Papel de filho

Danilo Augusto

Corinthiano e programador dedicado que tem um orgulho imenso de ter criado essa comunidade chamada Meu Timão.

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Papel de filho

Eu e minha irmã, corinthianos, e meu pai palmeirense no Allianz Parque

Foto: Arquivo Pessoal

Meu pai é palmeirense.

Toda vez que eu falo a frase acima para alguém, gera uma certa surpresa: "Mas como? Você fez o Meu Timão!". Pois é, a vida dá dessas. Pai palmeirense, mãe corinthiana e, na real, nenhum dos dois ligava muito pra futebol. Minha irmã (mais velha, isso é importante) é corinthiana também.

Em meio ao dilema e sem incentivos para gostar de futebol (exceto os amigos que jogavam bola na rua), um acontecimento mudou a história de tudo. Quando eu tinha sete anos (em 1990), um gol chorado do Tupãzinho contra o São Paulo me fez gostar de assistir o esporte e, consequentemente, do Corinthians. Vocês conhecem bem esse gol, ele marcou a conquista do nosso primeiro Campeonato Brasileiro.

Meu pai nunca se opôs à minha escolha. Na real, durante boa parte da minha infância ele foi ausente, embora responsável. Nunca faltou nada em casa, mas nunca ganhei uma camisa de futebol, e ele nunca me levou no estádio. Talvez tudo pudesse ser diferente, pensa só.

Aos 11 anos, vi o Corinthians jogar ao vivo pela primeira vez. Fui com meu finado padrinho. Eram 50 mil pessoas no Pacaembu (outros tempos). Empatamos em 1 a 1, Casagrande fez o gol do Timão, e eu não parava de olhar para as arquibancadas.

À medida em que eu e minha irmã íamos nos interessando por futebol, o esporte começou a ter presença na mesa de jantar. Aos poucos rolava uma pequena rivalidade, nada demais. Acho que nossa única discussão por clubismo foi em 1999, Libertadores. O placar era de 2 a 0 para eles no primeiro tempo, e veio esculacho do lado de lá, exagerado. Quando empatou em 2 a 2, eu, adolescente, também não me segurei.

O clima ficou tenso na sala. Quando acabou o jogo, ele preferiu sair de casa, viu a decisão nos pênaltis em outro lugar. Quando voltou, já não havia intimidade para qualquer espécie de chacota, estávamos brigados. Como acontece em muitas famílias, nossa relação só melhorou muito quando saí de casa. Ele mudou, eu também e hoje nos damos muito bem, obrigado.

Quando criei o Meu Timão, em 2009 (na verdade se chamava "Notícias do Corinthians"), não contei para ele, não tinha nenhuma pretensão. Mas em 2012, quando decidi pedir demissão do trabalho para cuidar exclusivamente do site, ele não entendeu muito. Eu tinha um emprego bom, e ele é de outra geração né, aquela que valoriza estabilidade e carteira de trabalho assinada. Bom, deu certo aqui. Desde então ele fala do site com o maior orgulho para os amigos da rua, do bar, de qualquer lugar.

Semana passada, veio da minha irmã a ideia de levá-lo para conhecer o Allianz Parque. Hoje ele tem 65 anos, já para até em vaga de estacionamento de idoso (e se orgulha disso). Ele não gosta muito de sair de Pirituba, achei que não iria aceitar, mas topou. Então fomos nós três no estádio do rival, hoje, às 11 da manhã.

Ela comprou os três ingressos. Nos encontramos em frente à bilheteria, lá na Rua Turiassú. De 80 pessoas que fizeram o tour, 75 eram palmeirenses. Digo isso porque perguntaram se alguém não torcia para o Palmeiras, eu respondi que sim, que sou torcedor do Corinthians. De toda forma, fui muito bem recebido, tivemos uma manhã de domingo agradável. No final do tour ele gostou de uma camisa na loja, passei no cartão de crédito e comprei para ele.

Hoje fiz papel de filho, espero um dia fazer papel de pai, na Arena Corinthians.

Veja mais em: Derbi e Torcida do Corinthians.

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