Saída de Cazares do Corinthians é economia burra

Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

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Saída de Cazares do Corinthians é economia burra

Meia Cazares durante treinamento do Corinthians no CT

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A iminente saída de Juan Cazares do Corinthians, aventada pela diretoria, indicada como real por Vagner Mancini e possivelmente confirmada nesta semana para o Fluminense, é uma economia burra. Obviamente isso é uma opinião e não tenho como provar, mas tentarei embasar nesse texto.

Começo reconhecendo que Cazares não é um jogador constante e tem dificuldade de participar efetivamente do jogo saindo do banco de reservas. Isso aconteceu durante toda a sua carreira e só segue no Timão. Quando é titular, porém, sua influência mais do que justifica a permanência.

Além disso, o clube não achará um jogador com a sua qualidade no mercado sem desembolsar um bom valor e um atleta da sua capacidade dificilmente pedirá menos do que ele quer. Com 29 anos recém-completados, Cazares ainda tem alguns anos de auge para oferecer ao Timão.

O clube, por sinal, foi buscá-lo porque tinha exatamente as mesmas opções no atual elenco que não convenciam e faziam o Corinthians ser candidato ao rebaixamento. O que mudou em seis meses para que o mesmo elenco de armação pré-Cazares seja o suficiente para assegurar algo melhor que o 17º lugar que o Corinthians vivia antes do equatoriano virar titular?

Ainda que os três anos de contrato me pareçam muito, são o preço de assinar por apenas nove meses com um jogador de bom mercado. Caso seja impensável contar com Cazares - que acho difícil - é importante que a mensagem seja clara da diretoria: "o Corinthians não tem dinheiro para oferecer um contrato de três anos ao meia e para mais ninguém desse nível".

Simples. Que o clube seja claro, apresente números e justifique. Enquanto isso não for feito e se seguir um discurso pouco direto, com indicações e possibilidades, é difícil crer que essa renovação tenha papel fundamental como causa da debacle econômica corinthiana. Se a ideia for custo-benefício, tento explicar por que não faz sentido.

Vamos, então, aos números.

Como o jogador mal atuou desde a virada para essa temporada, sendo titular apenas no clássico contra o Palmeiras, atrapalhado por uma forte chuva, e no empate por 1 a 1 com o Retrô, vou manter como base de comparação mais justa - e forte - o Campeonato Brasileiro de 2020/21.

Cazares, ao todo, teve dois gols marcados e cinco assistências pelo Corinthians na competição, além de ter criado seis chances claras de gol de acordo com o SofaScore. Foram 20 jogos no total, sendo dez deles como titular. Nos que começou jogando, a equipe teve sete vitórias, um empate e duas derrotas, com aproveitamento de 73% dos pontos conquistados. Ele fez o time melhorar.

Vale lembrar que Cazares estreou como titular contra o Vasco, em São Januário, quando uma derrota recolocaria o clube na zona de rebaixamento. Foi com as suas performances - e a potencialização dos companheiros - que o Corinthians passou a ser um dos times em melhor forma na virada do turno do torneio nacional.

Com grandes atuações, ele foi o melhor em campo contra Internacional, São Paulo e Fluminense, três times hoje na Libertadores da América. Seu ponto baixo - e de todo e qualquer jogador do elenco - foi a goleada sofrida para o Palmeiras por 4 a 0. A influência do equatoriano no restante da equipe, no entanto, é mais do que evidente.

As seis chances claras criadas na competição além das participações diretas não parecem ser algo tão impressionante, mas, colocando-se em perspectiva, aumentam muito. Sabe quantas chances Araos, Luan, Vital e Otero, os outros meias da equipe, construíram juntos no torneio? Cinco.

Os companheiros, aliás, crescem com Cazares. Jô tem três gols em sete jogos com Cazares titular. Fez os mesmo três gols em outros 23 jogos sem o equatoriano na armação. Vital fez três dos seus quatro gols compondo a armação ao lado de Cazares. Mosquito participou diretamente de oito gols na temporada - quatro em oito jogos com Cazares titular, quatro nos outros 19 duelos.

Ou seja, o Corinthians vai perder o seu meia mais efetivo - de longe - e que potencializa os jovens da equipe, esses sim ativos que podem render dinheiro com a produção que apresentam jogando com Cazares. Quanto deixará de ganhar em vendas sem o jogador?

"Ah, mas o Cazares não é nenhum craque da bola". Concordo, mas estamos falando de um time que não vai brigar por título e precisa de segurança para ao menos ser competitivo. Cazares é, para mim, evidentemente superior aos concorrentes do elenco e um nome que rivaliza com os melhores do país na função.

O discurso de economia, aliás, é justo e deve permear decisões no futebol, mas Cazares passa longe de ser uma loucura. É um jogador já adaptado ao padrão brasileiro, onde atua há cinco anos, e chegou sem custos. Repito: não haverá opção mais barata no mercado e o time, sem ele, tem uma produção ofensiva sofrível, prejudicando o desempenho geral e individual. Por isso, é uma economia burra.

Parte da ideia de que Cazares é prescindível, é claro, também tem culpa do jogador, que não atuou bem recentemente e, segundo Mancini, não está na sua melhor forma. Em uma temporada emendada pela Covid-19 e com a confiança de que vai atuar, porém, Cazares já mostrou ser um diferencial.

Veja mais em: Cazares e Mercado da bola.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Tomás Rosolino

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