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'Demaaais'
Ronaldo Fenômeno foi a contratação mais marcante da história do clube
Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians
O dia em que o Fenômeno encantou o Rei
Opinião de Ulisses Lopresti
Em 2009, uma transferência mudou a história do Corinthians. Pelo clube do Parque São Jorge passaram grandes craques, como Rivellino, Sócrates, mas com certeza, Ronaldo Fenômeno foi a contratação mais marcante da história do clube. O Timão estava em um período de reconstrução depois de disputar a Série B do Campeonato Brasileiro em 2008. O Corinthians voltou à elite do futebol brasileiro em grande estilo. A notícia de que o maior artilheiro das copas na época jogaria no Parque São Jorge pegou o futebol brasileiro de surpresa. O atacante, reconhecidamente flamenguista, treinava no clube carioca e todos davam como certo que o craque jogaria no Rio de Janeiro. No dia 9 de dezembro de 2008, o Timão aplicou um chapéu no clube rubro-negro e anunciou Ronaldo Fenômeno.
Sua passagem pelo Corinthians foi marcante desde o começo. Logo em sua segunda partida fez gol no arquirrival Palmeiras e a partir daí passou a ser decisivo no Campeonato Paulista de 2009. Comandou a equipe na primeira fase e foi fundamental na semifinal contra o São Paulo, quando fez o gol que selou a classificação corinthiana para a final da competição.
Porém, Ronaldo teve sua atuação mais marcante na final. Aquela decisão de Paulistão era uma chance de o corinthiano lavar a alma e conquistar o primeiro título desde o pesadelo do rebaixamento e da Série B. A final foi contra o rival, Santos, que na época despontava com um garoto como destaque, Neymar. O primeiro jogo foi na Vila Belmiro, estádio onde o rival se considerava quase invencível. Cabe lembrar que o Timão não vencia o adversário no estádio fazia três anos, desde 2005. Na semana do clássico, só se falava da mística do estádio rival, sobre a oportunidade de o Fenômeno jogar no estádio onde Rei Pelé havia sido grande carrasco corinthiano.
No dia 26 de abril de 2009, os holofotes estavam nessa partida. Pelé estava no estádio, o palco da final estava lotado, havia todo um cenário épico para o jogo. O Corinthians entrou em campo com Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Dentinho e ele, Ronaldo Fenômeno. O Timão começou dominando a partida, logo aos 16 minutos da primeira etapa, Chicão bateu falta com perfeição e abriu o placar para o Corinthians. Em menos de dez minutos, o Fenômeno começou com sua atuação de gala. Aos 25 minutos, o autor do primeiro gol deu um chutão do campo de defesa, a bola viajou o campo e caiu no pé do camisa 9. Ronaldo fez do chutão um passe refinado, dominou de esquerda e sem deixar a bola correr finalizou com a perna direita e fez o segundo gol corinthiano.
A partida parecia encaminhada, com dois gols de vantagem no placar. Porém, como nada é fácil para o corinthiano, o Santos passou a pressionar e diminuiu o placar com Triguinho aos 16 minutos do segundo tempo. O adversário passou a atacar o Corinthians em busca do gol do empate.
Perto do fim do jogo, brilhou a estrela de Ronaldo. Aos 31 minutos da segunda etapa, o Fenômeno fez seu gol mais inesquecível com a camisa do Corinthians. Elias carregou a bola no meio de campo e passou para o camisa 9 quase na intermediária. Foram poucos toques de bola até o Fenômeno dar um drible de letra no marcador, e de fora da área, encobrir o goleiro Fábio Costa, com a genialidade fenomenal que só o craque tinha. Golaço, o atacante fez 3 a 1 para o Corinthians. Foi tão bonito e surpreendente, que o saudoso e craque, só que da narração, Luciano do Valle só conseguia gritar “demais” para ilustrar aquele momento. A partida terminou 3 a 1 para o Timão. Até o Pelé, que assistiu ao jogo das tribunas da Vila Belmiro, reverenciou o craque. “Ronaldo fez um gol digno de Copa do Mundo, uma pintura”, falou o rei.
Na semana seguinte, o Timão conquistou o título paulista e o gol passou para a história. Muitos tentaram explicar a genialidade, colocaram a culpa até na camisa vermelha do goleiro santista, que poderia ter ajudado o craque a perceber que ele estava adiantado. Porém, acho que o goleiro podia até ser invisível que aquele gol aconteceria, pois para o Fenômeno marcar golaços só bastava estar em campo.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.






