A pior segunda-feira dos últimos anos

Jorge Freitas

Colunista esportivo do portal 'No Ângulo', este internacionalista é mais um louco do bando e busca analisar o Timão com comprometimento com a realidade e as necessidades do maior clube do planeta.

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A pior segunda-feira dos últimos anos

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A pior segunda-feira dos últimos anos

Otero em mais um capítulo da série 'ganha muito, joga pouco'

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Ao se tratar do Corinthians, é impossível dar "bom dia" nesta segunda-feira. Incapaz de vencer o rebaixado Vasco na conclusão de mais uma temporada patética, bem aquém das pretensões do clube e da Fiel Torcida, o clima de fim de festa é terrível.

Ainda resta uma rodada para o final do Campeonato Brasileiro e não temos mais nada para disputar. Mesmo com oito vagas disponíveis para a Libertadores da próxima temporada, o que representa 40% do total de clubes da série A, ficaremos na Sul-Americana, ainda correndo o risco de ver a Copa do Brasil se desmoronar logo no começo nessas loucuras de jogos únicos contra times de menor expressão na casa do adversário.

Ficar em 9º, 10º ou 11º nesse momento é indiferente. Nada apaga a incapacidade de se formar um time para disputar um campeonato de nível baixíssimo, cujo título nenhum clube foi capaz de segurar e aparentemente acabou entregue de bandeja para o Flamengo, que trocou duas vezes de treinador durante o ano e chegou a segurar a lanterna no início da competição.

É o preço que se paga por tantas escolhas erradas durante tanto tempo. Não merecíamos mais três anos de Sanchez, cuja incompetência era declarada, mas disfarçada pelas conquistas do início da década. Estava claro que o ex-presidente seria incapaz de reerguer o clube, haja vista seu fetiche por negociações estranhas, como por exemplo tantas contratações para o sub-23 e também para o profissional, além, claro, da arena de mais de um bilhão de reais.

Não me lembro, nesses últimos dez anos, de ter vivido um fim de temporada tão lamentável. Em 2018, ficamos livres do rebaixamento nas últimas rodadas, mas havia um sentimento de grandeza, afinal ainda éramos os atuais campeões brasileiros e aquela temporada poderia ser apenas um acidente de percurso. Em 2019, mesmo pateticamente e com a ajuda de Gabigol na final da Libertadores, conseguimos uma vaga para a competição sulamericana, o que inegavelmente nos trouxe um sentimento de que ao menos algo foi conseguido no Brasileirão.

Já agora, é nada, nada e mais nada. Não fomos superiores a times que brigaram para não cair. Não somamos mais pontos que clubes como Fluminense e Santos, com folhas salariais bem abaixo da nossa. Sequer montamos um time equilibrado, já que sobram opções (nem tão boas) para as vagas de volante e ponta, mas jogamos com dois centroavantes de 33 e 35 anos, além de poucas opções nas meias, nas zagas e nas laterais.

Fomos iludidos (eu não!) até por um venezuelano que nunca jogou bola, mas é claro que, somente por ser estrangeiro, recebeu aval para vir ganhar muito e ser titular do time por tanto tempo. Estou até agora à espera daqueles que printaram minha crítica à contratação de Otero e prometeram me cobrar posteriormente.

Aliás, não faltam no Corinthians personagens de uma série que poderia ser chamada de "ganha muito e joga pouco".

Mas nem tudo isso foi pior. Nada foi mais triste na temporada que ver a euforia de torcedores em volta da contratação do francês que marcou o gol que eliminou o maior rival do Mundial neste mês. Sim, o lobby pela contratação de Gignac chegou a ser verdadeiro e demonstrou como estamos à perigo de vivermos mais com a felicidade da derrota alheia que de nossas próprias vitórias.

Em 2016, sete anos após vencer o Cruzeiro na Libertadores, Juan Sebastián Verón foi homenageado pela diretoria do Atlético-MG pela vitória frente ao rival. Mais humilhante impossível. O Galo, que, sabemos bem, é quase incapaz de ganhar títulos de expressão, teve como grande conquista da temporada a derrota do rival, algo que lembra exatamente o que passamos neste ano.

Mas o Corinthians não é o Atlético. O Corinthians é muito maior que o Atlético. Mas nesse momento está a 15 pontos de diferença do clube mineiro, assim como está abaixo de Fluminense, Santos e Internacional, clubes com folhas salariais menores e que não possuem nem uma parte da capacidade financeira que possuiríamos caso fôssemos gerenciados por pessoas realmente competentes.

E agora a temporada 2021 vem aí. Mas com qual ânimo se sabemos que não há grandes esperanças de montagem de um bom elenco, mas ao mesmo tempo não veremos a folha salarial abaixar facilmente com tantas contratações duradouras que recebem 200, 300, 400 mil reais por mês?

Nem mesmo o que falamos é levado a sério, pois quando eu disse, aqui também, após a vitória suada contra o rebaixado Coritiba, que o Corinthians tinha um time fraco de meio de tabela e que a euforia em cima de Vagner Mancini era muito mais por conta da fase péssima vivida com Coelho que pelas qualidades do novo treinador fui amplamente criticado.

Ou você ainda acha mesmo que será Mancini, com um título de expressão na carreira e passagem por mais de 15 clubes diferentes em 16 anos, quem levará o Corinthians de volta ao topo do Brasil?

Uma segunda-feira de luto para o torcedor que se acostumou a ver o Timão como maior do país.

Veja mais em: Elenco do Corinthians e Campeonato Brasileiro.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Jorge Freitas

Colunista esportivo do portal 'No Ângulo', este internacionalista é mais um louco do bando e busca analisar o Timão com comprometimento com a realidade e as necessidades do maior clube do planeta.

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