O elefante na sala: a relação submissa do Corinthians com a arbitragem
Opinião de Beatriz Maineti
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Yuri Alberto foi expulso no segundo tempo do Dérbi
Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão
No período de seis dias, o Corinthians fez dois clássicos. O primeiro deles, disputado no dia 6 de fevereiro, o time de Ramón Díaz enfrentou o Palmeiras no Allianz Parque pela oitava rodada do Campeonato Paulista. Já no dia 12, recebeu o Santos na Neo Química Arena pela décima etapa da fase de grupos.
Além de terem acontecido pela mesma competição, os dois jogos possuem um fator importantíssimo em comum: ambos foram palco de erros grotescos de arbitragem contra o Corinthians, daqueles que indignam até quem não torce pelo clube do Parque São Jorge. Fora os erros, as partidas compartilham também o silêncio da diretoria alvinegra em relação justamente a estes erros.
No primeiro, uma expulsão para lá de estranha e um pênalti assinalado para o Palmeiras condicionaram o jogo. Yuri Alberto, mandado para o chuveiro ainda no início da segunda etapa depois de receber o segundo cartão amarelo por simular uma falta longe da grande área, tinha marcado o gol que deu o empate ao Corinthians na casa do Palmeiras. Depois, já nos últimos minutos, a arbitragem viu pênalti de Ryan em Estêvão, mesmo que o atacante rival tenha conseguido tropeçar na perna de apoio do volante corinthiano.
O saldo do Dérbi só não foi negativo porque Hugo Souza, que vive um momento iluminado, conseguiu impedir que o próprio Estêvão convertesse o pênalti. A partida foi apitada por Raphael Claus, conhecido por diversas polêmicas envolvendo o time da outra ponta da Linha Vermelha. Ao fim do jogo, comissão técnica e jogadores defenderam “não gostar” de falar da arbitragem, enquanto a diretoria corinthiana nem se manifestou.
Já na última quarta-feira, o Corinthians teve um pênalti claro não marcado a seu favor ainda no primeiro tempo do jogo contra o Santos. Quando o time de Ramón Díaz vencia por 1 a 0, Memphis Depay avançou pelo lado esquerdo e, carregando dois marcadores, tentou cruzar a bola entre os zagueiros para tentar encontrar Yuri Alberto. A bola resvalou na mão do defensor santista e mudou de direção. A árbitra Edina Alves Batista decretou a normalidade do lance em campo, sem utilizar o recurso do VAR.
Na segunda etapa, Zé Ivaldo, zagueiro do Santos, entrou em confronto com Rodrigo Garro após uma jogada na linha de fundo do adversário. O defensor da equipe da Baixada fica de costas para o camisa 8 do Corinthians, sempre com o cotovelo levantado, e depois atinge o rosto do corinthiano com a mão. Novamente, sem qualquer checagem do VAR, Edina Alves Batista deixou o jogo seguir.
Mais uma vez, nenhuma palavra da diretoria alvinegra sobre o caso. Na ocasião, porém, os jogadores, ao serem perguntados sobre a atuação da arbitragem, não pouparam críticas à árbitra, que teve uma performance minimamente questionável. Hugo Souza falou sobre as decisões tomadas, perguntou sobre os critérios. A diretoria, ainda assim, não se manifestou.
Quando o assunto é a arbitragem brasileira, erros não são um tópico novo. Não é como se o futebol brasileiro fosse um antro de moralidade profissional da equipe de árbitros, seja em âmbito Estadual ou nacional. Não há nenhuma novidade nisso. O fator surpreendente nessa história toda, sem dúvida, é o silêncio ensurdecedor da diretoria do Corinthians.
Há anos o Corinthians vê o mundo desabar ao seu redor, empilha erros cometidos pela arbitragem que o afetaram diretamente e, ainda assim, fica na miúda, escondido atrás de uma desculpa esfarrapada de que “não nos cabe falar sobre os juízes”. A questão aqui é que cabe - e como cabe!
Atualmente, a força que o Corinthians exerce nos bastidores é mínima. Não há qualquer tipo de impacto pelas manifestações corinthianas - até porque elas não são feitas. Este mal aflige o clube há anos, contemplando gestões antigas e mais recentes.
É verdade que as reclamações podem não surtir um efeito prático, mas ainda assim são fundamentais. Qualquer manifestação, porém, gera uma pressão necessária e passa a mensagem de que o clube, enquanto instituição, não se permitirá ser prejudicado sem ao menos lutar por tudo aquilo que lhe é de direito.
O Corinthians não pode ser capacho de porta de ninguém. Não dá para aceitar que qualquer árbitro entenda o clube do Parque São Jorge como um alvo fácil e frágil aos seus “erros” - sejam eles honestos ou não. Cabe à diretoria se impor, se manifestar e cobrar por melhorias. O que aconteceu nos últimos dias é totalmente inconcebível, e não dá para admitir que a instituição vá simplesmente abaixar a cabeça e se virar a partir disso.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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