E se você fosse o Corinthians e Arena fosse a sua casa?

Danilo Augusto

Corinthiano e programador dedicado que tem um orgulho imenso de ter criado essa comunidade chamada Meu Timão.

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E se você fosse o Corinthians e Arena fosse a sua casa?

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E se você fosse o Corinthians e Arena fosse a sua casa?

Casa de Chiquinho Corinthiano, famoso torcedor de Olímpia, interior de SP

Foto: Reprodução / Site oficial do Corinthians

Bom, eu não sou nenhum especialista em números, mas vou tentar explicar mais ou menos as contas da Arena Corinthians, dividindo por mil para tornar mais tangível. Para efeito de comparação, vou equiparar o orçamento de um trabalhador comum com as despesas e receitas do estádio corinthiano.

A Arena Corinthians, de bilheteria, faturou cerca de 73 milhões em em 2015. Um trabalhador não ganha isso nem ferrando, mas pode ganhar, com sorte, um milésimo disso (R$ 73 mil por ano ou R$5.650 por mês + 13º). Um salário alto, acima de 95% da população brasileira, mas ainda possível para profissionais especializados.

Vamos supor que esse trabalhador pediu financiamento na Caixa Econômica para construir uma casa própria. Uma mansão, na verdade, linda, de mármore, com acabamento de primeira, e perfeita para abrigar toda a família. O banco aprovou o financiamento e ele conseguiu construir a casa mais linda da cidade, exatamente igual ao que o Corinthians fez com a Arena.

Mas aí, terminou a obra e a conta chegou. Seguindo a proporção comparativa, esta casa custou um milionésimo do preço da Arena Corinthians, algo em torno de R$1.100.000,00. Parece pagável? Não! E só com aquele salário de 73 mil ao ano não é mesmo. Pensem que ele precisa usar também parte do salário para as despesas do dia a dia, exatamente como o Corinthians, sobra cerca de 65% só do salário para pagar o financiamento.

Tem um porém também. A mansão era tão legal que ele pensou em colocar um outdoor gigante na frente da casa, no jardim, e ganhar uma graninha de publicidade com isso. Cobraria R$1.666 por mês (R$20 mil por mês ou R$20 milhões por ano na proporção do Naming Rights). Só que nenhuma marca quis colocar outdoor naquele lugar. E ele, que contava com esse dinheiro, teve que lamentar o fato de o mercado estar tão em baixa (ou de repente, de não ter vendido um pouco mais barato).

Esse trabalhador ainda tem uma carta na manga: um outro imóvel que ele não usa, mas vale R$ 400 mil reais. Só que não está fácil de vender. É o mesmo caso do Corinthians com as CIDs, que valem R$ 400 milhões, mas estão emperradas por problemas jurídicos que não deveriam acontecer e aconteceram. Aqui é Brasil, tudo o que pode complicar, complica. Se eles (tanto o trabalhador, quanto o Corinthians) conseguissem vender esse ativo, facilitaria muito, mas até agora nada.

O trabalhador também poderia fazer uns freelas, ganhar mais dinheiro e procurar novos clientes já que as pessoas adoram ele. Conseguir mais trabalho e alavancar as receitas não é impossível, mas requer muito esforço e tempo. Em paralelo, o Corinthians também pode fazer novas iniciativas, porém, não há nada que prometa dobrar o faturamento da Arena do dia pra noite.

O lado bom é que o financiamento foi ótimo. O trabalhador só vai começar pagar a parcela integral depois de 2 anos que a casa foi completamente construída. O lado ruim é que a parcela é de R$10.000, e ele continua ganhando basicamente R$5.650 por mês e ainda tem um monte de despesas da casa para pagar...

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Por Danilo Augusto

Corinthiano e programador dedicado que tem um orgulho imenso de ter criado essa comunidade chamada Meu Timão.

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