Caso Vitinho: o que já aconteceu e o que ainda pode acontecer

Teleco

@Teleco1910 é um torcedor comum que gosta de conversar sobre o Corinthians. Ele não conseguirá responder aos comentários aqui, mas está sempre cornetando em 140 caracteres no Twitter.

ver detalhes

Caso Vitinho: o que já aconteceu e o que pode acontecer

Coluna do Teleco 1910

Opinião de Teleco

24 mil visualizações 124 comentários Comunicar erro

Caso Vitinho: o que já aconteceu e o que pode acontecer

Victor Moura

Foto: Divulgação / Corinthians

O talentoso Victor Gabriel de Moura apareceu nas manchetes recentemente, pois a sua continuidade no Corinthians está ameaçada.

Nascido em 2000, Vitinho jogava no União Marabá de sua cidade, Guarulhos. Chegou às categorias de base do Futebol de Salão do Corinthians por si próprio e chamou a atenção da Un1que Football, que começou a trabalhar com o atleta desde que ele tinha 13 anos.

A Un1que Football é de Nick Arcuri, empresário de Jucilei, Marcelo Oliveira, e Julio César entre outros. No Corinthians empresaria Léo Jabá, que assinou seu primeiro contrato profissional em 2014.

Passou ao futebol de campo e logo foi reconhecido como destaque na sua categoria. Fez um rápido estágio no Manchester City, acompanhado de gerente da base corinthiana. Presença constante em seleções de base, recentemente foi artilheiro e melhor jogador do Campeonato Sulamericano Sub-15 onde o Brasil foi campeão, com sete gols. Como com todos os jogadores em formação, é difícil saber se será um craque ou apenas mediano, mas inegavelmente tem bons números até agora.

Com 16 anos completos em 4 de janeiro, chegou a hora de Vitinho fazer seu primeiro contrato como jogador profissional.

O primeiro contrato profissional

O primeiro contrato sempre é problemático para jogadores de base, já que enquanto o atleta é amador não há "direitos econômicos" definidos; o primeiro contrato como profissional pode ser no máximo de três anos.

Até os dezesseis anos, os jogadores tem apenas um contrato de formação com o clube, com algumas proteções ao mesmo para evitar a transferência de jogadores para outros times sem compensação financeira.

Para ter direito a esta proteção, o clube formador precisa estar com o atleta registrado como não-profissional há pelo menos dois anos, utilizar o atleta em campeonatos, dar assistência médica e infraestrutura adequada tanto desportiva como de instalações físicas. Cumpridas as exigências, se o clube formador protocolar uma proposta de renovação na FPF até um dia após o aniversário do atleta, ele garante os direitos sobre o jogador.

No entanto, apesar de estar em discussões verbais com o atleta e sua equipe desde o ano passado, o Corinthians só registrou a proposta de renovação no dia 27 de Janeiro quando o correto seria até o dia 5.

Legalmente, perdeu a cobertura da lei e abriu espaço para que o jogador saísse gratuitamente. O Manchester City fez proposta pelo jogador, e quaisquer que seja o valor é certamente muito mais que o Corinthians pode oferecer no momento.

Dificuldades para o jogador

Nestas condições, por que o jogador já não foi para a Inglaterra? O Corinthians é um time interessante para o jogador, onde já está ambientado e é respeitado. E não se pode transferir jogadores com menos de 18 anos para o exterior facilmente, sem oferecer trabalho e residência para os pais.

Times grandes brasileiros tem um acordo onde se comprometem a não retirar jogadores de outras equipes sem ressarcimento. Na prática, Vitinho poderia ficar dois anos sem disputar competições oficiais, o que prejudicaria muito seu desenvolvimento. Obviamente, equipes que se dispusessem a "hospedar" o jogador até os dezoito anos receberiam uma "taxa de vitrine" quando se transferisse para a Inglaterra, o que já atraiu alguns interessados.

O Corinthians contra-atacou com um protocolo na FPF pedindo oito milhões de reais para liberar o jogador, mas o direito ao ressarcimento é contestado pelo advogado do jogador. Também há dúvidas se o acordo entre as equipes brasileiras se aplica ao caso de Victor, já que ele está sem contrato. Situações caracterizadas como aliciamento era quando havia um contrato vigente de formação e o jogador aparecia para treinar em outro clube, como se nunca tivesse sido registrado no clube de origem. Então, pode ser questionado na justiça se está sendo cerceado o direito de trabalhar do atleta.

O que pode acontecer

Conversei com o coordenador técnico Alessandro Nunes, que disse que o Corinthians tem todo o interesse de continuar contando com Vitinho, mas as pretensões salariais precisam se adequar ao que o clube pode pagar. O diretor da Base, José Onofre, não respondeu às mensagens ou ligações do colunista.

Empresários e Vitinho sabem que não tem como conseguir os mesmos valores oferecidos pelo Manchester City junto ao Corinthians, mas isto poderia ser amenizado caso o clube oferecesse um plano de carreira ao atleta.

Após um período que as conversas não progrediram, a equipe de Vitinho não negocia mais com os responsáveis pela base e a negociação agora é feita diretamente com o presidente Roberto de Andrade buscando a renovação, demonstrando que o assunto é importante para o clube. Mesmo sabendo que ainda não chegaram a um acordo, há luz no fim do túnel.

Ouça-me no Podcastimão ou me xingue no Twitter. Vai Corinthians!

Coluna do Teleco 1910

Por Teleco 1910

@Teleco1910 é um torcedor comum que gosta de conversar sobre o Corinthians. Ele não conseguirá responder aos comentários aqui, mas está sempre cornetando em 140 caracteres no Twitter.

O que você achou do post do Teleco?