E se não fosse o Corinthians na vida da gente?

Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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E se não fosse o Corinthians na vida da gente?

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E se não fosse o Corinthians na vida da gente?

O que seria dessa torcida sem o Corinthians?

Foto: Bruno Teixeira Rolo

E se não fosse o Corinthians na vida da gente? Já pensou como seria?

E se não fosse o Corinthians para aproximar tantos amigos? Para promover convergências. Para provocar encontros. Para nos apresentar amizades sinceras. Quantos amigos ganhamos da vida através do Corinthians?

E se não fosse o Corinthians para ser ao mesmo tempo tão amado e aproximar tantos amores? Amores para a vida toda!

E se não fosse o Corinthians para recebermos tantos abraços? Abraços gratuitos que recebemos na arquibancada. Abraços sinceros e fraternos. Abraços sentidos. Abraços necessários para cuidar do corpo e do espírito da gente. Abraços que recebemos meio assim sem esperar. Abraços instantâneos de um irmão que talvez nunca mais vejamos, porém um abraço que fica guardado na memória para todo sempre, pois foi o abraço de um gol, de uma virada, de um pênalti defendido, de uma final de campeonato ou mesmo um abraço de poropopó. Esse último abraço apenas entendedores entenderão.

E se não fosse o Corinthians para preencher os nossos dias de solidão? Com um radinho ligado, deixando o tempo passar, a vida se desenrolar, descobrindo as notícias sobre o próximo jogo que certamente será o maior acontecimento dos últimos tempos.

E se não fosse o Corinthians para preencher a cabeça da gente naquele espaço que se estabelece desde a hora que a gente acorda até a hora de ir dormir, com raros espaços que sobram para as coisas da vida que o senso comum insiste em dizer que são mais importantes? O que seria dos fins de semana sem o Corinthians?

O que seria da nossa história de vida sem o Corinthians? E se não fosse o Corinthians para lembrarmos com carinho dos nossos familiares e amigos que se foram, mas deixaram memórias tão lindas de quando compartilhávamos juntos o amor pelo Timão? Para lembrar os antigos jogos que assistimos juntos? Quando dávamos boa noite depois de mais uma grande vitória do Corinthians, pedíamos a bênção e íamos dormir satisfeitos e felizes porque o Corinthians ganhou e isso já era o bastante para que nossa vida fosse mais feliz e mais farta. Por mais simples que fôssemos, por menos coisas que tivéssemos, éramos imensamente ricos, pois tínhamos o Corinthians para nos redimir. E se não fosse o Coringão para nos fazer parte de uma família repleta de tanto amor? Uma casa corinthiana!

E se não fosse o Corinthians para nos ensinar a conversar com todo mundo? A fazer amizade com o chefe da empresa e uma hora depois sentar na calçada para bater papo com o flanelinha? E se não vivêssemos o Corinthians, como aprenderíamos os valores da lealdade, humildade e procedimento? Como aprenderíamos a dar os nossos pulos? A nos virarmos em qualquer quebrada. A respeitar e ser respeitado?

E se não fosse o Corinthians, como seria nossa vida sem fazer parte dessa comunidade com instrumentos indestrutíveis de solidariedade? Essa gente que sofre junto, que é feliz junto. Que se conhece no olhar. Que gosta das mesmas coisas. Que valoriza a simplicidade. Que não tem frescuras. Que não precisa tanto das coisas para ser feliz. Que está junta nas suas festas e churrascos, que assiste ao jogo junto de você, mas que também lhe ajuda na hora da mudança para carregar aquela geladeira pesada ou, se for preciso, rebocar o seu carro quando ele quebra na madrugada. Que te paga a cerveja quando você não tem dinheiro. Que vai com você levar sua mãe ao hospital. Que sempre te vê com a mesma camiseta preta com listras brancas e nunca reparou que você não muda jamais. Aquela gente corinthiana. Aqueles que são chamados de maloqueiros. Que “são tudo a mesma raça!”.

O que seria da nossa vida se não fosse o Corinthians pra fazer um gol e num impulso automático nos obrigar a abrir a janela do apartamento para gritar “Vai Corinthians!”.

