Nixon Esa
É preciso começar esta análise com uma premissa clara: o Corinthians atual é um time estruturalmente desequilibrado. Essa não é uma condição pontual ou um mero mau momento; é uma falha de concepção que remonta à sua montagem.
A narrativa simplista que busca um único culpado, invariavelmente recaindo sobre o técnico, é uma miopia que impede um diagnóstico correto. É inegável que a comissão técnica tem sua parcela de responsabilidade na identidade tática (ou na falta dela), mas a questão central reside em um elenco que carece de qualidade técnica e, sobretudo, de caráter.
Vamos aos fatos concretos. Observe a quantidade absurda de passes errados de jogadores que deveriam ser as referências criativas do time, como Memphis Depay e Rodrigo Garro. São erros primários, em situações de baixa pressão, que interrompem sequências ofensivas e desestruturam completamente o meio-campo. Isso não é questão tática; é falta de fundamento. A incapacidade de executar o passe correto e a finalização eficiente são vícios técnicos que se corrigem nas categorias de base. Quando jogadores supostamente consagrados apresentam essas deficiências na fase adulta, temos um problema de recrutamento e avaliação.
No entanto, o problema é agravado por uma crise de identidade. A história do Corinthians foi construída por equipes que, mesmo com limitações técnicas, suplantavam os adversários com garra, trabalho coletivo e uma mentalidade guerreira. Onde está essa alma? O que se vê hoje é uma legião de 'pés de rato' que, ao vestir a camisa alvinegra, intoxicam-se com a vaidade de pertencer a um clube gigante. Eles se 'acham' antes mesmo de provarem seu valor em campo. Perdeu-se a essência do jogador trabalhador, desprovido de orgulho excessivo, que colocava a instituição acima de qualquer brilho individual. Esse perfil, infelizmente, é uma espécie em extinção no Parque São Jorge.
Portanto, é uma ilusão perigosa atribuir ao técnico a culpa exclusiva pela pobreza técnica de um elenco. Um comandante não pode ser responsabilizado por jogadores falharem em executar passes de cinco metros ou finalizarem de forma sofrível. A solução para isso não está no banco de reservas, mas em um processo sério de formação e recrutamento.
Em resumo, o Corinthians padece de um mal duplo: uma base técnica deficiente somada a uma pobreza mental gritante. Enquanto o clube e a torcida não encararem essa realidade complexa, seguiremos enxugando gelo, trocando de técnico e esperando que um milagre tape, com um discurso vazio de 'paixão', as rachaduras profundas de um projeto sem rumo e sem caráter.
Mas seguimos no grito de resistência: 'Vai Corinthians!'
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