimo do jogo, o camisa 7 do Corinthians não consegue acertar na minha análise, mesmo quando acerta - o que também acontece.

Ao tentar explicar para mim mesma por que os acertos não pesam tanto quanto os erros, não consegui fugir de explicações que giravam em torno dos bastidores diretivos do Corinthians em tudo o que diz respeito ao Maycon. Pensei na sua contratação em 2022, mantendo a tradição nociva de “repatriar” ex-atletas, a cara renovação do seu vínculo de empréstimo junto ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, depois de uma temporada ruim, seguida por mais uma extensão contratual mesmo com uma sucessão de lesões e pouco tempo de atividade.

Para piorar a situação, a equipe ucraniana ainda acionou o Corinthians na FIFA por conta do não pagamento da taxa de empréstimo cobrada pelo volante. O clube do Parque São Jorge deve cerca de R$ 6,5 milhões ao Shaktar pelas renovações do vínculo de Maycon em 2023 e 2024.

A questão, porém, é que nada disso é culpa do Maycon. Não foi exclusivamente dele a decisão de renovar o vínculo de empréstimo; muito pelo contrário. Dois presidentes do Corinthians - Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo - tomaram a decisão de, inicialmente, contratar e, depois, manter o jogador no elenco apesar do alto custo e da série de lesões sofridas. Foram eles, também, que aceitaram os termos impostos e assinaram os contratos.

No fim das contas, Maycon vira a representação física de erros que, financeira e esportivamente, prejudicaram o Corinthians. O volante não pode ser poupado das críticas por seu desempenho dentro de campo, mas ele deve ser acionado pelo seu trabalho, não por questões administrativas que não foram tão corretamente tratadas nas salas do Parque São Jorge.

Maycon é apenas um exemplo particular. Félix Torres, que carrega o peso da saída conturbada de Lucas Veríssimo por nunca ter conseguido substituí-lo; Igor Coronado, por seu alto salário inicial; Pedro Raul, pelo tempo de contrato oferecido, também são outras alternativas.

Talvez esta seja mais uma prova cabal de como as decisões políticas e administrativas interferem na percepção futebolística do Corinthians. Não dá para pedir para que o torcedor, no auge da sua paixão, seja capaz de separar o Parque São Jorge do CT Joaquim Grava 100% das vezes.

Os responsáveis pela caneta no Corinthians demonstram, continuamente, sua irresponsabilidade. Dentre todos os exemplos recentes da falta de cuidado com o clube, este talvez não seja os mais grave, mas é uma nova gota de água somada a um balde que já transborda há muito tempo.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians e Maycon.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Apaixonada pelo futebol, mas, antes de tudo, feita de Corinthians. O mundo em preto e branco é mais bonito.

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