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O que Dorival Júnior pode fazer para mudar a realidade do Corinthians
Marina Borges

Jornalista formada pela Unesp. Praticante e amante de futebol e de tudo o que o esporte envolve. Mais uma do bando que se junta ao Meu Timão. Vai Corinthians!

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O que Dorival Júnior pode fazer para mudar a realidade do Corinthians

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O que Dorival Júnior pode fazer para mudar a realidade do Corinthians

Dorival Júnior é o novo técnico do Corinthians

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O Corinthians tem a pior defesa entre os times da Série A em 2025. Outrora pilar da história recente do clube, agora virou o principal problema. Já são 33 gols tomados e quase 400 (!) finalizações sofridas na temporada. A goleada por 4 a 0 para o Flamengo apenas escancarou o tamanho do buraco e do problema que Dorival tem nas mãos.

Dito isso, será que a chegada do técnico acende uma esperança de melhora no Corinthians? O que ele pode fazer para mudar a realidade atual? A resposta exige mais do que apenas mudanças táticas.

É verdade que o Corinthians, sob o comando de Ramón Díaz, encontrou um formato funcional no 4-4-2 com losango no meio-campo, tendo Garro mais adiantado. As tentativas de alteração de sistema mostraram rapidamente o risco: a equipe ficava ainda mais exposta. Além disso, quando o argentino não joga, não há substituto para sua função.

No entanto, focar só no desenho tático é enxugar gelo. O maior problema do Corinthians hoje está na forma como a equipe ocupa o campo. É um time espaçado, que marca mal, oferece liberdade absurda aos adversários e praticamente assiste à qualquer tentativa de finalização, principalmente de fora da área — já são seis gols sofridos dessa forma no Brasileirão e estamos apenas na sexta rodada — o que resulta em uma média de um gol sofrido à longa/média distância por jogo.

Com Dorival, a tendência (e a esperança) é que o Corinthians recupere ao menos a organização básica: compactação, linhas próximas e maior agressividade na hora de pressionar quem tem a posse da bola. O novo treinador é adepto dos encaixes de marcação — ou seja, cada jogador tem um alvo claro para pressionar, tentando induzir o erro e sufocar o adversário logo na perda da posse.

No entanto, um trabalho assim exige não apenas posicionamento, mas intensidade, comprometimento — e sobretudo vontade —, coisas que o Corinthians tem deixado a desejar nos últimos jogos. Além disso, Dorival costuma montar times que valorizam a posse com sentido: toques rápidos, triangulações e mobilidade. Na prática, menos chutões para frente e mais construção inteligente, mesmo a partir da defesa.

A tendência é que ele não abra mão de construir desde os zagueiros, formando uma saída de três com um volante recuando, o que deve dar mais fluidez à transição defensiva e ofensiva — algo que hoje é praticamente inexistente. Porém, acho muito difícil imaginar esse cenário com os defensores atuais.

O grande desafio de Dorival, portanto, não será encontrar um esquema mágico ou apostar apenas na mudança de peças. Se não houver um ajuste urgente na forma como o Corinthians se defende — principalmente no combate no meio-campo e na aproximação entre setores —, nenhuma ideia ofensiva (e coletiva como um todo) terá sucesso.

Hoje, qualquer adversário encontra espaço para chutar; o Corinthians, por outro lado, parece precisar de uma força-tarefa para criar qualquer chance clara. Tem momentos do jogo que a equipe até consegue reter a posse — mas esta sem objetividade nenhuma, sem sequer ameaçar a meta adversária.

Dorival tem no seu histórico a capacidade de reorganizar times em crise — apostando, principalmente, em compactação e agressividade sem a bola. No entanto, sem mais qualidade individual na defesa, qualquer projeto tende a cair por terra.

O Corinthians precisa ocupar urgentemente o campo como um time. Não dá mais para ver o adversário avançar livremente e chutar quando e de onde quiser, enquanto o time segue espaçado e sem combatividade, tornando-se um mero espectador dentro de campo. É muito pouco para um clube desse tamanho, que almeja coisas maiores na temporada.

Dorival pode ser a peça para mudar isso — mas precisa começar do começo: consertando o básico. E mais do que isso, não dá para negar a necessidade do Corinthians ir ao mercado.

Veja mais em: Dorival Júnior.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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