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Tapa na cara
Willian não soube lidar com a torcida corinthiana; Memphis, por outro lado, está nos braços do povo
Foto: Agência Corinthians
Memphis Depay dá recado a Willian em apenas dois meses no Corinthians
Opinião de Lucas Faraldo
Em semana de data Fifa, talvez as imagens mais marcantes do futebol brasileiro desde a última segunda-feira tenham sido protagonizadas por Memphis Depay durante sua folga no Corinthians. Mais uma vez, o craque holandês foi flagrado nos braços da galera numa quebrada no ABC Paulista.
A cena é marcante porque é incomum. Criou-se no futebol contemporâneo uma bolha na qual jogadores, técnicos e até dirigentes se tornaram intocáveis. Como se pertencessem a uma casta superior à dos meros mortais - no universo futebolístico, esses seriam representados pelos torcedores.
No mundo do Corinthians, Willian foi o recente exemplo perfeito do que não fazer. Antes mesmo da volta, o craque de anos e anos de Premier League e Seleção Brasileira já demostrava em entrevistas medo de lidar com os torcedores brasileiros. Quando voltou, bastou um ano pra alegar que não conseguia se sentir seguro saindo de casa ou sequer abrindo suas redes sociais como jogador corinthiano.
O contraste com Memphis é gritante. Precisou um holandês pisar no Brasil falando em propósito de resgate das matrizes africanas e passeando de Havaianas na favela pra dar uma lição não só em Willian como em praticamente qualquer jogador de futebol que se diz identificado com torcedores e clubes mas raramente coloca os pés pra fora de seus condomínios de luxo.
Jogador de futebol também é gente. Gente como a gente. Torcedor também é gente. Gente como a gente. Jogador em sua grande maioria é também torcedor. Gente como a gente.
Mais recentemente, Marcelo foi quem protagonizou cenas constrangedoras em solo brasileiro. O craque multicampeão pelo poderoso Real Madrid se mostrou incapaz de ser literalmente tocado - seja por torcedores do Fluminense, seja pelo próprio treinador. Engraçado que pra abraçar Cristiano Ronaldo nos tempos de futebol espanhol não havia problema...
No fim das contas, uma combinação de fatores é que determina se jogador x ou y se torna ídolo de uma torcida - geralmente mais associados ao que acontece dentro de campo. No Fluminense, campeão da Libertadores, Marcelo entrou de vez nesse hall mesmo com seu comportamento questionável. No Corinthians, vindo do Terrão e de família alvinegra, mas emplacando fracassos dentro de campo, Willian perdeu a oportunidade.
Fica agora a torcida de todas as pessoas da "casta dos mortais" pra que o também mortal Memphis Depay entre pra lista de ídolos corinthianos. Cenas marcantes ele já vem protagonizando...
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.





