Brasil: a terra dos anjos do futebol

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Brasil: a terra dos anjos do futebol

Atletas do Brasil: a ética em primeiro lugar

Foto: Composição Digital

É uma beleza, torcida brasileira! Em um país marcado pela honestidade, pela ética e pela franqueza, da política ao esporte, convém lembrar dos virtuosos atletas que advertiram os árbitros de seus ilícitos esportivos.

Vale lembrar do probo Nilton Santos, na Copa do Chile, em 1962. Depois de derrubar o espanhol Collar dentro da área, o lateral deu dois passos para trás, convocou o senhor do apito e confessou: “cometi o pênalti”.

Como sabemos, a Espanha marcou e venceu o jogo. O Brasil se complicou e não conquistou o que seria seu bicampeonato mundial.

Mais vivas ao notável Luizão, que podia cavar um pênalti para o selecionado canarinho, em 2002, no prélio contra a Turquia.

No entanto, após desabar em ação ofensiva, o atacante ergueu-se convicto do gramado e convenceu o árbitro sul-coreano Kim Young Joo de que a infração ocorrera fora da grande área.

Foi quando o Brasil de Felipão começou a se complicar naquela Copa... Há culpa também de Rivaldo, que bem poderia ter armado uma cena depois do chute de Hakan Unsal.

Valia simular uma bolada no rosto e induzir o árbitro a expulsar o adversário. Rivaldo, entretanto, amante do fair play, evitou o teatro e permitiu que os turcos se armassem para conquistar a vitória.

Outro admirável beato pátrio é Roque Jr. Na mesma competição, o belga Wilmots anotou um gol quando a partida ainda patinava no 0 a 0. O juizão quis invalidar o lance, assinalando falta no defensor.

Firme em seus valores, no entanto, Roque Jr. discutiu com o árbitro e exigiu a validação do tento adversário. E foi assim que o Brasil naufragou naquela Copa do Mundo.

São muitos os exemplos de virtude no futebol brasileiro, sempre lembrados e elogiados por nossa valorosa crônica esportiva.

Que nos lembremos de Túlio, que ajeitou com o braço para marcar pela Seleção contra a Argentina, na Copa América de 1995. Segundos depois, no entanto, arrependeu-se e exortou o árbitro a anular seu tento decisivo. Naufragamos, mas com dignidade.

E o que dizer do grande Fred na Copa do Mundo de 2014? Percebendo que o croata não cometera o pênalti, convocou o árbitro japonês Yuichi Nishimura para uma conversa e o persuadiu a esquecer o lance.

São tantos os eventos desta natureza que nos falta a memória. Lembremo-nos da partida do Paulistão de 2010 em que o menino de ouro do Brasil, Neymar, mandou para as redes com o braço, em um peixinho espetacular.

Em seguida, em demonstração de respeito aos colegas de trabalho tricolores, obrigou o árbitro a assinalar uma falta, e não o tento.

Em tempo recente, em São Januário, Luis Fabiano empenhou-se em tarefa parecida, depois de contar com a ajuda do braço para vencer Cassio.

Assim, a partida terminou em 1 a 5 para a equipe mosqueteira paulista.

É uma pena que o corinthiano Jô se ponha a macular, com triste pioneirismo, essa história de verdadeiras vestais do ludopédio nacional.

Jô, ainda há tempo para a contrição. Empenhe-se. As asas vêm!

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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