Uma angustiada homenagem à camiseta listrada

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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Uma angustiada homenagem à camiseta listrada

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Uma angustiada homenagem à camiseta listrada

Corinthians jogou de listrado o clássico contra o Santos no último domingo

Foto: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Poucas coisas me emocionam mais no futebol do que a camiseta listrada do Corinthians. Foi a primeira camiseta que tive quando criança, e lembro que minha sensação foi a de estar usando a camiseta mais bonita do mundo, e lamentava pelo fato do time usá-la tão pouco nas partidas.

O passar das décadas me trouxe duas constatações a esse respeito. Conhecendo tantas camisetas de tantos clubes mundo afora, hoje posso afirmar, com convicção, que a camiseta listrada do Corinthians é a mais bonita e mais original do mundo. Por outra parte, à medida em que passei a frequentar mais os estádios, percebi que uma grande parte dos corinthianos também gosta mais da camiseta listrada.

Porque só a Fiel Torcida Corinthiana pode se orgulhar de ter uma camiseta assim, preta com delgadas linhas branca, que combina perfeitamente com o calção preto e as meias escuras. Que combina perfeitamente com a cor da pele da maioria da nossa torcida, sofredora - tanto no campo quando na vida - mas lutadora, graças a Deus.

Que também combina perfeitamente com a nossa história. Nem sei quantas vezes conquistamos títulos importantes com ela, mas basta lembrar de um, o maior de todos os tempos, em 1977, para lembrar o quanto ela é um ícone do corinthianismo.

Em algumas temporadas, como a de 2014, o Corinthians ousou jogar com o uniforme listrado em Itaquera, em alguns clássicos contra Santos e São Paulo e em partidas contra outros alvinegros, como Botafogo e Atlético, coisa que deveríamos repetir mais vezes. Lembrei disso no clássico deste domingo - nesta insólita partida em que éramos visitantes em nossa velha casa, e estávamos proibidos de entrar.

De qualquer forma, hoje vivo fora do Brasil e nas raras vezes que tenho chance de ver partidas do Corinthians aqui no Chile ou em algum outro país próximo, é mais comum vê-lo usando a camiseta que eu amo. Também é a que compro pra presentar as amigas e amigos chilenos que tento catequizar por aqui, sempre usando este argumento infalível: “esta é a camiseta de futebol mais bonita e original que você vai receber na vida”.

Minhas palavras, entre testemunho e desabafo, surgem a partir dos prováveis desenhos das novas camisetas para a temporada 2018, onde vi que, pela troscentésima vez, a fabricante decidiu tirar as listras do segundo uniforme.

Fico pensando qual a necessidade de se atentar assim contra uma tradição tão simples de se manter, e pouco tempo depois de comemorar o centenário dela até com certa pompa, o que me deu a esperança de que passaríamos a respeitá-la um pouco mais.

Alguém poderá dizer que é por apelo comercial. Mas sempre que observo entre os meus amigos acho que encontro uma camiseta toda preta - dos vários modelos lançados anteriormente - pra cada 20 ou 30 camisetas listradas. Talvez não seja mais vendida que a branca, mas certamente é mais querida que a preta sem listras, ou as diversas coloridas.

Tampouco me importa a comparação internacional para este caso, embora talvez ela me favoreça, já que eu não lembro de grandes clubes da Europa alterando tão repetidas vezes o desenho de seus uniformes mais icônicos. Posso estar errado, talvez eles troquem sim com alguma frequência. Mas claro, eles não têm uma camiseta tão bonita quanto a nossa listrada, a qual deve ser defendida.

Houve um tempo em que eu cheguei a pensar em lançar uma iniciativa para defender a camiseta listrada como o uniforme principal do Corinthians. Certamente encontraria muitos como eu que adorariam isso, mas acabei contendo esse afã, em respeito à camiseta branca, que também tem sua história e sua simbologia na idiossincrasia corinthiana, merecendo o mesmo respeito que a minha preferida.

Hoje, com o coração angustiado diante da possibilidade de ficar um ano, talvez mais, sem ver a nossa camiseta mais bonita em campo, me contentaria com um movimento dentro do clube que proibisse mudar o desenho da camiseta listrada, ainda que seja como uniforme alternativo. Melhor ainda se valesse já para este ano. Que São Jorge me ouça.

Veja mais em: Camisa do Corinthians.

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Por Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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