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Saldo positivo!
Fernando Lázaro tem muito mais méritos do que deméritos como técnico do Corinthians até o momento
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
Lázaro termina primeiro desafio como técnico do Corinthians com T maiúsculo
Análise de Victor Godoy
Chegou ao fim a primeira fase do Campeonato Paulista, consequentemente, o primeiro desafio de Fernando Lázaro como técnico. Pensando que esse foi o pontapé inicial desse trabalho efetivo do ex-analista no cargo, o saldo foi certamente mais positivo do que negativo.
Assim, vale analisar o início dessa “Era Fernando Lázaro” tanto com números quanto fora deles. A intenção desse texto é abordar o segundo tópico, avaliando quais foram os acertos do treinador até então.
Alterações táticas
Nos últimos anos, a Fiel e quem acompanha o Corinthians se acostumou a ver os tradicionais 4-3-3, 4-1-4-1, 4-2-3-1 ou variações pouco ousadas que não fugiriam desse padrão. Recentemente - mais específico com VP e Mancini - o time chegou a ser escalado com três zagueiros compondo a primeira linha e variando entre 3-4-3 e 3-5-2, mas talvez, para um time recheado de meio-campistas das mais diversas características, essas não fossem as escolhas mais eficientes.
Lázaro foi pelo lado da qualidade e preferiu montar um losango no cérebro da equipe. Houve algumas mudanças de posicionamento, como Giuliano passando a atuar mais como um segundo volante do que armador. Quando assimilada pelos jogadores, a alteração se mostrou efetiva e, além disso, potencializadora para jogadores como Róger Guedes, Renato Augusto, Adson e o próprio camisa 20. Os resultados são notórios, afinal, o Corinthians volta a ter um jogador podendo encerrar o Paulistão como artilheiro depois de 12 anos.
“Resgate” de desacreditados
Não tem como sair da parte tática sem citar dois nomes: Roni e Adson. O primeiro foi o caso mais surpreendente, saindo de terceiro reserva a titular inquestionável, sendo seguro defensivamente e ofensivamente quando acionado. Além de ter melhorado a questão psicológica, cometendo menos erros e recebendo menos cartões. O desempenho está sendo tão convincente que até os companheiros apoiam sua sequência.
Quanto ao meia, acredito que tenha sido o maior dedo do Lázaro enquanto treinador. Inicialmente, quando ainda defendia as categorias de base do Timão, Adson atuava como meia ou ponta-direita jogando mais pelo centro do campo. Quando promovido, talvez por ter um biotipo mais franzino, nunca foi lançado na região central do campo, jogando todas as partidas como ponta tentando buscar a profundidade ou armar a equipe, mas sem percorrer o centro do campo. O atual técnico do Corinthians deu esse voto de confiança que Adson tanto precisava e tem correspondido a altura.
Coletivas e relação com a imprensa
Um dos afazeres de um treinador é lidar diariamente com a imprensa e ter uma boa relação com ela faz parte das esferas para que sua imagem seja bem vista até mesmo com a torcida. O melhor exemplo pode ser o Meu Timão que você, meu caro leitor, sempre busca para se informar, certo?
No entanto, de tempos para cá alguns treinadores têm se importado cada vez menos com isso e protagonizado algumas cenas pavorosas. Isso vale tanto para os que começam a falar em outro idioma na coletiva quanto para os que nitidamente não sabem responder uma pergunta, citam sua conta bancária ao responder uma questão ou até batem boca com setoristas que só estão fazendo seu trabalho.
Lázaro não cometeu nenhum desses equívocos até o momento - e espero que assim siga. Em suas primeiras coletivas é notório seu nervosismo nas falas, mas as respostas sempre aparentam ser convictas da sua linha de pensamento quanto ao futebol. Ainda, está sendo muito honesto com os repórteres, sem nenhuma arrogância ou de se achar “dono da verdade”. Quando questionado, responde, sem fugas ou desonestidades, e é assim que deve ser.
Também não podemos esquecer que foi em suas primeiras semanas de trabalho que o Corinthians voltou a fazer um treino aberto à imprensa depois de 11 meses!
Pequenas atitudes do dia a dia
Por fim, tem alguns pequenos gestos que eram tradicionais no Parque São Jorge e que, especialmente pela mudança provocada por Vítor Pereira, foram esquecidas.
O caso mais simbólico e citado pelos próprios jogadores é essa questão do treinador ser um “paizão”. Entendo que são modelos de trabalho e o europeu, de modo geral, tem esse modo de lidar menos intimista, mantendo certa distância dos jogadores. No Brasil, porém, isso acontece na contramão e não é, necessariamente, errado, apenas diferente. Tite tinha esse aspecto e é um dos maiores treinadores da história do Corinthians. Da história recente, Carille, que foi o técnico que mais “deu certo”, também. Agora, Lázaro tem recuperado isso e a diferença de satisfação dentro da sua equipe é notória. E pensando que o técnico é o principal líder de uma equipe, isso faz grande diferença.
Outra pequena atitude pouco citada foi a presença do treinador na estreia do Timãozinho no Corinthians Sub-20. A base é o principal ativo de um clube, mas parece que esquecem isso em terras alvinegras. Além de mostrar uma preocupação com aqueles que vão representar o manto corinthiano no futuro, serve também como incentivo para esses jovens, que possivelmente passam a enxergar uma subida ao profissional com maior facilidade caso se destaquem.
Como nem tudo são flores
Olhando de outra perspectiva, o trabalho ainda está em seu começo e precisa de algumas lapidações. O desempenho medíocre fora de casa e a dificuldade em bater de frente com rivais são pontos que podem trazer problemas a longo prazo.
Pessoalmente também me incomoda a pouca utilização de jogadores da base, mas entendo que foi uma estratégia que Lázaro adotou para que os principais atletas do elenco entendessem o que deveriam fazer em campo. Tendo isso em mente, espero que pelo menos os já integrados ao time profissional consigam acumular minutos em um futuro breve.





