Ramiro não pode ser reserva desse Corinthians - e os números também explicam por quê

Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

ver detalhes

Ramiro não pode ser reserva desse Corinthians - e os números também explicam por quê

Coluna do Tomás Rosolino

Opinião de Tomás Rosolino

11 mil visualizações 266 comentários Comunicar erro

Ramiro não pode ser reserva desse Corinthians - e os números também explicam por quê

Volante Ramiro durante o treino do Corinthians no Centro de Treinamentos Joaquim Grava

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Abro a coluna avisando ser óbvio que o Corinthians não tem um grande time - meu parâmetro seria brigar por título do Brasileiro - e que não acho Ramiro um grande jogador. Posta a atual situação do clube e o que o jogador pode oferecer, no entanto, considero um enorme contrassenso um atleta como ele ser reserva.

Vou começar falando da parte subjetiva, que inclui um espírito de dedicação acima da média e uma entrega total em todas as partidas. Ramiro "se mata" dentro de campo, corrige qualquer subida de companheiro e até antevê algumas falhas. Por isso Renato Gaúcho achou espaço em um bom Grêmio para tê-lo como marcador pela direita, função exercida muito bem tanto lá quanto cá.

Com a bola, o camisa 8 está longe de ser uma sumidade. Ainda que a inteligência tática e a boa condição física o ajudem até nisso, peca bastante na parte técnica, principalmente no passe curto. Sua finalização de média distância é bem razoável, porém, e deveria ser mais bem explorada.

Fundamentalmente, Ramiro não pode ser reserva de um time em que as opções colocadas à sua frente não oferecem nenhum ganho coletivo que as justifique nem uma diferença individual formidável. Ele não fica no banco para Elias, Maycon, Malcom ou Jadson. Se ficasse, era perfeitamente cabível.

Agora vou para o lado dos números, que, como sempre, não explicam tudo, mas também não mentem. Ramiro está no Corinthians desde 2019, mas sua importância me ficou clara a partir de 2020, quando o Corinthians não teve mais Pedrinho, titular exatamente na função em que ele se especializou.

Desde janeiro do ano passado, o Timão entrou em campo em 74 oportunidades, sendo que em 38 delas Ramiro foi titular. Nesses jogos - a maioria de Campeonato Brasileiro, já que Ramiro perdeu quase toda a fase de grupos do Paulista-20 machucado -, o clube teve 19 vitórias, 10 empates e nove derrotas, com 49 gols marcados e 30 gols sofridos.

Ou seja, esse time que vocês conhecem desde o ano passado, certamente o menos talentoso da última década, é capaz de ganhar 58,7% dos pontos quando Ramiro é titular. Isso equivaleria a 67 pontos no Campeonato Brasileiro, mesma campanha do terceiro colocado Atlético-MG, três pontos atrás do Flamengo.

E nos outros 36 jogos em que Ramiro não foi titular? Bom... o Corinthians teve nove vitórias, 15 empates e 12 derrotas, marcando 38 gols e sofrendo 42. Um aproveitamento de 38.8% dos pontos, equivalente a 43 na tabela de um Brasileiro, apenas dois acima da zona de rebaixamento.

Sim, eu sei, seria preciso analisar o impacto de todos os titulares no período semelhante... então eu fiz isso. Dentre os que ficaram fora de dez jogos ou mais, apenas o lateral direito Fagner causa uma diferença maior no aproveitamento (com ele, aproveitamento de 59,5%, sem ele, aproveitamento de 31%).

Mas que o melhor lateral do país é essencial ao time todos sabem. Falta perceber que Ramiro, com todas as suas falhas, também melhora muito as já humildes expectativas corinthianas na temporada.

Corinthians com Ramiro titular desde 2020

38 jogos
19 vitórias
10 empates
9 derrotas
49 gols marcados (1,28 gol por jogo)
30 gols sofridos (0,78 gol por jogo)
Saldo +19
58,7% de aproveitamento

Corinthians sem Ramiro titular desde 2020

36 jogos
9 vitórias
15 empates
12 derrotas
38 gols marcados (1,08 gol por jogo)
42 gols sofridos (1,17 gol por jogo)
Saldo -4
38,8% de aproveitamento

Veja mais em: Ramiro e Vagner Mancini.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Tomás Rosolino

Por Tomás Rosolino

Tomás Rosolino é jornalista faz um tempo. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, ex-Agora SP e Gazeta Esportiva. Hoje no Meu Timão. Vejo muito esporte, todo dia, o dia todo.

O que você achou do post do Tomás Rosolino?

x