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De novo?
Jogadoras do Corinthians erguendo o troféu do Brasileiro Feminino
Foto: Ronaldo Barreto/Meu Timão
Sumiram com o dinheiro arrecadado pelo Corinthians Feminino, mais uma vez
Opinião de Maria Beatriz de Teves
Sinto que estou escrevendo, de novo, algo que já escrevi. Em 2024, vimos recursos que deveriam fortalecer o Corinthians Feminino simplesmente desaparecerem no meio do caminho. Em 2025, o cenário se repete - e a indignação também.
O elenco feminino fez a sua parte. Foi campeão duas vezes na temporada. Chegou a mais duas finais. Em quatro competições, levantou taças, levou o nome do clube e arrecadou cerca de R$ 15 milhões apenas em premiações. E o que as jogadoras receberam em troca? Promessas. “Bicho” anunciado… e não pago. Quatro premiações atrasadas.
Há quem defenda o fim do “bicho” no futebol feminino, especialmente por ainda não se tratar de uma modalidade autossustentável. Mas, se está em contrato, se foi prometido e comunicado ao elenco, precisa ser pago. Simples assim. Aliás, foi exatamente por esse motivo que o Corinthians foi processado por pelo menos três jogadoras que não haviam recebido a premiação da Libertadores de 2024. Lembram disso?
A expectativa interna era de que essas pendências fossem quitadas com parte do valor recebido pelo título da Copa do Brasil. Era o cenário ideal. Entrou dinheiro novo, resolve-se o que está atrasado. Mas todos sabemos que isso dificilmente será prioridade. A tendência é que o recurso seja direcionado primeiro para bônus de Memphis Depay, bichos do elenco masculino, pagamento de dívidas e outras obrigações do futebol masculino.
Há também quem defenda a separação das contas do masculino e do feminino. Dá para fazer, claro, desde que haja planejamento de verdade. Osmar Stabile já fala em um patrocinador máster exclusivo para o feminino e diz estar trabalhando nisso. Mas fica a pergunta: mesmo que esse dinheiro chegue, ele chegaria de fato ao departamento? Ou continuaria se perdendo pelo caminho?
Em 2025, considerando premiações, bilheteria e transferências de atletas, como Yaya e Dani Arias, o Corinthians Feminino movimentou mais de R$ 20 milhões. Vinte milhões. Para onde foi esse dinheiro?
Não é caça às bruxas, nem briga pessoal com A ou B. É cobrança pelo básico: transparência. Quando tem título, todo mundo aparece na foto. Quando entra dinheiro, o release sai rapidinho. Mas, na hora de pagar, vem o velho conhecido: o silêncio.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.




