O futebol brasileiro é para amadores

Coluna do Bruno Teixeira Rolo

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Falta evolução

O futebol brasileiro é para amadores

O futebol brasileiro perde uma oportunidade de debater e progredir, de maneira conjunta, a profissionalização da gestão dos clubes

Foto: Bruno Teixeira

O futebol brasileiro é para amadores

Você já deve ter ouvido a frase que o Brasil não é para amadores, não é mesmo? Talvez esta frase faça sentido em muitos frentes no nosso país, contudo no que se refere a modelos de Governança e Gestão do Futebol Brasileiro o que predomina é o amadorismo mesmo. Amadorismo este representados em cargos estatutários sem remuneração prevista, pela ausência de critérios de competência/experiência para o preenchimento de cargos de liderança e tomadas de decisão, ou até mesmo na ausência de metas profissionais claras aos acionistas dos clubes, os sócios.

Todas as culturas que deram origem aos clubes sociais, que posteriormente vieram a ser os clubes de futebol seculares no Brasil, foram herdadas do velho continente europeu, e ao longo do Século XX os clube desempenharam uma grande importância social e desenvolvimentista para o esporte nacional, de base e profissional. Contudo no final do século passado, a pressão por grandes resultados profissionais promoveram uma ruptura nos modelos de gestão amador nos clubes europeus, e proporcionaram a profissionalização da sua gestão e inclusão destes clubes no setor formal economicamente responsável pela sua sustentabilidade e responsabilidade fiscal.

Contudo, o que vemos no Brasil no inicio de 2020 é uma profunda alienação do debate por parte do jornalismo esportivo, quanto a necessidade de profissionalizar a gestão, seja qual agenda ou modelo adotado na Europa possa ser utilizado como parâmetro para o mercado brasileiro. E elementos para que este debate venham a tona não faltam, basta avaliar a quantidade de clubes em situação financeira deficitária pré pandemia, o que aconteceu a partir da interrupção de parte das receitas vindo de patrocínios e verba da TV é apenas uma “gripezinha ou resfriadinho” para um paciente com inúmeras comorbidades nos órgãos vitais.

Tudo parou, problemas financeiros colocaram todos no mesmo patamar e não se discute um novo modelo de se fazer futebol de modo equilibrado e com menos influencia política nos clubes. O que se ouve nos programas desportivos e veículos jornalísticos são avaliações técnicas até o momento da parada, comportamentos pessoais de atletas diante do isolamento social, e agora no final de abril e início de maio o agravamento da situação financeira, óbvio para quem teve sua atividade interrompida e sem perspectiva de retomada.

Para quem acompanha o futebol europeu além das quatro linhas, palavras como “fair play financeiro”, “compliance” ou “governança corporativa” estão presentes no cotidiano dos noticiários da imprensa dos clubes protagonista europeus. Acreditem em mim ou não, estes elementos de gestão fazem uma enorme diferença quando se estuda “Gestão de Crise” diante de uma grave situação de mercado ou perda enorme de credibilidade da imagem e marca de um clube de futebol, seja posta por inadimplência sistemática ou por incapacidade financeira de cumprir as metas prometias aos acionistas.

Não consegui encontrar nenhuma matéria na imprensa que, neste momento de reflexão mundial de como serão as coisas daqui em diante, sobre um debate promovido pela CBF ou FPF quanto a uma nova forma de gerir o futebol brasileiro. Permitir que os clubes decidam politicamente seus interesses internos e definam a sua forma e jeito de atender seus torcedores, ansiosos e apaixonados por resultados em campo, vem apresentando que o efeito colateral disto é o enfraquecimento do próprio mercado interno e por consequência da modalidade. Durante a semana pudemos acompanhar inúmeras matérias que elencaram resultados insatisfatórios no balanço do Corinthians, e não é muito difícil encontrar casos semelhantes nos demais clubes da Série A e Série B.

Lamento que mais uma vez o futebol brasileiro perde uma oportunidade de debater e progredir, de maneira conjunta, a profissionalização da gestão dos clubes, colocando metas e resultados em uma agenda de recuperação deste setor em evidente declínio e eminente colapso estrutural. A criação de ligas profissionais, a transição organizada para clube-empresa e responsabilização dos gestores pelos déficits nos clubes de futebol brasileiro realmente não são para amadores.

Veja mais em: Pandemia do coronavírus.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Bruno Teixeira Rolo

Por Bruno Teixeira Rolo

Mestrando em Gestão do Esporte, entende que o futebol vai além das quatro linhas e gosta de analisar o comportamento do torcedor e sua relação com o clube de coração.

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