Triunfo sobre o Avaí e lições da campanha de 2017

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Kazim: estrela por uma noite, na saga dos coadjuvantes

Foto: Agência Corinthians

1) O destino de Carlito (Carlos Kreberger) era ter seu nome soterrado pelo tempo na memória da Fiel. No entanto, é ainda celebrado pelo gol que garantiu ao Corinthians o título paulista de 1938, no empate em 1 a 1 contra o São Paulo. Os tricolores reclamam até hoje. Dizem que foi com a mão. Sem a prova do vídeo, consideramos que foi de cabeça. Apelido desse personagem da história mosqueteira? Turco!

2) Nesta noite de sábado, em Itaquera, Colin Kâzim-Richards, um inglês naturalizado turco, estufou o peito para anotar o gol que encaminhou a conquista do heptacampeonato nacional. Foi um parto. Nove meses desde o tento anterior. Em êxtase, o Gringo da Favela desfraldou a bandeira de escanteio, interagindo com o povo da Norte.

3) Episódios como o de hoje nos impõem lições de humildade. No futebol, o reserva, o estreante e até o pereba logram fazer a diferença. E, no Corinthians, de forma especial, o esforço coletivo é sempre determinante nas grandes conquistas.

4) Ora, o herói do título brasileiro de 1990, autor do gol na final contra o São Paulo, é Tupãzinho, impresso na memória do torcedor como um reserva. Era o talismã, que frequentemente pisava o gramado já na segunda etapa.

5) Tampouco Dinei era protagonista no time que alcançou a final do brasileiro em 1998. Partiu do banco para infernizar a defesa Cruzeirense no primeiro jogo da decisão, quando o placar apontava 2 a 0 para os donos da casa. Fez um gol e deu passe para outro.

6) Na campanha do Brasileiro de 2011, dois coadjuvantes foram fundamentais: Cachito Ramirez, na suada vitória fora de casa sobre o Ceará, e o controvertido Adriano, no triunfo sobre o Atlético Mineiro, no Pacaembu.

7) Nesta campanha de 2017, o Corinthians vai superando os obstáculos com o auxílio luxuoso dos atletas do banco. Clayson tem sido figura fundamental neste acidentado segundo turno. O excelente arqueiro Walter fez sua parte, ao defender um pênalti no jogo contra o Atlético Paranaense. E o criticado Giovanni Augusto, depois de esquentar o banco, anotou o tento que decretou a vitória mosqueteira no mesmo embate.

8) Neste sábado, o meio de campo do Corinthians funcionou mal. Rodriguinho encontrava enorme dificuldade para reter a bola ou distribuí-la. Sem criatividade no setor, a equipe de Carille enveredou pelos flancos da defesa catarinense, nas arrancadas de Romero e do próprio Clayson. Partiu dos pés de Arana, no entanto, a bola que fez a alegria de Kazim e da Fiel.

9) O Corinthians é assim, doce mistério da vida, como dizia o locutor Osmar Santos. Tem em seu DNA essa vocação gregária, de heroísmos compartilhados. Pena que o goleiro Matheus Vidotto não tenha ainda compreendido essa narrativa. Mas é ótimo que o empenhado Caíque França, atleta de grupo, tenha assimilado bem esta lição.

10) Neste sábado, em Itaquera, a torcida gritou "é campeão". Uma ousadia, um atrevimento, mas é difícil acreditar que alguma mão aventureira possa roubar a taça destinada ao Parque São Jorge. Há uma saudável conspiração que conduz os comandados de Carille a esta glória. E nela os coadjuvantes se convertem em protagonistas.

11) Quando sacramentar seu sétimo título, o Corinthians assumirá o lugar de máximo destaque no Campeonato Brasileiro, ou seja, no torneio unificado que teve início em 1971. E não terá legenda de justificativa em nenhuma de suas taças, tampouco um fax explicativo colado ao pedestal.

Veja mais em: Campeonato Brasileiro.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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