Sobre os tais Naming Rights

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Sobre os tais Naming Rights

Corinthians tenta ganhar R$ 400 milhões com a operação

Foto: Daniel Augusto Jr./ Agência Corinthians

Pela primeira vez, escrevo neste espaço sobre um assunto polêmico, às vezes chato, mas muito importante para o futuro financeiro do clube.

Não escrevi antes porque não gosto de blá blá blá. E esta novela está cheia de blá blá blá.

Vamos aos fatos:

O Corinthians tenta vender os direitos do nome da Arena em Itaquera há mais de quatro anos, desde o início da construção do estádio.

Os valores pedidos pelo clube, de R$ 400 milhões por 20 anos, ajudariam muito no pagamento da obra. Na verdade, adiantariam este pagamento.

Quem controla a Arena?

Ao contrário do que muitos pensam, não é só o Corinthians. É um fundo administrado separadamente do clube e que conta com três sócios: Corinthians, Odebrecht (construtora responsável pela obra) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que emprestou dinheiro para a obra).

A empresa que comprar os direitos do nome da Arena, não apenas emprestará sua marca, mas se tornará uma das sócias deste fundo. Com direito a lucro com venda de ingressos, camarotes no estádio, visitas programadas, ações de marketing, etc.

Não é como comprar uma placa de publicidade, como alguns imaginam. É se tornar parte do estádio.

Para que isso aconteça, a empresa precisa cumprir alguns compromissos, pois se tornará parte de uma parceria público-privada. O BNDES, por exemplo, exige que a empresa candidata tenha patrimônio comprovado no valor do dobro do patrocínio.

Se o valor é de R$ 400 milhões, o patrimônio da empresa, dentro do Brasil, tem que ser de R$800 milhões. Esta é uma garantia exigida pelo banco.

Outra exigência, que faz com que o processo se arraste: cada empresa candidata tem o tempo de três meses para apresentar e defender sua proposta. Cada novo candidato, então, demora três meses (!) para mostrar seu projeto para o fundo.

Vamos então aos interessados. Pouquíssimas empresas no Brasil tem o patrimônio exigido pelo banco público. Na maioria, empresas do setor financeiro (Santander, Bradesco, Itaú, etc).

A empresa também não pode ter dívidas públicas. Precisa estar em dia com todas as obrigações, o que é muito difícil em se tratando de corporações nacionais.

Mais um problema: a Caixa Econômica Federal, patrocinadora principal da camisa do clube e que paga R$ 35 milhões anuais ao Corinthians, precisa avalizar o nome da empresa. Como a Caixa aceitará que o estádio tenha o nome de outro banco?

Tive a informação que a Caixa renovará seu contrato em 2016, mas em 2017 estará fora da camisa do Corinthians, fato que já foi avisado à diretoria.

A Klar, que de empresa desconhecida virou assunto na mídia pela entrevista de seu presidente Marcelo Prado à Rádio Transamérica na última segunda-feira, disse ter feito proposta, mas dificilmente passará por estes estágios de exigências descrito acima.

Uma solução seria procurar a AmBev, empresa brasileira com enorme patrimônio, mas que já afirmou não se interessar pelo negócio. Concorrentes do setor de bebidas? Pode ser.

Hoje a principal empresa interessada é o Banco Santander. O negócio esbarra no veto da Caixa. Pode acontecer em 2017, ou os responsáveis pela negociação podem promover um acordo entre os bancos.

Enfim, é um negócio mais complicado do que parece à primeira vista, e espero ter ajudado a explicá-lo um pouco aqui neste espaço.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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