O que seria da nossa vida se desaparecesse da nossa memória os momentos que colecionamos em Corinthians? E se não tivéssemos mais guardados os momentos tão felizes? Já pensou? O que sobraria da gente sem a memória do gol do título contra o Chelsea e a volta olímpica no Japão? Os gols do Emerson e do Romarinho contra o Boca, as defesas na final do mundial e também no chute do jogador do Vasco? Do gol do Paulinho nesse mesmo jogo, pulando no alambrado e abraçando com carinho um torcedor? O Ronaldo derrubando o alambrado depois do gol de cabeça contra os porcos? A dancinha do Tevez, o sete a um contra o Santos e o seis a um contra o São Paulo no intervalo de uma década? O Dida pegando os dois pênaltis do Raí? O chute do Edmundo que voou para o alto do Maracanã e nos fez campeões do mundo? A embaixadinha do Edilson, o gol de falta do Marcelinho em Ribeirão Preto? O gol de carrinho do Tupãzinho, o gol de joelho do Wilson Mano e as faltas batidas pelo Neto que nos fizeram campeões brasileiros pela primeira vez? O gol do Viola no Brinco de Ouro? E se não houvesse o Corinthians da Democracia Corinthiana sendo Bicampeão Paulista e transformando o Brasil? Os gols e toques de gênio do Doutor Sócrates. O gol do Basílio em 1977, o maior acontecimento da história do esporte mundial? A invasão corinthiana em 1976? Os vinte e três anos de superação sem gritar é campeão, mas com a torcida se multiplicando entre operários e retirantes nas vilas e favelas da cidade? Do time do Cláudio, Luizinho e Baltazar? Dos primeiros anos de glória do Corinthians, dos tricampeonatos que conquistamos? Do Neco arrancando a cinta para cobrar a raça do time do povo? Não importa se já tínhamos nascido ou não. O fato é que nos lembramos perfeitamente , pois vivemos tudo isso em espírito! O que seria da gente sem esses momentos?

O que seria da vida dos rivais se não fosse o Corinthians? O que seria da mídia esportiva se não fosse o Corinthians? O que seria da audiência da televisão?

O que seria dos preconceituosos e racistas se não fosse o Corinthians? O que seria da baba ácida que escorre da boca de algumas almas tristes quando nos chamam de “time de preto”, “time de analfabeto”, time de favelado”? Quer saber? Nós somos isso mesmo e muito mais! Não temos vergonha de quem somos? Temos orgulho da nossa raça e da nossa origem! Corinthiano, maloqueiro e sofredor, Graças a Deus!

O que seria da vida da gente sem o Corinthians para promover convergências? Para favorecer a igualdade? Para ser prioridade comum entre pobres e de ricos? Para ser a história de amor de judeus e árabes, japoneses e bolivianos, haitianos, espanhóis, portugueses, italianos e armênios? O que seria do mundo sem o Corinthians para promover o congraçamento de tantas raças e credos. Tornar possível em dias de intolerância as diferentes visões de mundo?

O que seria do mundo sem o Corinthians para dar voz àqueles que não têm voz? Para ser instrumento de identidade de um povo abandonado pelas instituições? Para ser a consciência de classe possível nos nossos dias? O que seria dessa vida sem o Corinthians para ser a janela por onde muitos aprendem a enxergar o mundo? Para ser ao mesmo tempo refúgio, alívio, diversão, ilusão, mas também instrumento de luta e de desalienação?

O que seria da vida da gente sem o Corinthians para nos manter crianças em alguma medida. Para ser aquilo que sobrou da nossa infância?

A verdade é que sobraria muito pouco da nossa vida sem o Corinthians. Talvez quase nada. Porque o Corinthians é a coisa mais linda que existe na vida da gente. É parte da história de quem somos. Nós somos feitos de carne, osso, sangue e Corinthians!

Mas uma coisa eu te digo. O que seria do Corinthians sem o seu povo? Da mesma forma, não sobraria quase nada. Porque o Corinthians é feito e formado justamente por sua gente. Por aqueles que se levantam em nome do Time do Povo!

O Corinthians nasceu do sonho de trabalhadores humildes. Contra todos os preconceitos e dificuldades se fez grande. Imenso! O Corinthians é indestrutível porque mais do que um clube de futebol, ele é um ideal. Ele não habita nas coisas; ele paira no ar. A história desse povo não pode existir sem o Corinthians, mas o Corinthians também não pode existir sem a história, a vida e o amor de seu povo.

Somos cada um de nós um pedaço do Corinthians. Somos corpo, alma, ideia, camisa, bandeira e mais do que tudo uma história de amor.

Felicidades, Corinthians! Você é tudo para nós!

Vai Corinthians, como eu te amo…

Veja mais em: Torcida do Corinthians.

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Por Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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